Obrigações BPI emite 275 milhões em dívida perpétua com juro de 6,5%

BPI emite 275 milhões em dívida perpétua com juro de 6,5%

A dívida a emitir pelo banco português vai ser totalmente subscrita pelos espanhóis do CaixaBank numa operação que permitirá melhorar o rácio de capital em 1,6 pontos percentuais.
BPI emite 275 milhões em dívida perpétua com juro de 6,5%
Miguel Baltazar
Nuno Carregueiro 09 de setembro de 2019 às 17:14

O Banco BPI anunciou esta segunda-feira que vai avançar com uma emissão de "dívida muito subordinada", através de instrumentos de capital Additional Tier 1 (AT1), que será totalmente subscrita pelo seu acionista único, os espanhóis do CaixaBank.

 

O banco liderado por Pablo Forero vai emitir 275 milhões de euros em dívida perpétua, sendo que a taxa de juro inicial foi fixada em 6,50%, o que representa um prémio de risco de 713,1 pontos base sobre a taxa swap a 5 anos.  

Estes títulos de dívida perpétua têm opção de reembolso antecipado por parte do BPI a partir do quinto ano. Caso tal não aconteça, a taxa será refixada de 5 em 5 anos com referência à taxa swap a 5 anos naquele momento, adicionada do spread inicial.

 

Como refere o BPI em comunicado enviado à CMVM, a "emissão de valores mobiliários representativos de dívida muito subordinada (AT1) tem por objetivo uma estrutura de capital mais otimizada, com uma distribuição de capital entre CET1, Tier 1 e Capital Total mais em linha com os limites previstos" pelos reguladores europeus.

 

O banco acrescenta que o preço e as condições da emissão foram confirmadas por um auditor independente como sendo "adequadas às atuais condições de mercado".

 

No início deste ano o BCP pagou uma taxa de juro de 9,25% para emitir 400 milhões de euros em títulos AT1. 

 

No âmbito da sua operação de recapitalização acordada com Bruxelas, a CGD emitiu 500 milhões de euros de títulos AT1 em 2017, com uma taxa de juro de 10,75%. Já o ano passado colocou mais 500 milhões de euros em títulos AT2 com uma taxa de 5,75%. 

 

A emissão de dívida AT1 para reforçar os rácios de capital é considerada mais arriscada, por ser a primeira a enfrentar perdas em caso de resolução da instituição. E é, por isso, tendencialmente mais cara para as instituições financeiras.

 

Além de suportarem perdas num cenário de resolução, no caso dos títulos emitidos pelo BPI, caso se verifique uma "deterioração do rácio CET1 consolidado ou individual para um valor inferior a 5,125% ("trigger"), o mecanismo de absorção de perdas determina a redução automática do valor nominal ("write-down") dos valores mobiliários representativos de dívida muito subordinada (AT1) em montante suficiente para repor o rácio CET1 para aquele nível".

 

Com esta emissão, o BPI diz que os rácios consolidados de capital Tier1 e total do Banco BPI beneficiam com um impacto positivo de 1,6 pontos percentuais, calculados por referência a 30 de junho de 2019.




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