Obrigações DBRS: "A maior preocupação seria um confronto aberto com a Comissão Europeia"

DBRS: "A maior preocupação seria um confronto aberto com a Comissão Europeia"

O responsável pela análise de ratings soberanos da DBRS mostra-se confortável com a notação atribuída a Portugal e realçou que o Governo está disposto a tomar medidas adicionais caso haja sinais de derrapagem orçamental.
DBRS: "A maior preocupação seria um confronto aberto com a Comissão Europeia"
Bloomberg
Rui Barroso 17 de fevereiro de 2016 às 16:18

Fergus McCormick, responsável pela análise de ratings soberanos da DBRS, mostrou-se confortável com as notações atribuídas a países como Espanha, Itália e Portugal. No entanto, no caso português, Fergus McCormick mostrou preocupação com a evolução das taxas de juro nacionais. E revelou que o maior foco de preocupação da DBRS seria se houvesse "um confronto aberto com a Comissão Europeia", algo que considera que não ocorreu durante as negociações do Orçamento do Estado para 2016.

No entanto, o responsável da DBRS mostrou receios de que a volatilidade no mercado, que levou a uma subida das taxas de juro portuguesas, possa comprometer a estabilização da dívida pública. Comparando com Espanha e Itália, McCormick revelou que Portugal "era a maior preocupação" da DBRS.

McCormick observa que os mercados estão a viver o maior "sell-off" desde a crise financeira de 2008 e de 2009 e que há um conjunto de factores que estão a levar ao aumento dos prémios de risco, como o menor crescimento global, as preocupações sobre os mercados emergentes, os riscos políticos e os seus impactos nas políticas orçamentais, o risco de uma saída do Reino Unido da União Europeia e a crise dos refugiados.

No entanto, o responsável da DBRS considera que a reversão de algumas medidas feitas pelo Governo de António Costa também teve impacto negativo na confiança dos investidores. E destacou o facto de os investidores estrangeiros terem um peso elevado no mercado de dívida nacional, o que pode causar mais pressão sobre a dívida nacional. Apesar da subida das taxas, McCormick considera que os actuais valores de mercado são, por agora, geríveis, apesar de causarem preocupação: "A subida da taxa de juro é um risco, mas o grande ponto é saber até que ponto a pressão é ou não persistente".

A DBRS teme que a subida das taxas de juro da dívida portuguesa aumente os custos com o serviço da dívida. E que, em simultâneo, um impacto negativo no crescimento gerado pela volatilidade nos mercados penalize a trajectória de estabilização do rácio de dívida pública sobre o PIB.

cotacao A subida da taxa de juro é um risco, mas o grande ponto é saber até que ponto a pressão é ou não persistente. Fergus McCormick

A rede do BCE e as garantias do Governo

McCormick justificou que mesmo durante o pico da crise de dívida a DBRS manteve o rating de Portugal no grau de investimento por acreditar que o BCE serviria como rede de segurança e concederia liquidez. "E continuamos a acreditar nisso", revelou.

Na análise ao Orçamento do Estado para 2016, McCormick considera que a previsão de crescimento de 1,8% contém riscos e, apesar de notar que Portugal continua a crescer, sublinha que o PIB potencial continua baixo já que o crescimento tem sido feito à custa do consumo e não do investimento.

O responsável considera que os níveis do "défice são relativamente baixos e desde que sejam geríveis não são uma preocupação". Apesar de considerar que a meta de 2,2% é "ambiciosa", revelou que "desde que não haja grandes derrapagens não ficaremos muito preocupados". Até porque, considera, poderá ser necessária alguma "flexibilidade orçamental". McCormik revelou ainda que o Governo se comprometeu a tomar medidas adicionais caso houvesse sinais de derrapagem.

A DBRS é a única das quatro agências de "rating" consideradas pelo BCE que tem a nota portuguesa acima de "lixo", condição essencial para que a dívida portuguesa continue a ser alvo das compras do banco central. 




pub

Marketing Automation certified by E-GOI