Bolsa BlackRock: "Bancos centrais estão a ganhar tempo"

BlackRock: "Bancos centrais estão a ganhar tempo"

A BlackRock está a recomendar uma redução gradual do risco da carteira, de modo a amortizar os picos de volatilidade nos mercados.
BlackRock: "Bancos centrais estão a ganhar tempo"
Yuri Gripas/Reuters
Patrícia Abreu 22 de julho de 2019 às 13:06

O crescente protecionismo nas principais economias mundiais está a causar incerteza nos mercados e a criar maiores riscos para o crescimento económico global. Ainda assim não deverá haver uma recessão nos próximos 18 meses. Esta é a expectativa da BlackRock, que considera que os bancos centrais estão a tomar medidas no sentido de amortecer o abrandamento económico e a "ganhar tempo".

O Banco Central Europeu (BCE) e a Reserva Federal dos EUA indicaram, nos últimos meses, uma mudança na sua política monetária. Indicações que têm suportado um maior otimismo nos mercados. A BlackRock argumenta que "há um fator de incerteza bastante grande no mercado e que vai continuar nos próximos trimestres", mas "os bancos centrais já deram o primeiro passo para atenuar esta incerteza, explicou André Themudo, num evento onde o responsável da gestora para Portugal apresentou as perspetivas para a segunda metade do ano.

"Não está claro se os estímulos podem compensar ou não" a volatilidade criada por eventos como a guerra comercial, realçou André Themudo. O mesmo responsável destaca que o mercado está demasiado otimista em relação às medidas que a Fed vai apresentar. Para a BlackRock, o banco central dos EUA deverá baixar juros em setembro, em 25 pontos base.

Guerra comercial em foco

Na opinião da BlackRock, as tensões comerciais e outros riscos geopolíticos vão continuar a ser os temas em foco nos mercados, mantendo um elevado nível de incerteza na negociação.

Mesmo estando mais cautelosa para a economia global, a BlackRock tem apenas uma probabilidade de 20% para uma recessão no final deste ano, 40% no final de 2020 e mais de 50% no final de 2021. Ou seja, para os próximos 18 meses, a gestora não espera uma recessão na economia mundial, um cenário que leva a entidade a recomendar a aposta em ações, mas com cuidados redobrados.

"Os investidores têm que reduzir o risco da carteira", explica André Themudo. Podem fazê-lo, por um lado, através de um maior investimento em dívida soberana e, por outro, através de maiores posições em liquidez.

EUA mantêm preferência

Ainda que recomende uma redução gradual do risco da carteira, a BlackRock ainda acredita que as ações são o melhor ativo para apostar, nesta fase final do ciclo de ganhos. E os EUA são a melhor região para se estar investido.

"As ações dos EUA estão caras, mas face à sua história ainda estão em valores estáveis", lembra o responsável da gestora. Já as ações europeias subiram a sua avaliação junto da BlackRock, com a gestora a deixar de estar a subponderar estes ativos, para manter uma posição "neutral". Uma mudança inteiramente justificada pela expectativa de novas medidas por parte do BCE.

Em relação à China, as previsões são mais pessimistas. "Esta guerra comercial pode ter efeitos mais nefastos para a China e afetar a região", explica Themudo. Face à revisão em baixa de previsões para a segunda maior economia do mundo, a BlackRock desceu a recomendação para a aposta na Ásia, revelando-se mais otimista para a América Latina.




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