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BCE compra obrigações e acalma juros no último dia de semana turbulenta

Juros estão em queda em Itália, Espanha, França e Áustria com notícia de que o BCE comprou dívida no mercado secundário. As "yields" estão a aliviar das fortes subidas na semana. Excepção é a rendibilidade exigida na dívida da Bélgica, que continua em alta. A dois anos, a taxa subiu de 2,5% para 4% em duas semanas.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 18 de Novembro de 2011 às 12:31
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As taxas de juro implícitas das dívidas dos países da Zona Euro estão a aliviar no mercado secundário depois de uma das semanas mais turbulentas da crise da dívida soberana.

A deterioração da percepção de risco da dívida no mercado faz com que os investidores exijam maiores rendibilidades para terem na sua carteira títulos de dívida. É isso que está a acontecer no mercado secundário, onde os investidores trocam estes títulos entre si.

As penalizações sobre as obrigações gregas, irlandesas e portuguesas levaram os três países a pedir resgates internacionais no último ano e meio. Contudo, é a pressão sobre os títulos de Itália e Espanha que estão a fazer soar os alarmes da Zona Euro, numa altura em que a união continua sem uma solução eficaz. Ao mesmo tempo, Bélgica, Áustria e até mesmo a França parecem permanecer na lista de possíveis contágios da crise.

Juros da Espanha em queda depois de juro recorde no leilão

Várias informações veiculadas por órgãos de comunicação social internacionais indicam que o Banco Central Europeu (BCE) voltou hoje ao mercado para comprar títulos italianos e espanhóis. O objectivo destas aquisições é, precisamente, reduzir as “yields” pedidas sobre a dívida soberana.

Tal está a acontecer nas taxas de juro implícitas da dívida de Itália e de Espanha. Com quedas na ordem dos 100 pontos base na generalidade dos prazos da dívida italiana, a maturidade a dez anos já não está a ser negociada a uma taxa implícita de 7% a – a que foi ultrapassada por Portugal, Irlanda e Grécia, os três países resgatados, e por Itália esta semana – mas sim de 6,7%.

No caso espanhol, a taxa a dez anos até está a ser negociada com uma “yield” de 6,8%, portanto maior que a italiana. Mas as rendibilidades pedidas pelos investidores nas outras maturidades são, contudo, mais baixas do que as da par europeia. Apesar disso, a tendência espanhola na semana foi quase sempre de subida, isto numa semana em que leiloou dívida – no mercado primário, que é onde os Estados colocam directamente dívida no mercado – a um juro recorde de quase 7% para dívida a dez anos.

Por sua vez, as obrigações portuguesas registam uma tendência mista. A taxa a dois anos segue a somar 0,8 pontos base para 16,3%, enquanto a cinco e a dez anos as "yields" avançam 0,1 pontos base para 13,5% e 11,3%, respectivamente.

Juros na França e Áustria aliviam, na Bélgica continua em alta

Os títulos de França e Áustria estão igualmente em queda, na sequência das notícias da intervenção do BCE. Esta semana, os prémios de risco destes dois países alcançaram um máximo desde que os países estão no euro.

Já as “yields” pedidas sobre a Bélgica continuam a subir. Aliás, a dois anos, a taxa de juro implícita passou de 2,6% para 4%. Em sequência, houve um estreitamento da diferença entre as taxas pedidas ao longo das várias maturidades. Ou seja, os juros pedidos sobre os prazos mais curtos aumentam com mais vigor do que nas maturidades mais prolongadas, diminuindo essa distância. Os economistas dizem que esta movimentação indica que há uma maior preocupação com um evento de crédito no curto prazo.

Na Grécia, a pressão continua a estar presente no mercado secundário, com o título a dois anos nos 115%, sem indicações de qualquer recuperação da confiança por parte do país. Pelo contrário, a Irlanda continua a apresentar uma estabilidade das suas taxas em torno dos 8%.

O alívio está, então, hoje no mercado de dívida, mesmo depois de Mario Draghi, presidente do BCE, ter afirmado que a autoridade se deveria focar na inflação, questionando igualmente porque é que a alavancagem do FEEF – de 440 mil milhões para 1 bilião de euros – ainda não estava implementada.
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