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Comportamento negativo da Impresa deverá prolongar-se com audiências

O comportamento negativo da Impresa deverá prolongar-se num contexto de fracas audiências que levou a empresa a cair ontem mais de 6%, fazendo «claramente underperformance» face ao sector europeu que subiu 0,1%, consideram os analistas do Millennium bcp.

Ana Filipa Rego arego@negocios.pt 07 de Julho de 2005 às 17:46
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O comportamento negativo da Impresa deverá prolongar-se num contexto de fracas audiências que levou a empresa a cair ontem mais de 6%, fazendo «claramente underperformance» face ao sector europeu que subiu 0,1%, consideram os analistas do Millennium bcp.

A Impresa deslizou ontem mais de 6%, cai há quatro sessões consecutivas e é já a segunda empresa com pior desempenho no PSI-20, com uma desvalorização anual de 17,8%, contra ganhos de 10,3% do sector. Hoje fechou a perder 1,24% para os 4,77 euros, mas chegou a cair mais de 3%.

Os analistas do Millennium bcp, que têm uma recomendação de «compra» e um preço-alvo de 6,95 euros para a Impresa, afirmam que as principais justificações «prendem-se com os resultados das audiências, que têm vindo a deteriorar-se nos principais «slots» diários (‘prime time’ a ‘access to prime-time’), não existindo razões para acreditar numa inversão desta tendência no curto/médio prazo».

Neste contexto, explicam que, no caso da SIC, os «slots» em causa são em boa parte preenchidos por conteúdos da TV Globo, os quais são customizados para os consumidores brasileiros, «pelo que a capacidade de adaptação destes conteúdos às flutuações dos gostos dos consumidores portugueses é reduzida, ao contrário do que se passa com as novelas nacionais da TVI»

Esta falta de capacidade de customização por parte da SIC tem no entanto uma contrapartida do lado dos custos, já que os conteúdos da Globo são francamente mais baratos que os da TVI, no que diz respeito a novelas.

Desempenho macro-económico português «fraco» e queda do euro também condiciona negativamente evolução da empresa

Outros aspectos a condicionar negativamente a evolução da cotação compreendem o «fraco» desempenho macro-económico em Portugal, que (na opinião dos especialistas) poderá «limitar» o investimento publicitário, e a depreciação do euro face ao dólar.

Segundo o Millennium bcp, a desvalorização do euro face ao dólar «penaliza os custos de programação da SIC, dos quais cerca de 40% são denominados na moeda norte-americana, derivando sobretudo do acordo que a SIC tem para a aquisição de conteúdos da brasileira TV Globo».

A mesma fonte acrescenta que, no caso da TVI, somente cerca de 8% dos custos de programação estão denominados em dólares.

«Dado este ambiente, obviamente, a probabilidade dos números não atingirem os objectivos tem vindo a aumentar, nomeadamente no segmento de televisão», concluem os analistas.

Impresa perde 17,8% e media Capital valoriza 23,7% desde o início do ano

O comportamento da Impresa contrasta com o sector a nível europeu mas também e principalmente com a rival Media Capital que é já a segunda empresa com um melhor desempenho no PSI-20 com uma valorização de 23,7%. A empresa - à excepção da sessão de hoje em que quase todos os sectores caíram fechou a perder 2,60% - deslizou em apenas uma das últimas nove sessões, tendo renovado sucessivamente máximos.

Esta empresa tem beneficiado da liderança nas audiências e de especulação de novos investidores. Existem rumores de que a RTL (que controla 11,5% do capital) ou a Mediaset poderiam estar interessadas em controlar a empresa e, segundo dados da Marktest, a TVI liderou as audiências de televisão diárias com uma média de 28,7% no primeiro semestre, ultrapassando assim a SIC. No «prime time» a estação de televisão controlada pela Media Capital manteve-se líder, mas registou um decréscimo de audiências.

«Esta empresa tem um bom "background" e há a possibilidade da entrada de um investidor forte», explicaram operadores contactados pelo Jornal de Negócios Online.

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