Mercados Consultores-robô disputam investidores ricos com Wall Street

Consultores-robô disputam investidores ricos com Wall Street

O Citigroup duvida que os seus clientes mais abastados troquem gestores bem pagos por investimentos automatizados. A Betterment aposta que o banco está errado.
Consultores-robô disputam investidores ricos com Wall Street
Reuters
Bloomberg 27 de maio de 2017 às 17:00

O consultor-robô — líder entre as startups de consultoria digital independente que surgiram após o colapso financeiro de 2008 — está mais actualizado. A mudança na estratégia de marketing e publicidade visa atrair clientes mais endinheirados, que só agora estão a aperceber-se da sua existência.

 

Não é coincidência que a Betterment esteja a aumentar a sua presença numa altura em que intervenientes mais tradicionais – como o Vanguard Group, a Charles Schwab e até o JPMorgan Chase – começam a usar mais tecnologia para oferecer recomendações de investimento. Com efeito, o mercado de consultores-robôs está prestes a expandir-se e a Betterment quer uma parte.

 

"São decisões fundamentais sobre quem somos como empresa", disse o fundador e CEO Jon Stein. "Já estamos a atrair muitos clientes abastados, mas acho que a nossa voz — quando falamos com esses clientes — tem de mostrar que estamos estabelecidos".

 

No final do ano passado, o Citigroup — que investiu na Betterment através do seu braço de capital de risco — enviou um relatório a clientes expressando cepticismo em relação a quanto poderia chegar o volume de activos de indivíduos mais ricos aconselhados por consultores-robôs. "Investidores com maior património líquido ou mais sofisticados, a nosso ver, exigem sempre conselhos presencialmente", escreveram os analistas do Citi, liderados por Ronit Ghose.

 

Mas a Betterment tem uma visão oposta e explica que já tem diversos clientes com mais de 10 milhões de dólares sob gestão em cada um. Além da cara nova, a empresa está a pensar dar acesso a produtos mais exclusivos. "As pessoas querem acesso a alternativas e vemos procura para isso entre os mais abastados", disse Stein.

 

Em Wall Street, alguns já estão de olho nesse segmento. Embora o presidente do JPMorgan, Jamie Dimon, não tenha revelado quanto gastou para desenvolver o seu consultor-robô, afirmou que o banco destinou praticamente 600 milhões de dólares a "soluções emergentes de tecnologia financeira" e que essa tecnologia é parte extremamente importante das estratégias futuras da instituição.

 

Para a Betterment, foi a segunda grande mudança em 2017. No começo do ano, a empresa introduziu uma nova estrutura de comissões e contratou mais consultores certificados, também na tentativa de atrair clientes ricos e jovens que precisarão de tomar importantes decisões financeiras nos próximos 5 a 10 anos, como a compra da casa própria.

 

Apesar de os indivíduos ricos serem uma parte importante neste novo esforço da Betterment, a empresa diz que a sua missão continua a ser captar pessoas de todo o espectro financeiro.

 

"Olhamos para todas as faixas etárias e de rendimentos", explicou Elyssa Gray, vice-presidente de marca da Betterment. "Independentemente do nível de experiência ou quantia em dinheiro, existem diversos denominadores comuns quando se trata de serviços financeiros".

 

Um passo crucial foi eliminar jargões financeiros que, segundo a companhia, irritam alguns clientes. "Ouvimos repetidas vezes que eles querem que nós comecemos a conversar como uma pessoa normal", comentou por seu lado Sarah Kaufman, directora de marca e conteúdo. "O foco é a narrativa, não só o design".




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