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BCE irá manter direito a reembolso de 50 mil milhões na dívida grega

A autoridade liderada por Mario Draghi prepara-se para realizar uma operação de troca dos títulos de dívida que tem no balanço por títulos semelhantes mas que não incluem cláusulas que obriguem ao envolvimento do BCE na operação de redução da dívida.

Hugo Paula hugopaula@negocios.pt 17 de Fevereiro de 2012 às 18:23
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O Banco Central Europeu (BCE) vai trocar os títulos de dívida pública da Grécia que detém por outros de igual estrutura e valor nominal, revela hoje a Bloomberg, citando três responsáveis da Zona Euro que não identifica. A diferença é que os novos títulos vêm expurgados de “cláusulas de acção colectiva” (CAC), que podem obrigar os credores a aceitar perdas na dívida, mesmo contra a sua vontade.

A instituição com sede em Frankfurt vai trocar a dívida pública que adquiriu no contexto do seu programa de compra de activos por títulos na próxima segunda-feira. O seu valor nominal será de 50 mil milhões de euros, segundo as agência Bloomberg e Dow Jones. O Financial Times apontou para 55 mil milhões de euros.

Um valor que “combina com o valor aproximado de dívida pública que o BCE tem em balanço, adquirida por via das compras realizadas ao abrigo do programa de compra de activos”, refere o analista do banco holandês ING, Padhraic Garvey, em nota enviada ao Negócios por correio electrónico.

Em contrapartida, noticiou esta manhã o “Financial Times”, Mario Draghi disse que poderá distribuir os lucros que o BCE vai contabilizar com a dívida grega pelos governos da Zona Euro, através dos bancos centrais nacionais.

O banco central comprou dívida pública da Grécia a desconto no mercado secundário pagando cerca de 40 mil milhões de euros pelas obrigações que comprou ao abrigo do programa de compra de activos. A diferença entre o valor a que comprou as obrigações e o seu valor nominal – que é restituído aos credores na maturidade – representa um lucro potencial para a instituição.

Esse lucro será realizado à medida que as obrigações atingirem a maturidade nos próximos três anos – prazo máximo das obrigações que o BCE detém ao abrigo do programa de compra de activos – mas pode ser contabilizado já e incluído nos planos de financiamento a serem delineados para a Grécia, disse o líder da autoridade monetária.

Blindagem do BCE pode afastar investidores da dívida
Ao avançar para esta troca de activos a autoridade monetária parece estar a criar as defesas que considera necessárias para atravessar o acordo de envolvimento dos privados na redução do valor da dívida grega sem sofrer perdas, o que sinaliza que o acordo pode estar próximo.

No entanto, a credibilidade da sua acção no mercado secundário pode ser ameaçada já que os investidores passarão ainda mais a ver o BCE como um credor que goza de estatuto de senioridade face aos restantes investidores.

“Se, de facto, esta manobra for destinada a proteger o BCE de perdas forçadas, então o risco de uma reestruturação forçada se transformar numa reestruturação coerciva aumentou significativamente”, disse o estratega mercados cambiais do UBS, Chris Walker, à Bloomberg.

“Um obrigacionista do sector privado que foi subitamente e inesperadamente subordinado [para um menor grau de protecção em caso de incumprimento] poderá ter um incentivo reduzido para continuar a deter essa dívida”, explicou o estratega.
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