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Cristina Casalinho: "As agências de rating perderam o impacto"

A economista-chefe do BPI, Cristina Casalinho, desvalorizou hoje a ameaça de descida do rating português pela Moody"s, notando que não houve uma subida significativa dos juros da dívida pública nacional.

Lusa 21 de Dezembro de 2010 às 13:16
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Em declarações à Agência Lusa, no dia em que a agência de notação financeira Moody's anunciou ter posto em revisão o ‘rating’ da dívida de Portugal, com vista a um possível corte de um ou dois níveis, Cristina Casalinho disse que "as agência de rating perderam impacto".

"O que é positivo é que apesar do anúncio, não aconteceu nada de material aos 'spreads' pagos pela dívida irlandesa, e hoje aconteceu a mesma coisa em Portugal", disse a economista, lembrando que "a Irlanda também teve a queda dos ‘ratings’" sem terem sido notadas consequências diretas no custo que os investidores exigem para comprar dívida pública.

As agências de rating, afirma, "têm sido muito mais reativas ao comportamento do mercado", uma vez que "o mercado sobe as taxas de juro e depois a avaliação das agências de rating é que é cada vez mais difícil ao Governo português cumprir as suas responsabilidades para com os credores, na medida em que as perspetivas de crescimento da economia são modestas".

Apesar da desvalorização do poder das agências de rating, o panorama económico português permanece sombrio: "Se a economia contrai e as taxas de juro continuam elevadas, significa que vamos ter recessão, o que dificulta a capacidade de pagamento da dívida que passa a ter uma dinâmica que não é sustentável. Assim, vamos ter uma dinâmica imparável de crescimento da dívida, o que coloca problemas no pagamento a prazo".

O problema, conclui, é que, "a prazo, mesmo que tenhamos uma política fiscal absolutamente exemplar, se não tivermos crescimento [económico], a dívida vai continuar a crescer. O problema de dívida não se resolve exclusivamente com consolidação" orçamental.

Portugal tem atualmente um 'rating' de A1, sendo que caso de materialize o corte mais agressivo, Portugal passará a ter uma avaliação de A3, refere a Moody’s em comunicado.

São três as preocupações que levaram a agência de notação financeira a ameaçar cortar o 'rating' da República portuguesa: vitalidade da economia, a capacidade de acesso aos mercados financeiros e a possível necessidade de apoio ao setor financeiro.

A primeira das preocupações identificadas pela Moody’s diz respeito às “incertezas quanto à vitalidade da economia portuguesa no longo prazo, que podem ser exacerbadas pelo impacto da austeridade orçamental”.

O fraco crescimento económico, devido sobretudo à frágil procura interna, é motivo de preocupação, segundo a Moody’s, acrescentando que “além disso, as pressões deflacionistas em resultado da consolidação orçamental e da desalavancagem da banca, colocam pressão adicional no crescimento do PIB”.

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