Bolsa BCP afunda mais 7% antes da negociação de novas acções

BCP afunda mais 7% antes da negociação de novas acções

As acções do BCP fecharam abaixo dos 15 cêntimos, na véspera da entrada em bolsa dos títulos emitidos no aumento de capital.
Nuno Carregueiro 08 de fevereiro de 2017 às 16:52

Mais de 14 mil milhões de novas acções do BCP, emitidas no âmbito do aumento de capital, vão ser admitidas à negociação na bolsa portuguesa a partir desta quinta-feira, 9 de Fevereiro. Um factor que provocou mais uma sessão de fortes quedas para as acções do BCP, com o mercado a antecipar a pressão que estes novos títulos vão exercer na negociação do banco em bolsa.

 

Isto porque os investidores que adquiriram direitos de subscrição para comprar novas acções no aumento de capital podem ser tentados a vender já as acções para realizar mais-valias. É que os direitos negociaram em bolsa sempre a desconto face ao preço das acções.

 

Já a antecipar esta pressão, as acções do BCP fecharam ontem a cair perto de 10% e hoje cederam mais 7,01%. Encerraram a sessão nos 14,6 cêntimos, anulando já todos os ganhos alcançados depois do fim da negociação dos direitos de subscrição (30 de Janeiro).

 

A cotação de fecho de hoje está já também abaixo do preço médio de aquisição da Fosun, que gastou um total de 548 milhões de euros para deter uma posição de 23,92% do capital do maior banco privado português (15,17 cêntimos por acção).

 

A entrada das novas acções na bolsa marca o fim do processo de aumento de capital, operação que deu ao banco um encaixe de 1,33 mil milhões de euros que será utilizado maioritariamente para reembolsar a ajuda do Estado.

 

A operação resultou também em alterações à estrutura accionista, já que além da Fosun, a Sonangol também reforçou ligeiramente a sua posição no BCP (para 15,24%) e a BlackRock assumiu uma participação qualificada de 3% no banco.

 

BCP refém do regresso aos lucros

 

"Há um nível de volatilidade muito grande", refere um analista que pediu para não ser identificado. De acordo com o mesmo especialista, "ou bem que os investidores acreditam que após a recapitalização do banco vai voltar à rentabilidade, ou o BCP continuará" pressionado.

"As novas acções, que representam 15 vezes as antigas, começam a negociar no próximo dia 9 e o cenário que parece mais provável é o de virem a sofrer de uma potencial pressão vendedora", refere Paulo Rosa, "trader" do Banco Carregosa.

Depois de ter concluído com sucesso o aumento de capital, que permitiu ao banco levantar 1,33 mil milhões de euros, o BCP reembolsa já o Estado, permitindo aos investidores focarem-se na actividade operacional.

"Apesar de a operação de recapitalização permitir colocar os rácios de capital num valor mais em linha com a média do sector, continuam a existir várias incertezas relativamente à possibilidade de o banco aumentar o ‘return on equity’ em direcção à meta prevista no seu plano de negócios (10% em 2018)", diz Albino Oliveira.

"A evolução operacional nos próximos trimestres e a capacidade de a qualidade do balanço continuar a melhorar permanecerão provavelmente decisivos para a evolução da cotação do título ao longo dos próximos meses", remata o analista da Patris Investimentos.


 




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