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BCP dispara mais de 9% depois de apresentar prejuízo de 740 milhões

A casa de investimento do BES melhorou a recomendação das acções do banco liderado por Nuno Amado para “comprar”. O BCP está em forte alta depois de anunciar que pretende regressar aos lucros na segunda metade deste ano e de revelar que a operação na Roménia está a conquistar interesse de investidores.

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Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 04 de Fevereiro de 2014 às 09:07
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Num dia de grande volatilidade na bolsa nacional, o Banco Comercial Português apresenta uma forte valorização. Os investidores estão a aplaudir as novidades trazidas na segunda-feira, dia em que foi apresentado o prejuízo de 740 milhões de euros relativo a 2013.

 

As acções do banco sob comando de Nuno Amado (na foto) estão a subir 9,65% para negociarem nos 17,70 cêntimos. No início da sessão, a acompanhar a forte queda do PSI-20, os títulos abriram a perder 1%. Chegaram a deslizar perto de 3%, mas entretanto a manhã tem sido de uma crescente valorização.

 

A subida de 9,65% é a mais acentuada desde 4 de Julho de 2013, com o sector bancário a beneficiar do anúncio de reunião entre Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, depois do então ministro dos Negócios Estrangeiros ter apresentado a sua demissão e provocado uma crise política.

 

Com o nervosismo mais distante da bolsa portuguesa, as acções do BCP seguem a reagir à melhoria da recomendação do Espírito Santo Investment Banking. O BESI passou a recomendar "comprar" os títulos da instituição quando antes apontava para um comportamento "neutral".

 

Esta é a primeira sessão bolsista desde que foram conhecidos os resultados anuais do banco. O BCP apresentou um prejuízo de 740,5 milhões de euros em 2013, cerca de 39% abaixo do resultado líquido negativo de 1.219,1 milhões, registado um ano antes. O valor do prejuízo foi superior ao antecipado pelo consenso dos analistas, embora tenha sido melhor do que o esperado pela casa de investimento do BPI. O BPI Equity Research esperava provisões mais elevadas, pelo que o facto de se terem verificado poupanças nas provisões para crédito merece elogio.

 

“Embora a leitura inicial dos resultados deva ser negativa (desde logo pelo elevado prejuízo acumulado), salientamos mais uma vez que o BCP apresentou um conjunto de tendências positivas (em base trimestral) com a estabilização da margem financeira e da qualidade dos activos”, aponta o analista André Rodrigues, do CaixaBI, na nota diária desta terça-feira, 4 de Fevereiro.

 

Do BPI, a ideia do analista Carlos Peixoto é a de que “não se esperam alterações significativas nas estimativas, dado que o desempenho pior do que o esperado da margem financeira foi compensado pela qualidade dos activos melhor do que a antecipada”.

 

Na apresentação de resultados, o presidente executivo do BCP indicou que espera que, na segunda metade do ano, as contas saiam da zona de resultados negativos, antecipando uma equivalência entre lucros e prejuízos (o chamado “break-even”) ainda em 2014.

 

Crédito menos negativo e capital mais sólido

 

Um dos aspectos que é aplaudido tanto pelo CaixaBI como pelo BPI é a redução das novas entradas líquidas de clientes em crédito malparado. Ascenderam a 634 milhões de euros no final do ano passado, caindo 53% em relação ao ano anterior. Esta “melhor qualidade dos activos”, como classificam os analistas das duas casas de investimento, pode justificar a valorização das acções do BCP em bolsa.

 

Os dados mais “sólidos” do BCP no que diz respeito ao capital estão, igualmente, a ser elogiados. O banco registou um rácio de capital “core tier 1”, que mede a solidez financeira da instituição, no final de 2013 de 13,8%, uma melhoria face aos 12,4% apresentados um ano antes.

 

Pagar "Cocos" e melhor liquidez

 

Em relação à liquidez, o BCP anunciou uma queda trimestral de 21,3% do financiamento que recebe do Banco Central Europeu. São “boas notícias” do lado destas métricas, segundo o BPI.

 

Em termos de notícias de destaque em relação à actividade da instituição financeira, Nuno Amado revelou a intenção de devolver 400 milhões de euros do apoio estatal no primeiro semestre do ano, menos 100 milhões de euros do inicialmente previsto. O presidente executivo justificou a decisão com imposições da Direcção-Geral da Concorrência. Este é um dos aspectos que o CaixaBI quer ver esclarecido.

 

O banco confirmou ainda que operação na Roménia, que está à venda, tem recebido mais manifestações de interesse que o esperado.

 

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de “research” na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.

 

(Notícia actualizada às 9h45 com mais informações e cotações actualizada; corrigida às 11h40 para alterar gralha na cotação - de euros para cêntimos; actualizada às 13h00 com novas cotações)

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