Research BPI corta avaliação e recomendação das ações do BCP

BPI corta avaliação e recomendação das ações do BCP

As expectativas mais reduzidas para os resultados levaram o BPI a cortar o preço-alvo do BCP em 18%. A recomendação baixou para "neutral".
Nuno Carregueiro 13 de fevereiro de 2019 às 09:49

O BPI atualizou as estimativas para os resultados futuros do BCP, que originaram uma revisão em baixa da avaliação das ações, bem como uma descida na recomendação, que passou para "neutral".

 

O preço-alvo para o final deste ano é agora de 0,28 euros, o que representa um corte de 18% face à anterior avaliação de 0,34 euros por ação. Ainda assim, tendo em conta a atual cotação, o novo preço-alvo incorpora um potencial de valorização de 20%.

 

Na nota de "research" publicada hoje, a que o Negócios teve acesso, o BPI justifica a descida da recomendação com o facto da avaliação das ações já não estar tão distante das pares como no passado e o adiamento da subida de juros penalizar as contas do banco no médio prazo.

 

Os analistas Carlos Peixoto e Sofia Barallat Bourgeois cortaram em cerca de 10% as estimativas de médio prazo para os resultados do BCP, devido sobretudo às perspetivas mais reduzidas para a margem financeira.

 

O BPI estima que o banco liderado por Miguel Maya alcance uma margem financeira de 1.530 milhões de euros em 2019 e de 1.643 milhões de euros em 2020. As estimativas foram reduzidas porque desde a última vez que o BPI atualizou as previsões para os resultados do BCP, a estimativa para a Euribor 3 meses para o período 2020-2022 baixou 50 pontos base. A forte travagem da economia europeia no arranque de 2019 levou o BCE a sinalizar que não será tão cedo que vai normalizar a política monetária.

 

A penalizar a margem financeira (indicador que mede a diferença entre juros pagos e juros cobrados) está também a recente emissão de obrigações perpétuas AT1, que foram colocadas com um juro próximo dos dois dígitos.

 

Além deste impacto negativo nas contas do banco, o BPI elevou os requisitos de capital, colocando mais 100 pontos base no CET1 do banco, o que reforçou o corte na avaliação das ações do BCP.

 

As novas estimativas para os resultados do BCP incorporam um aumento médio de 25% no lucro por ação no período 2018-2021; uma descida no custo do risco de 106 pontos base para 65 pontos base em 2021 e um aumento de 2% ao ano na margem financeira.

   

A estimativa para o lucro por ação do BCP em 2018 foi cortada em 2014. O BPI aponta agora para que o BCP tenha fechado o ano passado com lucros de 304 milhões de euros, um crescimento de 122% face ao registado em 2017. Tendo em conta apenas o quarto trimestre, os lucros terão ficado em 46 milhões de euros, o que compara com o mesmo período de 2017.  

 

O BPI estima que o NPE (exposição a ativos problemáticos) tenha registado uma evolução positiva, com uma descida de 11%. As provisões terão baixado 18% em termos homólogos no trimestre.

 

As ações do BCP caem 0,17% para 0,2336 euros.

 

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.




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