Bolsa CTT afundam mais de 11% para novo mínimo histórico

CTT afundam mais de 11% para novo mínimo histórico

As acções dos CTT afundam mais de 11%, a reflectir a redução de estimativas que a empresa fez na sexta-feira. Nunca os títulos valeram tão pouco.
CTT afundam mais de 11% para novo mínimo histórico
Miguel Baltazar
Sara Antunes 30 de janeiro de 2017 às 08:29

Os CTT estão a descer 11,14% para 5,342 euros, tendo já negociado nos 5,318 euros esta segunda-feira, 30 de Janeiro. Este é o valor mais baixo desde que as acções da empresa liderada por Francisco Lacerda negoceiam em bolsa.

 

A justificar a descida pronunciada dos títulos estará a revisão de estimativas divulgada pela empresa na última sexta-feira. Os CTT estimam que a redução de 4,2% do correio no quarto trimestre implique uma redução entre "4% e 5% nos rendimentos operacionais de 2016", de acordo com um comunicado enviado para a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

 

A previsão anterior apontava para uma descida do correio próxima de 3%, mas os feriados que ocorreram no final do ano levou a que a queda fosse superior. Por outro lado, as "iniciativas de crescimento de receita", que teriam um "impacto limitado", não terão qualquer impacto nos rendimentos em 2016.

 

No último comunicado sobre as estimativas da empresa para 2016, os dados apontavam para que a meta de EBITDA traçada fosse "difícil de atingir", contudo o "forte desempenho do terceiro trimestre" constituía uma "base sólida" para o segundo semestre do ano. No entanto, os dados do último trimestre levaram a uma deterioração desta perspectiva. E a empresa antecipa agora uma queda "de 4% a 7% no EBITDA recorrente do ano 2016 (excluindo Banco CTT)", acrescenta a mesma fonte.

 

"Apesar desta actualização, a administração reafirma que poderá propor um dividendo mínimo de 0,48 euros por acção para 2016, pagável em 2017", adianta o comunicado. Este valor corresponde a um crescimento de 2,1% face a 2015.

 

Estas revisões já geraram reacções dos analistas. O JPMorgan cortou a avaliação dos CTT em mais de 30%, ou quase 3,0 euros, com o banco de investimento a estabelecer um preço-alvo de 6,05 euros. A recomendação também foi reduzida para  "underweight".

Já os analistas do CaixaBI realçam que se trata "de um desenvolvimento negativo para os CTT. De facto, as alterações em causa indicam um desempenho inferior ao anteriormente esperado para o ano de 2016, com implicações ao nível da rentabilidade. Adicionalmente, recordamos ainda que esta é a segunda revisão feita pelos CTT ao seu ‘guidance’ inicial para este exercício, depois de a empresa ter anunciado uma anterior revisão em Agosto de 2016 (no âmbito da apresentação de resultados do segundo trimestre)".

"Isto é, obviamente, negativo e a evolução dos volumes de correio no segundo semestre foram especialmente desapontantes", o que conjugado com menos correio registado "levou a uma queda maior das receitas de correio", realça o Haitong.

 

"Depois deste ‘profit warning’ temos dúvidas de que os investidores continuem a dar o benefício da dúvida aos CTT", salienta o analista Nuno Estácio, do Haitong. "Precisamos de rever os nossos números e a nossa estimativa de EBITDA pode descer cerca de 6% a 7%", depois de incorporar os dados divulgados.

 

O analista adianta ainda que considera que os CTT continuam a negociar sem ser em "múltiplos caros", e ainda que se admita que "não haja grandes razões para alterar a avaliação [dos CTT] no curto-prazo" realça que as "acções têm estado fracas nos últimos meses e, por isso, acreditamos que estas más notícias já estão parcialmente incorporadas" no valor das acções.

 

O Haitong decidiu colocar a acção "sob revisão" de forma a reflectir na sua avaliação os novos dados. 


(Notícia actualizada às 9:21 com mais reacções)




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