Mercados Cinco gráficos que mostram como a China está a abalar os mercados mundiais

Cinco gráficos que mostram como a China está a abalar os mercados mundiais

As primeiras sessões de 2016 estão a ser marcadas pelos receios em torno da China. A tónica é de perdas para quase todos os activos. Mas também há quem sirva de refúgio à turbulência.
Cinco gráficos que mostram como a China está a abalar os mercados mundiais
Reuters
Raquel Godinho 07 de janeiro de 2016 às 16:00

Cinco meses depois, as preocupações com a China voltam a abalar os mercados. Os receios em torno de um abrandamento da segunda maior economia estão a ditar um arranque de ano difícil para a generalidade das classes de activos. O vermelho tem sido a cor predominante nos mercados, apesar das intervenções das autoridades chinesas para acalmar os investidores.

Segunda-feira, na primeira sessão do ano, depois de dados económicos desanimadores, a bolsa chinesa caiu mais de 7%, a queda máxima permitida pelos limites introduzidos pelo regulador. A negociação foi automaticamente interrompida e provocou quedas nos principais mercados accionistas mundiais. O mesmo aconteceu esta quinta-feira: a negociação voltou a ser suspensa após uma queda de 7% em apenas 30 minutos.


Para o pessimismo em torno da China contribuíram ainda as declarações de George Soros. O conhecido investidor aconselhou, esta quinta-feira, os investidores a terem cautela com a actual situação dos mercados. E identificou semelhanças com o que aconteceu em 2008, após o colapso do Lehman Brothers.


"A China enfrenta um enorme problema de ajustamento. Diria que estamos numa crise. Quando olho para os mercados financeiros vejo um sério desafio que me faz lembrar a crise que tivemos em 2008", afirmou o conhecido investidor e um dos homens mais ricos do mundo, de acordo com a Bloomberg.


Desde o início do ano, a bolsa de Xangai desvaloriza 11,7%, enquanto o índice CSI-300 deprecia também quase 12%. Já o yuan está a negociar em mínimos de cinco anos. Mas as preocupações dos investidores não são restritas à China e estão a arrastar quase todos os activos.

Veja os cinco gráficos que demonstra o impacto da crise da China nos mercados mundiais.

Bolsas europeias com pior arranque de ano de sempre



6,47%. É quanto cai o Stoxx 600, o índice de referência da Europa, desde o início de 2016. Este tem sido o pior arranque de ano de sempre, segundo os dados da Bloomberg. Contudo, há alguns mercados que se têm destacado pela negativa. É o caso do alemão, com o índice Dax-30 a descer mais de 8%, e lidera as perdas entre os principais mercados do Velho Continente, ao ser um dos mercados com mais cotadas expostas à China. O português PSI-20 desce quase 5%, este ano. Mas os Estados Unidos não têm escapado às quedas e registam o pior arranque de ano desde 2008, ano marcado pelo colapso do Lehman Brothers. Os três principais índices caem cerca de 3%, desde o início do ano, o que ainda não inclui a sessão desta quinta-feira.


Petróleo cada vez mais perto dos 30 dólares



2015 foi um ano de fortes quedas para o petróleo, em ambos os mercados de referência. A desvalorização rondou os 30%. E as primeiras sessões de 2016 também não têm sido fáceis para o "ouro negro". Os dados da Bloomberg demonstram também que este é o pior arranque de ano de sempre para o petróleo que está a negociar nos valores mais baixos em 11 anos. Esta quinta-feira, o West Texas Intermediate (WTI), negociado em Nova Iorque, cede 3,53% para os 32,79 dólares por barril, enquanto o Brent, que serve de referência às importações europeias, recua 3,28% para os 33,06 dólares por barril. As quedas acumuladas desde o início de 2016 superam os 11%, em ambos os casos. Apesar da tensão no Médio Oriente, entre a Arábia Saudita e o Irão, os preços do petróleo têm sido mais afectados pelos receios de um excesso de oferta no mercado bem como pelas preocupações de um abrandamento na China, um dos maiores consumidores a nível mundial.


Matérias-primas em mínimos de 1999


Não é só o petróleo que tem sido afectado pela incerteza em torno da China. É que este país é um dos principais consumidores mundiais de muitas matérias-primas e os receios em torno do seu abrandamento faz temer consequências na procura. Um sentimento que tem contribuído para a tónica negativa desta classe de activos. Além disso, "da perspectiva da China, o crude e outras matérias-primas vão ficar mais caras enquanto o yuan enfraquece [a moeda chinesa está em mínimos de cinco anos face ao dólar]", explica à Bloomberg Hong Sung Ki, analista da Samsung Futures. O índice de matérias-primas da Bloomberg, composto por 22 "commodities", cai 0,7% e está mesmo a negociar em mínimos de 1999. Por matéria-prima, o paládio desce mais de 12%, em 2016, liderando as perdas nesta classe de activos.


Moedas da Austrália e Nova Zelândia em mínimos


2016 ainda agora começou mas ficará marcado como o pior arranque de sempre em alguns investimentos. É o caso do dólar australiano que acumula a maior queda em três décadas. Além desta moeda, também o dólar da Nova Zelândia e o dólar canadiano têm estado entre os mais afectados pela crise na China. A desvalorização do yuan, em mínimos de cinco anos face ao dólar, terá impacto nas economias dos seus principais parceiros comerciais, o que justifica as perdas das divisas da Austrália e Nova Zelândia. O dólar australiano cede 4,12%, desde o início do ano, face ao dólar norte-americano, ao passo que o dólar da Nova Zelândia recua mais de 3%. O primeiro está em mínimos de Outubro e o último no valor mais baixo do último mês.


Ouro volta a ser refúgio dos investidores


O ouro caiu, em 2015, pelo terceiro ano consecutivo, depois de 12 anos de ganhos. As perspectivas dos analistas para 2016 não eram muito animadoras, uma vez que defendiam que a valorização do dólar e a subida dos juros nos Estados Unidos continuaram a retirar atractividade ao metal precioso. Contudo, nestes primeiros dias do ano, e reflexo da turbulência que se vive nos mercados financeiros, o ouro tem servido como activo de refúgio para os investidores. O metal está a subir há quatro dias consecutivos, avança mais de 3,5%. Esta quinta-feira, segue a valorizar 0,85% para os 1.103 dólares por onça, o valor mais elevado em dois meses.




pub

Marketing Automation certified by E-GOI