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CMVM: Financiamento pelo mercado será cada vez mais imperativo

"O financiamento pelo mercado é, e será cada vez mais, uma oportunidade atrativa e um imperativo para a economia", defendeu Gabriela Figueiredo Dias.

Mariline Alves
Lusa 27 de Junho de 2019 às 17:18
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A presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Gabriela Figueiredo Dias, afirmou que o financiamento pelo mercado de capitais será cada vez mais uma oportunidade atrativa e um imperativo para a economia nacional.

"É nossa convicção, como regulador e supervisor empenhado na dinamização do mercado, mas também como observador atento das dinâmicas e necessidades nacionais e internacionais, que o financiamento pelo mercado é, e será cada vez mais, uma oportunidade atrativa e um imperativo para a economia portuguesa", afirmou hoje Gabriela Figueiredo Dias, no discurso que fez conferência dos 30 anos da Revista Exame, e que foi enviado à imprensa.

A presidente do Conselho de Administração da CMVM referiu que, em Portugal, multiplicam-se empresas, de todas as dimensões, que são "exemplos de boa gestão, de inovação, de adoção de práticas sustentáveis e responsáveis, e que estão preparadas para vingarem em qualquer mercado".

Gabriela Figueiredo Dias sublinhou que a entrada no mercado constitui uma "grande oportunidade" para algumas das empresas portuguesas e que existe um movimento nesse sentido já a "esboçar-se".

"Devemos, todos nós, considerar e incentivar [esse movimento], sem preconceitos quanto à dimensão das empresas, à sua estrutura de capital ou aos respetivos modelos ou setores de negócio", afirmou.

Para a presidente do regulador do mercado português, "uma economia sem mercado será sempre uma economia frágil e exposta, e um mercado sem empresas dinâmicas que a ele recorram será sempre um mercado ineficaz na sua vocação de criação de riqueza e bem-estar".

Na sua intervenção, a presidente da CMVM antecipou também que "a evolução para processos automatizados com base em formatos digitais cria oportunidades para uma transição futura para uma supervisão assente em inteligência artificial".

Gabriela Figueiredo Dias recordou que a supervisão está já a beneficiar de modelos de risco mais sofisticados, "alimentados por quantidades massivas de informação, que permitem análises mais robustas e tempestivas", adiantando que existe potencial para que a tecnologia permita uma "redução relevante do peso do reporte de informação sobre as empresas e intermediários".

Considerando que "é seguro afirmar que vivemos uma revolução financeira", a presidente da CMVM afirmou que as FinTech "estão já a desafiar os modelos tradicionais das atividades financeiras e de supervisão, nomeadamente introduzindo a automatização e a robotização nos mercados e uma rapidez e capacidade de processamento impensáveis há poucos anos".

No entender de Gabriela Figueiredo Dias, as instituições financeiras e as respetivas autoridades de supervisão devem desenvolver novas abordagens analíticas e de supervisão, "incluindo as baseadas em análises de cenários prospetivos e testes de stress".

A CMVM divulgou ontem que proferiu decisão em 63 processos de contraordenação em 2018, mais do dobro do registado no ano anterior, e "o maior número de decisões em processos de contraordenação desde 2006", tendo sido aplicadas 39 coimas num total de 2,17 milhões de euros.
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