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DBRS mantém rating de Portugal em três níveis acima de lixo

A agência de rating reiterou a classificação da dívida soberana de longo prazo e manteve a perspetiva estável.

Portugal emitiu certificados ao retalho que tinham indexado parte dos juros ao crescimento do PIB.
Pedro Nunes/Reuters
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 18 de Setembro de 2020 às 21:13
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A agência de notação financeira canadiana DBRS Morningstar decidiu não fazer alterações à dívida soberana de Portugal nem à perspetiva para a sua evolução, reiterando os patamares atuais.

 

O rating da República manteve-se assim em BBB Alto (três níveis acima de lixo), com outlook estável.

 

Mas, no relatório emitido esta noite, a agência deixa alertas, sublinhando que o perfil da qualidade do crédito de Portugal irá depender da duração da crise de covid-19 e se isso irá alterar estruturalmente as perspetivas de crescimento para o médio prazo e se irá debilitar as finanças públicas.

 

"A disrupção na economia portuguesa trazida pela atual crise mundial de saúde foi severa. A economia registou uma contração de 16,3% no segundo trimestre, em termos homólogos, devido à rápida propagação da covid-19 e às subsequentes medidas de confinamento", refere, acrescentando que "a magnitude do choque reflete a natureza da economia portuguesa, que é pequena e aberta, bem como a contribuição do turismo para o PIB".

 

E prossegue: "Há uma elevada incerteza quanto ao cenário futuro, com o ritmo da economia dependente da interação entre a pandemia, as políticas implementadas em Portugal e em todo o mundo, e as possíveis mudanças na procura global dos consumidores".

 

A agência diz que a confirmação do outlook estável resulta de um equilíbrio entre o abrupto choque sanitário e económico e a melhoria de indicadores chave para o rating nos anos anteriores a esta crise.

 

"A economia portuguesa diversificou-se, com maior qualidade das exportações, e viu aumentar o investimento do setor privado", elogia a DBRS no seu relatório, apontando também o facto de a redução da dívida pública face ao PIB ter permitido ao governo dispor de margem de manobra para providenciar estímulos orçamentais temporários para amortecer o impacto do choque da covid na economia.

 

A DBRS recorda que há também um compromisso por parte dos partidos políticos no sentido de reequilibrar as contas assim que a situação melhore.

 

Além disso, "os fundamentais do crédito junto dos maiores bancos portugueses foram reforçados antes da crise da covid-19", diz.

 

A agência recorda ainda que o rating é sustentado igualmente pelo facto de Portugal ser membro da Zona Euro e pertencer à estrutura de governação económica da União Europeia – se bem que as heranças da crise da Zona Euro continuem a contribuir para as vulnerabilidades, nomeadamente o alto endividamento público, o ainda elevado (embora a diminuir) crédito malparado do sistema financeiro e o potencial relativamente baixo de crescimento económico.

 

"Estes problemas herdados da crise do euro poderão ser ainda mais difíceis de gerir se as consequências adversas da atual crise da covid se revelarem duradouras", alerta.

 

Em março passado, aquando da sua outra potencial mexida, a DBRS tinha também decidido ficar-se pelo status quo.

 

Neste momento, a DBRS é a agência que atribui a notação mais elevada a Portugal. A Standard & Poor’s e a Fitch colocam a dívida soberana portuguesa no segundo nível acima de lixo, ao passo que a Moody’s a classifica no primeiro nível acima de "junk" – ou seja, no último grau da categoria de investimento de qualidade.


(notícia atualizada às 22:03)

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