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BCE justifica demora na criação do euro digital com riscos para estabilidade financeira

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, justificou hoje a demora na criação do euro digital, a forma virtual da moeda única, com os eventuais riscos para a estabilidade financeira, defendendo uma solução "bem concebida".

Christine Lagarde tem em mãos um programa pandémico de compra de ativos de 1,85 biliões de euros.
Martin Lamberts/Lusa
Lusa 21 de Junho de 2021 às 18:48
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"Pode trazer riscos se não for concebido e implementado adequadamente e essa é uma das razões pelas quais a sua preparação está a demorar um pouco de tempo, porque [é uma solução que] não está isenta de alguns riscos", disse Christine Lagarde.

Falando por videoconferência aos eurodeputados da comissão de Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, a responsável assinalou que outro dos riscos é um eventual "impacto negativo na estabilidade financeira ao induzir grandes transferências de dinheiro privado para o euro digital".

"Isto poderia aumentar o custo de financiamento dos bancos e, como consequência, as taxas de juro dos empréstimos bancários, reduzindo potencialmente o volume de crédito à economia", acrescentou Christine Lagarde.

E insistiu: "Tal risco seria mais elevado se o euro digital fosse utilizado como uma reserva de valor generalizada e é por isso que deve ser cuidadosamente concebido como um meio de pagamento atrativo, mais do que como uma forma de investimento".

Para colmatar tais riscos, a presidente do BCE sugeriu então a "remuneração das participações digitais em euros às taxas variáveis", bem como a criação de "um limite máximo sob o qual apenas o euro digital seria disponibilizado".

A criação de um euro digital tem vindo a ser estudada há vários meses pelo banco central e estará em cima da mesa na reunião do Conselho do BCE de julho, sendo que a estrutura ainda não tomou qualquer decisão sobre o assunto.

Um euro digital seria uma forma eletrónica de moeda única acessível a todos os cidadãos e empresas -- tal como as notas de euro, mas em formato digital --, permitindo-lhes por exemplo realizar pagamentos diários.

Funcionaria, então, como um complemento às notas e moedas de euro sem as substituir.

"Se decidirmos introduzir um euro digital, isso deve ser feito sem pôr em risco a estabilidade financeira e a transmissão monetária", defendeu Christine Lagarde.

Por isso, o BCE continuará a "avaliar as características de conceção e os instrumentos para salvaguardar os elementos críticos da transmissão da estabilidade financeira da política monetária, com vista a proteger o que é importante para os cidadãos, como a proteção da sua privacidade".

Nesta área, da proteção de dados, Christine Lagarde sustentou que tal tarefa "é certamente melhor realizada num euro digital que está sob o controlo do Banco Central Europeu, que não tem qualquer interesse em explorar os dados, do que se estes fossem tratados por algum operador privado".

Já aludindo às vantagens da moeda virtual, a responsável elencou que "o euro digital poderia ajudar a Europa e o seu setor financeiro a abraçar plenamente os benefícios da transformação digital em curso" e, ao mesmo tempo, "assegurar a disponibilidade de dinheiro do banco central, físico e digital, se a utilização de dinheiro em numerário diminuísse drasticamente ou se as soluções de pagamento privado sem ser em euro se tornassem dominantes".

Além disso, poderia desempenhar "um papel inclusivo" ao permitir "alargar o acesso [...] a pessoas que de outra forma não teriam necessariamente uma conta bancária ou acesso às facilidades de depósito", adiantou.

Uma moeda digital é um ativo semelhante ao dinheiro que é armazenado ou trocado através de sistemas 'online', sendo que no caso do euro seria gerida pelo banco central.

O euro foi lançado há 22 anos e é a segunda moeda mais utilizada, a nível mundial, nos pagamentos globais.
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