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Banco Central Europeu sobe hoje os juros para 3,75%

O Banco Central Europeu deverá anunciar hoje o sétimo aumento dos juros de referência desde o início do actual ciclo de política monetária contraccionista, colocando as taxas nos 3,75%.

Susana Domingos sdomingos@negocios.pt 08 de Março de 2007 às 06:00
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O Banco Central Europeu deverá anunciar hoje o sétimo aumento dos juros de referência desde o início do actual ciclo de política monetária contraccionista, colocando as taxas nos 3,75%.

A subida é dada como certa pela generalidade do mercado, tal como comprovam os resultados dos inquéritos realizados pelas agências de notícias. Na Reuters, os 80 economistas contactados acreditam que o presidente da instituição monetária europeia, Jean-Claude Trichet, irá concretizar o aumento sinalizado na reunião do Conselho de Governadores de Fevereiro.

Da mesma forma, os 38 especialistas inquiridos pela Bloomberg estão certos que o custo do dinheiro aumentará 25 pontos base na actual reunião. O custo de endividamento passa assim a estar no nível mais elevado desde Novembro de 2001.

À medida que as taxas de juro directoras se aproximam do nível considerado neutral para a economia, deverá assistir-se a "uma maior moderação do discurso" de Trichet em relação a novos aumentos, afirmou Paula Carvalho, economista do BPI.

A forte queda dos mercados financeiros na semana passada, que reflectiu também as declarações do ex-presidente da Reserva Federal Alan Greenspan, que atribui uma probabilidade de um terço a uma recessão da economia dos EUA no final deste ano, não vão motivar alterações de peso no discurso que Trichet profere normalmente após o anúncio da decisão sobre as taxas, adianta a mesma especialista.

"As declarações de Greenspan foram empoladas pelo mercado", que precisava de uma "desculpa" para efectuar uma correcção depois das fortes subidas desde o início deste ano. Não traduz, por isso, o estado da economia.

A equipa de economistas do BPI tem, inclusive, vindo a rever em alta as previsões de crescimento para a Zona Euro em 2007, que deverá evoluir este ano a um ritmo de 2,4%. Por seu lado, a inflação deverá crescer a um ritmo de 2,2%, acima da barreira dos 2% para que o BCE está mandatado.

Pausa ou subida nos juros?

Mais do que a decisão, as atenções centram-se hoje no discurso de Trichet para tentar extrair sinais sobre qual será a política monetária do banco central europeu nos próximos meses.

Grande parte dos economistas acredita que estamos perto de um momento de pausa. Resta saber se será já depois deste movimento de Março, se apenas depois de colocar a taxa em 4%, uma possibilidade que permanece em aberto para a reunião de Junho ou se acabará por ir ainda mais longe.

Paula Carvalho refere que o cenário central do BPI passa por uma nova subida dos juros em Junho, colocando a taxa nos 4%, seguindo-

-se um momento de pausa. Ainda assim, admite a possibilidade do custo do dinheiro vir ainda a aumentar para os 4,25% até ao final deste ano. Tudo irá depender da forma como evoluir a economia nos próximos meses, bem como os mercados financeiros, em particular na relação de forças que se estabelecer entre o euro e o dólar.

Além dos economistas, o mercado também está, por enquanto, a descontar apenas mais um aumento de 25 pontos base em Junho, a julgar pelo valor da negociação dos contratos de futuros sobre a Euribor.

Estes encontram-se ligeiramente acima dos 4%, um sinal de que se espera mais uma subida daqui a três meses. Mas a partir daí e até ao final deste ano não se registam alterações significativas, mantendo-se a taxa sempre neste patamar.

Mas no próximo ano já se nota uma inversão da tendência dos juros, com os futuros sobre a Euribor a recuar novamente para a casa dos 3,9%, deixando antever a possibilidade de uma redução das taxas definidas pelo BCE entre Março e Junho de 2008.

No entanto, sendo a economia um "animal dinâmico" e tendo em conta que no espaço de um ano muita coisa se altera, então é natural que o mercado venha a ajustar as suas estimativas para este horizonte podendo confirmar ou alterar esta tendência.

Ontem, véspera do novo aumento dos juros, as taxas Euribor voltaram a subir.

A Euribor a 3 meses fixou-se nos 3,868%, enquanto a mais utilizada nos contratos de crédito à habitação, a de 6 meses, subiu para os 3,960% e a Euribor a 12 meses avançou para os 4,052%.

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