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Covid-19 não tirou o apetite por novas oportunidades de negócio

Um inquérito realizado pela Mazars mostra que quase três quartos dos investidores globais continuam à procura de novos negócios, mesmo que não prevejam que a situação económica volte ao normal este ano.

Reuters
Negócios jng@negocios.pt 29 de Junho de 2020 às 11:30
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A maioria dos investidores globais continua à procura de oportunidades de negócio, apesar da expectativa de quebra de receitas e de um regresso ao normal apenas em 2021. Esta é a conclusão de um inquérito realizado pela empresa francesa de auditoria e consultoria Mazars, sobre o impacto que a covid-19 está a ter nas estratégias de quem investe. 

"Os resultados do inquérito revelam que os investidores estão abertos ao negócio, mas que os tempos ainda são desafiantes. Ao mesmo tempo que aparentemente as saídas serão adiadas, muitos dos fundos existentes têm alta liquidez e continuam à procura de novos negócios e 'bolt-ons' para as 'platform companies'", refere Stéphane Pithois, diretor da Mazars.

 

Acrescenta que "à medida que o mundo dos negócios volta lentamente ao trabalho, é tranquilizador observar uma clara noção de otimismo e resiliência dos fundos de capital de risco".

Mesmo com o impacto financeiro que a atual pandemia está a provocar, 44% dos inquiridos afirma que ainda não vislumbrou oportunidades na crise, "o que é provavelmente um indicador do modo como as iniciativas governamentais estão a ajudar a prevenir que os negócios procurem medidas de insolvência a curto prazo", refere o estudo.

Dois terços dos inquiridos (66%) afirmam que estariam interessados em oportunidades de crise, indicando que os investidores estão dispostos a olhar para além dos seus critérios habituais no atual ambiente ou encorajaram as suas empresas de portfólio a serem oportunistas na sua estratégia de aquisição.

"Olhando para o futuro, é provável que haja uma maior competição por ativos de qualidade e uma possível desaceleração em termos do fluxo de negócio. Os investidores que se conseguirem diferenciar e mover-se rapidamente posicionam-se para ganhar a vantagem", refere Pithois.

 

O inquérito "Covid-19 and the world of private equity" foi realizado a mais de 150 investidores na Europa, América e Ásia e conclui ainda que a maioria dos inquiridos (88%) considera que o trabalho a partir de casa permite concretizar os negócios, indicando uma boa adaptação ao novo ambiente laboral. Ainda assim, 74% dos participantes mostra que o desafio é maior. 

O estudo revela que 50% dos inquiridos espera uma descida entre os 11% e os 25% nas receitas das empresas que fazem parte do seu portefólio nos próximos 12 meses e quase um quarto (22%) antecipa uma quebra entre os 26% e os 50%, durante o mesmo período.

Contudo, os fundos de investimento de maior dimensão são os mais otimistas, uma vez que quase metade respondeu que espera uma quebra abaixo dos 10%.

Quando questionados sobre a perspetiva de regresso à normalidade, apenas um em cada cinco dos inquiridos (22%) aponta o terceiro trimestre de 2020, enquanto 14% prevê que tal aconteça no quarto trimestre e 61% revelou-se mais cauteloso, afirmando esperar melhoras em 2021.

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