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BCE aumenta hoje as taxas de juro da Zona Euro para 3%

Os membros do conselho de governadores do Banco Central Europeu reúnem-se hoje em Frankfurt para definir o nível de juros directores da Zona Euro. E a expectativa tanto dos especialistas como do próprio mercado aponta para que o presidente da instituição

Susana Domingos sdomingos@negocios.pt 03 de Agosto de 2006 às 07:00
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Os membros do conselho de governadores do Banco Central Europeu reúnem-se hoje em Frankfurt para definir o nível de juros directores da Zona Euro. E a expectativa tanto dos especialistas como do próprio mercado aponta para que o presidente da instituição monetária anuncie uma subida de 25 pontos base para os 3%, o nível mais elevado desde finais de 2002.

São vários os sinais que deixam antever um aumento das taxas directoras, o quarto desde que o BCE iniciou o ciclo de subidas, em Dezembro do ano passado. Na reunião de Julho dos membros do BCE, Jean-Claude Trichet mostrou-se muito preocupado com o nível inflacionista da Zona Euro, que se encontra nos 2,5%, muito acima dos 2% que considera ser o nível ideal de crescimento homólogo dos preços. Ao afirmar que a inflação está sob "forte vigilância", Trichet deixou praticamente claro que iria subir agora os juros, uma vez que sempre que utilizou esta expressão, aumentou o custo do endividamento logo na reunião posterior.

Outro sinal indicativo é o facto do presidente do BCE ter exigido, desta vez, a presença dos membros do conselho de governadores na sede de Frankfurt, quando a reunião de Agosto é, por norma, realizada por video-conferência.

Os últimos dados económicos também não contrariam a possibilidade de um aumento do custo de endividamento, dada a descida do desemprego, que recuou em Junho para um mínimo de cinco anos nos 7,8%, contra os 7,9% observados no mês anterior. Um factor que poderia levar o BCE a adiar um pouco mais esta decisão seria o facto do aumento da massa monetária (indicador de inflação futura) ter abrandado em Junho para 8,5%, face aos 8,8% de Maio. No entanto, a velocidade de circulação da moeda continua a ser excessivamente elevada.

Os 34 economistas contactados pela agência Bloomberg são unânimes ao estimarem um aumento dos juros directores para 3% na reunião de hoje, o que, a concretizar-se, constitui uma aceleração do ritmo de subida da taxa, dado que em vez da subida trimestral que estava a ser seguida desde Dezembro, agora só passaram dois meses desde o último aumento, em Junho, para 2,75%.

As taxas Euribor, os indexantes mais utilizados nos créditos à habitação, têm estado a fixar máximos consecutivos de 2002, a reflectir as acções do BCE.

Vozes dissonantes

Miguel Ordonez, governador do Banco de Espanha, e um dos decisores do BCE, já avançou que poderá ser uma das vozes dissonantes na reunião de hoje, devendo mostrar-se contra mais um aumento dos juros, por temer que a economia espanhola, que tem estado a crescer acima da média europeia, sofra uma travagem com o aumento do custo de endividamento.

A posição do governador espanhol segue a linha de discurso do ex-director geral do Tesouro italiano, Lorenzo Bini Smaghi, que considera que o BCE deve evitar submeter a economia a um choque, na sua tentativa de controlar a inflação.

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