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As empresas farmacêuticas são das menos arriscadas e devem ser incluídas numa carteira de títulos diversificada

Deco Proteste 10 de Dezembro de 2012 às 00:01
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Em 1950, a esperança média de vida à nascença nos países mais desenvolvidos era de 66 anos. Atualmente, esse indicador ultrapassou os 78 anos, segundo as Nações Unidas. Muitas coisas ajudaram ao aumento do número de anos de vida, mas os fármacos tiveram um contributo decisivo. É por isso que o volume de negócios da maioria das companhias farmacêuticas é pouco sensível aos ciclos económicos: só em casos extremos é que as pessoas deixam de comprar os seus medicamentos. É também por isso que as cotações na bolsa das farmacêuticas são mais estáveis. Desde 2000, o setor farmacêutico valorizou, em média 2% por ano, enquanto as ações mundiais deslizaram, em média, 0,6 por cento. Embora recomendemos uma exposição direta ou indireta à indústria farmacêutica, há um risco que é preciso ter em conta: a ameaça dos genéricos. Quando as patentes que lhes dão exclusividade no fabrico expiram, surgem rapidamente alternativas sob a forma de genéricos, mais baratos para o consumidor. Em 2011, a perda pela Pfizer da patente do Lipidor, de combate ao colesterol, foi um marco: era a droga de prescrição médica mais vendida do mundo, responsável por uma faturação de 8100 milhões de euros em 2010. O fim das patentes ameaça as farmacêuticas. Os resultados do segundo trimestre da AstraZeneca, por exemplo, desiludiram em parte devido à perda da licença do Seroquel, para o tratamento da esquizofrenia.

Importância da investigação

O desenvolvimento de novos medicamentos é uma solução para combater a perda de patentes. Porém, muitas farmacêuticas, sobretudo na Europa, têm dificuldade em levar a sua investigação a bom porto. Há alguns meses, a AstraZeneca falhou dois estudos clínicos sobre produtos em desenvolvimento (para o cancro e para a depressão). Neste aspeto, a Novartis é uma exceção: dispõe de uma carteira de produtos em desenvolvimento promissora. O processo de desenvolvimento de um medicamento não é simples, porque exige muitos meios e é um trabalho de longo prazo. Uma grande empresa farmacêutica gasta em média 18 a 19 por cento das suas receitas em investigação e desenvolvimento e podem decorrer 15 anos desde a descoberta de moléculas interessantes, aos exames pré-clínicos, à aprovação pelas autoridades competentes, até à colocação do medicamento no mercado. Logo, uma empresa farmacêutica deve ter uma carteira de desenvolvimento ampla, diversificada e, na medida do possível, inovadora, já que grande parte dos medicamentos em investigação não atingirá a linha de chegada.
Terapia de choque

Perante a ameaça dos genéricos e a dificuldade em desenvolver novos medicamentos, as farmacêuticas foram obrigadas a aplicar uma terapia de choque assente numa forte redução de custos, diversificação geográfica, criação de novas fontes de receitas (vacinas, produtos de venda livre, saúde animal, oftalmologia), reorganização e externalização dos departamentos de investigação visando torná-los mais produtivos, focalização nas doenças mais graves (cancro, doenças do foro neurológico) e personalização dos tratamentos graças à genética e aos diagnósticos. Esta mudança de paradigma na indústria pressionou as cotações na bolsa, que, todavia, beneficiaram do seu caráter mais defensivo para superar a evolução média das bolsas nos últimos anos. A distribuição de dividendos é um trunfo do setor, com destaque para as britânicas AstraZeneca e GlaxoSmithKline, cujos dividendos representam 6,1% e 5,2% das suas cotações, respetivamente.

Aposta nos mercados emergentes

Para sustentar o seu crescimento, as empresas farmacêuticas têm apostado nos países emergentes, onde a procura de cuidados de saúde tem subido. A China, por exemplo, com um crescimento anual estimado superior a 20% até 2015, já é o terceiro mercado farmacêutico mundial, atrás dos Estados Unidos da América e do Japão. A francesa Sanofi lidera entre as grandes farmacêuticas mundiais na expansão para os mercados emergentes: cerca de 30% das suas receitas já são aí. A Eli Lilly estima duplicar o volume de negócios nesses mercados até 2015. A GlaxoSmithKline pretende duplicar as vendas na China e na Índia também até 2015. Contudo, os mercados emergentes são menos rentáveis. Além de alguns perigos, como a heterogeneidade das tradições e as peculiaridades locais, a instabilidade política, a corrupção e a proteção menos favorável das patentes, o setor farmacêutico das economias emergentes é dominado por "genéricos de marca", medicamentos cuja patente expirou e que são vendidos sob a marca de um grupo reconhecido local ou internacionalmente. Embora sejam vendidos um pouco mais caros que o genérico tradicional, o seu preço é muito inferior ao dos produtos patenteados vendidos nos países ocidentais. Além disso, a forte concorrência de empresas locais e entre os próprios gigantes do setor origina uma descida dos preços. No passado, a GlaxoSmithKline reduziu alguns preços em 70% para ganhar quota de mercado. Em contrapartida, o impacto sobre as margens é minimizado por custos mais baixos e pelo facto de os medicamentos vendidos nos países emergentes serem mais antigos e, por isso, pelos seus custos de desenvolvimento já estarem amortizados. Apesar das ameaças, o setor farmacêutico deve ser incluído na sua carteira de ações ou de fundos de ações: a sua volatilidade mais reduzida fará bem à saúde do seu património.

 



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