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CaixaBI e Haitong: Limitação de votos é fulcral na OPA do Caixabank ao BPI

Não tendo chegado a acordo com Isabel dos Santos, o Caixabank lançou uma OPA sobre o BPI. O problema, notam os analistas, é a limitação de votos inscrita nos estatutos do banco português. Algo que o Governo já terá resolvido com uma alteração regulatória.

Miguel Baltazar
André Tanque Jesus andrejesus@negocios.pt 18 de Abril de 2016 às 11:16
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O Caixabank e a Santoro Finance de Isabel dos Santos não chegaram a acordo sobre o desinvestimento do BPI em Angola. A administração do BPI, primeiro, culpou a empresária angolana e, agora, o banco espanhol lançou uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre o capital que não detém da instituição liderada por Fernando Ulrich. Os analistas destacam o cenário de incerteza e alertam para as multas do BCE. Mas mais importante será a solução em torno da limitação de votos.

"Trata-se de uma notícia negativa para o BPI, pois o banco continua sem encontrar uma solução para a questão levantada pela ultrapassagem do limite dos grandes riscos, cuja data imposta pelo BCE foi atingida no passado dia 10 de Abril", escreve André Rodrigues esta segunda-feira, 18 de Abril, numa nota de análise a que o Negócios teve acesso. Para o analista do CaixaBI, "aumenta a incerteza em relação ao ‘investment case’ do BPI, deixando ainda margem para que o BCE venha a aplicar uma multa ao banco".

Sem acordo, a solução encontrada pelo CaixaBank passou pelo lançamento de uma OPA, na qual oferece 1,113 euros por a acção. "A nova oferta fica 6,7% abaixo do preço das acções do BPI antes da suspensão e 16,5% abaixo dos 1,329 euros oferecidos [na OPA lançada] no ano passado", apontam os analistas Carlos Cobo e Juan Carlos Calvo. Mas os especialistas do Haitong apontam que "a aquisição resolveria os problemas de concentração de risco do BPI em Angola".

Contudo, destacam, "a oferta é condicional à remoção do actual limite de 20% na votação". E este é o cerne da questão. "O sucesso desta oferta está directamente ligado à eliminação da limitação de direitos de voto actualmente existente", notam também os analistas do CaixaBI, explicando que, "admitindo a oposição da Santoro Finance a essa eliminação, a mesma dificilmente acontecerá em sede de Assembleia Geral do BPI". Mas aí apontam para as notícias em torno das alterações aprovadas pelo Governo.

É que Luís Marques Mendes, no seu comentário habitual no domingo à noite na SIC, revelou que o Governo aprovou a desblindagem da limitação de votos em empresas do sector financeiro. A decisão terá sido tomada no Conselho de Ministros da passada quinta-feira, 14 de Abril, quando ainda se previa que o acordo viria a concretizar-se. À espera apenas da promulgação do Presidente da República, esta alteração ao Código dos Valores Mobiliários vira o jogo contra Isabel dos Santos e, assim, permite ao BPI escapar à indefinição accionista.

"Acreditamos que, sem o interesse do CaixaBank, os actuais accionistas do BPI poderiam enfrentar um cenário mais incerto, em termos de negócio e avaliação", destacam os analistas do Haitong. Para o banco espanhol, salientam, "a aquisição será neutral, tendo em conta que o BPI apenas representa 12% do total dos activos". E concluem que seria importante saber "como a aquisição será financiada" e como o CaixaBank pretende alcançar um rácio "core tier 1" de 11%, considerando a implementação total das regras de Basileia III.

Ainda por conhecer está a decisão da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, em relação às acções do BPI. Isto porque, apesar de todas as informações prestadas, os títulos continuam suspensos. Já o BCP está em forte queda, descontando a incerteza no sector e o fim da possibilidade de Isabel dos Santos entrar no capital do banco. As acções seguem a perder 7,22% para 3,47 cêntimos. 


NotaA notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.
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