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Ataque dos ursos às tecnológicas e fricções comerciais abalam Wall Street

As praças do outro lado do Atlântico encerraram em baixa, com excepção de um fôlego de última hora do Dow Jones. As tensões comerciais continuam a levar os investidores para as obrigações em detrimento das ações, o que está a penalizar as bolsas. O setor tecnológico foi o mais castigado, com cotadas de peso em mercado urso.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 03 de Junho de 2019 às 21:17
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O Dow Jones conseguiu uma subida muito marginal mesmo no fim da sessão, a somar 0,02% para 24.819,78 pontos, ao passo que Standard & Poor’s 500 recuou 0,28% para 2.744,45 pontos.

 

Por seu lado, o tecnológico Nasdaq Composite perdeu 1,61% para 7.333,02 pontos, tendo chegado a estar a cair mais de 2%.

 

As tensões comerciais continuaram a pesar na tendência, com os investidores a continuarem a preferir ativos mais seguros, como as obrigações soberanas dos EUA, em detrimento das ações, devido ao clima de incerteza.

 

Assim, depois de Wall Street ter vivido em maio o pior mês do ano (e o único com saldo negativo), com as tensões comerciais a subirem de tom, arranca junho no mesmo sentido: em queda.

 

Só o Dow Jones conseguiu fechar à tona, devido sobretudo ao impulso recebido pelos comentários do presidente da Fed de St. Louis, James Bullard, relativos a um potencial corte das taxas de juro por parte da Reserva Federal norte-americana.

Mas as fricções comerciais são, de facto, o elemento que mais tem ditado a evolução dos mercados accionistas, influenciando negativamente a sua direcção.

Na semana passada, o presidente norte-americano ameaçou reforçar as tarifas alfandegárias sobre os produtos oriundos do México, o que veio agravar os receios que já se sentem em relação à guerra comercial entre os EUA e a China.

 

Este fim de semana, um dos elementos que integra a negociação com os EUA do lado chinês assegurou que Washington não poderá usar a pressão para forçar Pequim a fazer um acordo em condições de desvantagem para a China. E isto veio debilitar o sentimento dos investidores em relação a um acordo comercial entre as duas partes.

 

O setor tecnológico, cujas empresas vão buscar uma boa parte das suas receitas aos negócios com a China, foi o mais penalizado neste arranque de semana. O que levou a que o Nasdaq Composite fosse o índice que mais terreno perdeu.

 

A contribuir para mergulhar as tecnologias no vermelho estiveram anúncios de eventuais escrutínios, por parte de entidades supervisoras, das práticas concorrenciais de empresas como a Alphabet e a Apple – que durante a sessão entraram em "bear market" [quando um activo perde 20% face ao último máximo].

Outro fator que deixou a empresa da maçã em foco na sessão desta segunda-feira foi a possibilidade de anunciar o fim do iTunes, o que veio a acontecer perto do final da sessão bolsista. A Apple encerrou a cair 1,01% para 173,30 dólares, e a Alphabet afundou 6,12% para 1.038,74 dólares (um recuo de 19,91% face ao máximo [que foi também histórico] atingido no passado dia 29 de abril).

Já a dona da rede social Facebook perde cerca de 19% desde o último máximo, o que a coloca também muito perto de um mercado urso. No fecho da sessão caiu 7,51% para 164,15 dólares.

Entretanto, os grandes bancos de Wall Street estão a alinhar-se nos alertas aos investidores sobre a crescente possibilidade de a economia global entrar em recessão devido à escalada do conflito comercial entre os Estados Unidos e a China.

 

Com os investidores a refugiarem-se nas obrigações soberanas, as rendibilidades caem. E a forte aposta nas Obrigações do Tesouro norte-americano com vencimento a 10 anos tem feito descer os juros – e nesta maturidade estão mesmo abaixo da "yield" da dívida a 3 meses. Este efeito foi também observado em março passado, com esta inversão das pontas da curva de rendimentos dos títulos de dívida dos EUA a sinalizar uma possível recessão no país.

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