Bolsa Descida dos juros das obrigações e boa onda tecnológica animam bolsas dos EUA

Descida dos juros das obrigações e boa onda tecnológica animam bolsas dos EUA

Os juros das obrigações do Tesouro dos EUA continuam em terreno negativo, o que animou as bolsas do outro lado do Atlântico. A boa performance das tecnologias reforçou a tendência.
Descida dos juros das obrigações e boa onda tecnológica animam bolsas dos EUA
Reuters
Carla Pedro 23 de fevereiro de 2018 às 21:28

O Dow Jones encerrou a sessão desta sexta-feira a subir 1,39%, para se fixar nos 25.309,99 pontos, e o Standard & Poor’s 500 acompanhou o movimento, a somar 1,60% para 2.747,30 pontos.

 

O tecnológico Nasdaq Composite foi o que ganhou mais terreno, ao valorizar 1,77%, para 7.337,39 pontos.

 

Depois das ligeiras quedas de terça e quarta-feira (na segunda-feira as bolsas norte-americanas estiveram encerradas em comemoração do nascimento do primeiro presidente do país, George Washington) – devido, respectivamente, à pressão negativa da Walmart e às actas da Fed que apontaram para um reforço da normalização da política monetária –, a sessão de ontem já foi positiva e a de hoje seguiu o mesmo movimento.

 

A contribuir para este bom desempenho esteve sobretudo o facto de os juros das obrigações do Tesouro a 10 anos terem regressado às quedas ontem e hoje – depois de na quarta-feira terem disparado para perto de 3% –, o que ajuda a animar o investimento em acções.

 

O sector tecnológico foi o que deu mais gás a Wall Street, com destaque para a Hewlett Packard Enterprise (HPE), que fechou a disparar 10,41% para 18,14 dólares depois de ter reportado resultados trimestrais acima das expectativas e anunciado um plano para distribuir sete mil milhões de dólares aos accionistas no final do ano fiscal de 2019.

 

Durante a sessão, a HP chegou mesmo a atingir um máximo histórico, nos 18,19 dólares.

 

Recorde-se que a Hewlett-Packard, que opera na alta tecnologia, se dividiu em duas empresas: a HP Inc. e a Hewlett Packard Enterprise – conhecida pela sua abreviatura, HPE. 

 

Os investidores estão também atentos aos discursos dos vários responsáveis da Reserva Federal, à espera de mais luzes sobre o rumo da subida dos juros. No próximo dia 27 será dia de centrar os olhos no novo presidente do banco central, Jerome Powell, que discursa pela primeira vez perante o Congresso.

 

"Neste momento, as pessoas estão a prestar mais atenção aos discursos dos responsáveis da Fed porque Janet Yellen saiu e é Jerome Powell quem está agora com as rédeas", comentou à Reuters um estratega da Charles Schwab em Austin, Randy Frederick.

 

As actas da última reunião da Reserva Federal ficarão na História por este comentário: "uma maioria de participantes indicou que a previsão mais sólida para o crescimento económico aumenta a probabilidade de que seja apropriado conduzir uma política monetária gradual mais firme".

 

Esta frase provocou uma nova subida dos juros das obrigações do Tesouro dos EUA a 10 anos, para 2,956%, tendência que entretanto foi invertida nas duas últimas sessões.

 

Jim Reid, estratega do Deutsche Bank, comentou que o tom 'hawkish' (em referência aos falcões, os banqueiros centrais que apostam numa política monetária mais dura) das actas ocorreu antes da publicação dos dados do emprego e da inflação de Janeiro, "pelo que parece razoável discorrer que se a Fed tinha mais confiança nas suas estimativas para a inflação e o crescimento, estas foram reforçadas com os referidos dados".

 

Já os analistas do Barclays mantêm a sua previsão de que a Fed "subirá quatro vezes os juros em 2018 e 2019", enquanto o Berenbeg diz que "quatro aumentos dos juros em 2018 parecem apropriados e consistentes com o objectivo de normalização gradual da política monetária".

 




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