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CTT: a "menina bonita" da bolsa perdeu a graça?

A empresa de correios baixou os 5,52 euros a que as acções foram vendidas na OPV e já desce mais de 22% desde a apresentação dos resultados, no passado mês de Agosto.

Francisco Lacerda, presidente dos CTT.
Pedro Elias
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 10 de Outubro de 2016 às 16:13
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A dois meses de completar três anos na bolsa de Lisboa, os CTT quebraram o valor a que as acções foram vendidas na operação pública de venda (OPV), abaixo dos 5,52 euros. O agravamento da percepção de risco do país, associado aos receios em relação à execução da empresa devido ao Banco CTT tem determinado as quedas em bolsa. E a pressão vendedora, dizem os analistas, poderá manter-se.

Tal como tem acontecido nas últimas semanas, os CTT voltaram a fixar novos mínimos. Desta vez, abaixo do preço da OPV, em 5,511 euros, depois de ter chegado a cair um máximo de 0,92% durante a manhã. Nos quase três anos que já leva em bolsa, apenas por uma vez a companhia negociou num valor mais baixo, quando tocou em 5,51 euros, na sessão de 6 de Dezembro de 2013.

Considerada a "menina bonita" da bolsa portuguesa, uma vez que mantinha uma tendência de subida desde a estreia em bolsa, a empresa de correios tem estado sob pressão desde que divulgou uma quebra de 19% dos seus resultados trimestrais, a 4 de Agosto. Neste período, a companhia liderada por Francisco Lacerda afunda 22,6%.

"O título estará penalizado pelo receio de que o grupo poderá não conseguir entregar os ‘targets’ definidos no Dia do Investidor, no passado mês de Novembro de 2015", explica a equipa de "research" do BiG. "Tivemos no último trimestre uma revisão em baixa do ‘guidance’, um sinal que não vão conseguir cumprir as metas para este ano ao nível do target para o EBITDA recorrente", acrescenta o analista Artur Amaro.

Para o analista do CaixaBI, existe agora "um maior risco de execução em virtude do projecto da banca", algo que não pesava na actividade antes. "O banco é agora uma realidade mas que começou a pesar em estrutura de custo. Só em 2018 é que é suposto ter um ‘break even’", remata. "Este desempenho está relacionado com a investigação da Autoridade da Concorrência, com a entrada no negócio bancário, assim como receios de que os resultados operacionais do negócio ‘core’ sejam menores", sintetiza Pedro Lino, administrador da Dif Broker.

"Nos últimos trimestres os resultados dos CTT desceram e ficaram aquém das expectativas, as recomendações por parte das casas financeiras foram revistas em baixo, a distribuição de encomendas postais tem muitos concorrentes mais eficientes, o negócio tradicional dos CTT  entrou em declínio e, como se não bastasse, o recém-criado Banco Postal ainda não gera lucros e é lançado numa altura em que o sector bancário tem estado bastante pressionado a nível mundial, e muito notoriamente em Portugal", explica Paulo Rosa, economista do Banco Carregosa.

Mas, mais do que as preocupações em relação à actividade do banco, é a elevada exposição da empresa ao risco de Portugal que está, na opinião dos analistas, a penalizar o desempenho dos títulos. Num momento em que os juros de Portugal negoceiam acima de 3,5%, máximos de quase oito meses, e se aproxima a data para a divulgação do Orçamento para 2017 e para uma potencial revisão de "rating" do país por parte da agência canadiana DBRS, a empresa de correios deverá continuar a ser pressionada pela evolução do prémio de risco nacional. "Neste momento, às actuais cotações, o risco Portugal é consideravelmente maior que o risco CTT", destaca o economista do Banco Carregosa.

"Portugal é percepcionado com um risco maior do que há uns meses e 99% da exposição dos resultados dos CTT é ao mercado português", acrescenta o analista do CaixaBI. Também o BiG refere que o agravamento dos juros de Portugal "poderá ser um factor adicional que penaliza a evolução do título". A par de todos estes factores de pressão, Artur Amaro junta mais um: "Desde o IPO a empresa só conhecia um sentido, que era o da subida". É, por isso, natural uma correcção, sobretudo num momento de queda nos mercados.

Ainda que os analistas mantenham uma visão positiva para os títulos, sobretudo nos níveis actuais, as acções poderão manter-se sob pressão. "A actual tendência deprimida do título poderá persistir no curto prazo", aponta o BiG, acrescentando, no entanto, que "o título poderá reagir positivamente à divulgação de bons números trimestrais, nomeadamente se o grupo entregar mais informações relativamente ao Banco CTT".

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