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Deutsche Bank: BCE tornou-se a maior ameaça à Zona Euro

O Deutsche Bank diz que a política de estímulos é errada e está a levar os países a abandonarem as reformas estruturais. Para o banco alemão, a instituição monetária tornou-se a principal ameaça para a Zona Euro.

REUTERS
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 08 de Junho de 2016 às 15:41
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O Banco Central Europeu anunciou um programa de estímulos histórico para impulsionar a economia europeia. Mas, para o Deutsche Bank as medidas implementadas são um erro. O banco alemão refere mesmo que os estímulos e os juros historicamente baixos estão a desincentivar os países a prosseguir as reformas estruturais e tornaram-se uma ameaça para a Zona Euro.

O BCE cortou a sua taxa directora para zero na última reunião, lançando em simultâneo um programa de compra de dívida inédito. Mas para David Folkerts-Landau, economista-chefe do Deutsche Bank, citado pelo El Economista, "os que vendem essa dívida soberana ao BCE não investiram nem gastaram esse dinheiro, deixaram em depósitos nos seus bancos e esses bancos por sua vez voltaram a depositá-lo no BCE".

O banco alemão argumenta, por isso, que os juros negativos não são suficientes para estimular a economia. E, para o mesmo especialista, os erros do BCE tornaram-se a maior ameaça à Zona Euro a longo prazo.

"Isto parece contraditório, já que o BCE assegurou estar pronto para fazer qualquer coisa pela sobrevivência da Zona Euro, mas ao tentar estimular o crescimento e a inflação com taxas de juro mais baixas e a comprar obrigações, está a acabar com os incentivos às reformas estruturais", explica David Folkerts-Landau. E os riscos estão em todo o lado.

O economista-chefe do Deutsche Bank explica que o crescimento continua anémico, a inflação não recupera, ao mesmo tempo que poucos países estão a implementar medidas reais para reduzir a sua dívida. Para o banco alemão, Itália não seria sustentável sem o programa de compra de activos. "O BCE falha o seu dever de promover a sustentabilidade económica e a estabilidade financeira", remata.

Num momento em que se perspectivam juros extremamente baixos na região por um longo período, o Deutsche Bank argumenta que o BCE devia subir juros, referindo que "os juros positivos são fundamentais para as economias de mercado".

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