Mercados Clientes do Deutsche Bank podem apostar na morte de pessoas idosas

Clientes do Deutsche Bank podem apostar na morte de pessoas idosas

O produto chama-se DB Life Kompass 3 e permite que se invista em apólices de seguros de vida de norte-americanos na terceira idade. Se morrerem prematuramente, quem ganha é o investidor.
Carla Pedro 07 de fevereiro de 2012 às 14:12
Há alguns anos que o Deutsche Bank tem disponível o produto DB Life Kompass, baseado em apólices de seguro de vida, que permite aos clientes do banco alemão apostarem indirectamente na esperança de vida de pessoas da terceira idade. Agora, o jornal “Frankfurter Allgemeine” trouxe de novo para a ribalta esta modalidade de investimento.

Segundo o jornal alemão, um advogado de Hamburgo, Tilman Langer, solicitou ao provedor da Associação Federal de Bancos Alemães (DBD), que se pronunciasse sobre este caso, que tem criado polémica no país. Acontece que provedor diz que deve ser um tribunal a determinar se este produto, que qualifica como “dificilmente compatível com a dignidade humana”, se reveste de algum tipo de ilegalidade.

Já o presidente da Associação de Seguros de Vida da Alemanha, Christian Seidl, considera que “não se deve criar controvérsias com este tipo de fundos, reduzindo-os a uma aposta sobre a morte”.

“O modelo de negócio do referido fundo é, na nossa opinião, moralmente aceitável. Se assim não fosse, poderíamos inferir que qualquer companhia de seguros de pensões beneficia da morte precoce dos seus segurados”, sublinhou, citado pelo “El Mundo”.

E como é que o produto do Deutsche Bank funciona? O banco compra apólices de seguros de vida de norte-americanos e assume a responsabilidade pelo pagamento dos seus futuros prémios. Quando o segurado morre, o dinheiro da apólice vai para o fundo do Deutsche Bank. São escolhidos norte-americanos com idades compreendidas entre os 70 e os 90 anos. Se as pessoas de referência viverem muito tempo, ganha o banco. Se morrerem prematuramente, ganha o investidor.

Nas duas emissões lançadas até agora, os investimentos rondaram os 200 milhões de euros, refere o “El Mundo”.

Uma das críticas feitas pelos investidores, já referida pelo “Der Spiegel” há três anos – aquando do lançamento do primeiro produto pelo Deutsche Bank –, é que o banco alemão parece basear-se em tabelas de esperança de vida que já estão obsoletas e que prejudicam os investidores – “que estão a descobrir que os norte-americanos não estão a morrer tão depressa como esperavam”.



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