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CMVM obriga Camargo a lançar OPA concorrente ou retirar proposta de fusão (act)

A CMVM decidiu abrir um processo administrativo à Camargo Corrêa, que representa um revés na estratégia desta empresa para a Cimpor. Agora a Camargo tem duas hipóteses: ou lança uma OPA concorrente à da CSN, ou abandona o projecto de fusão. E 10 dias para decidir o que fazer.

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(actualiza com comunicado da CMVM)

A CMVM decidiu abrir um processo administrativo à Camargo Corrêa, que representa um revés na estratégia desta empresa para a Cimpor. Agora a Camargo tem duas hipóteses: ou lança uma OPA concorrente à da CSN, ou abandona o projecto de fusão. E 10 dias para decidir o que fazer.

Em comunicado a CMVM informa que deu início a um “procedimento administrativo” que obriga a Camargo a adequar a sua proposta de fusão ao Código dos Valores Mobiliários , no que diz respeito ao artigo 185, ou então a retira-la.

Deste modo, caso mantenha o interesse na Cimpor, a Camargo tem que reformular a sua estratégia de alternativa à oferta da CSN, para ser concorrente da OPA da sua congénere brasileira. Assim, ou a Camargo deixa a cair a sua proposta de fusão sobre a Cimpor, ou avança com uma oferta pública de aquisição, que será concorrente à da CSN, tendo por isso que ser pelo menos 2% superior. Ou seja, 5,865 euros.

A Camargo tem agora 10 dias para decidir o que fazer, sendo que a CMVM deixa já o aviso: se deixar cair a proposta de fusão, o regulador obriga a que a Camargo “se abstenha de a publicitar ou divulgar e de praticar quaisquer actos com ela relacionados, para além da comunicação referente a essa retirada”. Esta decisão da CMVM vem ao encontro do solicitado pela CSN, que pediu ao regulador que “adopte os procedimentos necessários com vista a repor o normal funcionamento dos mercados que considera afectado pela divulgação da proposta da Camargo Corrêa”.

A CSN entende que a Camargo está a tentar obter o controlo da Cimpor sem lançar uma OPA e solicitou por isso uma intervenção do regulador, que acabou por lhe ser favorável.

A CSN, apesar de estar “obrigada” a subir o preço da OPA para esta ter possibilidades de sucesso (na Bolsa a Cimpor negoceia mais de 10% acima do preço da OPA), conseguiu uma primeira vitória, uma vez que pode assim ver afastada uma rival na corrida à Cimpor.

A proposta da Camargo, ao contrário da oferta em dinheiro da CSN, propõe uma fusão da sua unidade de cimentos com a Cimpor e a distribuição de um dividendo extraordinário aos accionistas de 350 milhões de euros, ficando a empresa brasileira com menos de 50% do capital.

A Camargo avançou com a proposta de fusão a 13 de Janeiro e logo de seguida a CMVM pediu esclarecimentos sobre a proposta, solicitando que esta esclarecesse o porquê de dizer que a proposta não era vinculativa e sobre o facto da proposta estar subordinada à aquisição de entre 15 e 35% do capital da Cimpor. A Camargo respondeu que a sua proposta era “firme e séria”.
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