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BCP afunda mais de 7% para mínimos pós-Brexit

Os títulos do banco liderado por Nuno Amado são dos que mais perdem no índice nacional, a cotar nos 0,0167 euros, um mínimo intradiário que coincide com a queda do sector financeiro na Europa e com a saída do título do Stoxx 600.

Miguel Baltazar/Negócios
Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt 16 de Setembro de 2016 às 14:26
As acções do BCP estão em forte queda na bolsa de Lisboa esta sexta-feira, 16 de Setembro, a tombar 7,22% para 0,016 euros, o valor intradiário mais baixo atingido pelo banco liderado por Nuno Amado desde 24 de Junho, sessão que marcou o rescaldo do referendo que decidiu a saída do Reino Unido da União Europeia.

As quedas do banco coincidem com a saída do banco português do Stoxx 600, no âmbito da revisão da composição do índice. Esta sexta-feira é o último dia em que as acções cotam neste índice. Essa exclusão ocorre depois de, no inicio de Junho, o banco ter sido excluído do índice MSCI Global. Esta saída leva os fundos a refazerem as suas carteiras para fazer reflectir a revisão, com impacto negativo para as cotadas que saem e positivo para as que entram.

Além disso, esta é uma sessão no vermelho para os títulos do sector financeiro a nível europeu - o índice bancário do Stoxx 600 cai 1,87% -, perante o tombo do Deutsche Bank, que afunda 8,4% depois de ter sido notificado pelo Departamento de Justiça norte-americano para pagar uma multa de 12,4 mil milhões de euros, um montante que não tencionará pagar.

Os recuos generalizados na banca europeia têm especial incidência nos títulos italianos, além do BCP e do Deutsche Bank. Em Lisboa, em contraciclo com o BCP estão os papéis do BPI, que avançam 1,46% para os 1,04 euros, a menos de uma semana do reinício da assembleia-geral destinada a votar a desblindagem dos estatutos do banco e numa altura em que se mantém a oferta pública de aquisição do CaixaBank, de 1,113 euros por acção. Esta sexta-feira o Citigroup aconselhou os accionistas a venderem aos catalães.

A nível doméstico também se destaca uma das componentes que condicionam o financiamento da banca no mercado - os juros da dívida soberana em mercado secundário –, com as "yields" lusas a agravarem em contraciclo com os pares da periferia do euro.

 

O risco da dívida (diferencial entre as "yields" a que negoceiam as obrigações a dez anos de Portugal e da Alemanha) está em máximos de sete meses, depois de esta quinta-feira também já ter disparado, perante avisos do Conselho de Finanças Públicas sobre o modelo de crescimento económico do Governo, a sua revisão em alta da meta para o défice e um pior cenário para o PIB no final do ano.

 

Os agravamentos nos juros – que estão nos 3,47%, a agravar 5,5 pontos base e também em máximo intradiário pós-brexit - ocorrem ainda no dia em que a agência de notação S&P tem previsto pronunciar-se sobre o rating da dívida soberana portuguesa.

A praça portuguesa continua a ser a que mais cai entre as pares europeias, a recuar 1,76% para os 4.473,99 pontos, com praticamente todos os títulos em queda, excepção feita à Corticeira Amorim e ao BPI. A cair mais de 4% estão a Pharol e a Galp, no dia seguinte a Américo Amorim ter vendido uma fatia de 5% do capital que detém na energética portuguesa, encaixando 485 milhões de euros. 

Com uma queda superior a 7%, tal como acontece com o BCP, está a construtora Mota-Engil, um dia depois de o presidente da empresa, António Mota, ter afirmado não ter ainda confiança para investir em Portugal

(Notícia actualizada às 14:31 com mais informação; alterada às 15:26 com referência )

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