Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Discurso de despedida de Jardim Gonçalves do BCP

Jardim Gonçalves renunciou, hoje, à presidência do Conselho Geral e de Supervisão do Millennium bcp. "É tempo de pôr fim à incerteza e marcar um rumo bem definido", afirmou o fundador do maior banco privado nacional no discurso de despedida, onde deixou p

Negócios negocios@negocios.pt 04 de Dezembro de 2007 às 20:44
  • Assine já 1€/1 mês
  • ...

Jardim Gonçalves renunciou, hoje, à presidência do Conselho Geral e de Supervisão do Millennium bcp. "É tempo de pôr fim à incerteza e marcar um rumo bem definido", afirmou o fundador do maior banco privado nacional no discurso de despedida, onde deixou palavras de gratidão para todos "aqueles que de uma forma ou de outra me acompanharam neste percurso de vinte e dois anos de vida profissional".

"Exmos. Senhores,

1. Em 1985, nasceu um novo Banco. O BCP revolucionou o sistema financeiro português e esteve na vanguarda da gestão profissional e do relacionamento desta com os Accionistas, sobretudo ao estabelecer a independência da gestão executiva e a ouvir, consultar e fomentar a voz e a participação activa dos Accionistas na vida do Banco – temas que são hoje centrais na materialização das melhores práticas de governo da sociedade.

O novo Banco tornou-se no maior banco privado em Portugal com operações de relevo e de elevado potencial em outros mercados. O seu crescimento foi catalisador da evolução do sector financeiro português para um dos mais desenvolvidos, modernos e inovadores da Europa, fomentando a utilização generalizada de serviços financeiros em Portugal, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população e proporcionando benefícios financeiros aos agentes económicos, destacando-se o acesso a habitação própria como um dos benefícios sociais mais importantes e emblemáticos.

Como Presidente do Conselho de Administração e como Presidente do Conselho Geral e de Supervisão do Millennium bcp, pautei sempre a minha actuação pela defesa dos interesses de longo prazo do Banco e do interesse colectivo dos Accionistas e restantes Stakeholders. Interesses que sempre foram convergentes e que sempre defendi no sentido da independência estratégica e da sustentabilidade da Instituição.

2. O ano de 2007 trouxe ao Banco momentos de instabilidade, mas que todos sabemos possíveis em sociedades cotadas - interesses específicos não convergirem com o interesse colectivo e de longo prazo da Instituição. O Banco soube sempre superar as dificuldades, encontrar as soluções adequadas e seguir em frente. O momento actual não é excepção, mas as divergências ocorridas fomentaram conjecturas e especulação sobre o verdadeiro interesse colectivo dos Accionistas do Millennium bcp, mantendo-se constante a percepção de uma forte incerteza, por parte do mercado e opinião pública em geral. É tempo de pôr fim à incerteza e marcar um rumo bem definido.

O Banco que ajudei a fundar resultou precisamente de uma ampla transparência e convergência de interesses e vontades, dos quais depende o seu futuro, sobretudo neste momento.

3. É minha convicção de que urge clarificar os interesses em questão, para bem da Instituição; para que se manifestem e revelem os diversos projectos, sem reservas quanto à sua verdadeira natureza ou propósito e sem inibição ou constrangimento que os seus protagonistas possam sentir pelo facto de serem opostos, ou semelhantes, aos princípios, aos valores e à visão que sempre defendi e continuarei a defender para esta Instituição. Darei sempre o meu contributo para criar as condições propícias a essa clarificação.

Foi com este espírito de clarificação, e desapego pelo poder, que em 2005 procurei encontrar uma solução de renovação e decidi não cumprir o último ano de mandato como Presidente do Conselho de Administração. Quiseram os Senhores Accionistas e os Órgãos Sociais que assumisse a Presidência do Conselho Geral e de Supervisão por ocasião da última alteração estatutária. Aceitei o desafio em nome da Instituição.

Aproximando-se o fim do mandato do Conselho de Administração Executivo e, por isso, o momento dos Senhores Accionistas serem chamados a eleger a liderança executiva do Banco, reflecti profundamente sobre a melhor solução para a Instituição.

Tomei por isso a decisão de, uma vez encerrado o exercício, e a um ano do final de mandato, renunciar ao exercício de funções como Presidente do Conselho Geral e de Supervisão e Presidente do Conselho Superior do Banco Comercial Português. A presidência destes Conselhos passará a ser exercida, nos termos estatutários, pelos vice-presidentes Dr. Gijsbert Swalef e Dr. António Gonçalves, respectivamente, para quem peço o apoio e colaboração de todos.

Sei que na vida de uma empresa, a sucessão é um dos seus maiores desafios, sobretudo, e como se prova empiricamente, quando se trata da liderança fundacional. Contudo, e apesar da expectativa que tinha de se poderem gerar condições de coesão no seio do Conselho de Administração Executivo, o que não se revelou ser possível, estou seguro de que o Banco possui na sua liderança e no seio dos seus corpos sociais e do seu excelente quadro de colaboradores as competências, a vontade e a disponibilidade necessárias para prosseguir o projecto Millennium, preservando a independência estratégica e a sustentabilidade de longo prazo.

4. Com a actuação do Conselho de Administração Executivo, do Conselho Geral e de Supervisão e do Conselho Superior e o apoio da base accionista, é minha convicção de que existem condições e continuarão os esforços no sentido de materializar os interesses de longo prazo do Banco Comercial Português.

Esta convicção é fundada no conhecimento que tenho dos quadros e da competência profissional que é unanimemente reconhecida. Manterei o mesmo desejo de sempre: do bem do Banco, seus colaboradores e famílias, atento à sua importância para o futuro da economia e sociedade portuguesas.

5. Uma última palavra é devida. E é de gratidão. Agradeço a todos aqueles que de uma forma ou de outra me acompanharam neste percurso de vinte e dois anos de vida profissional. A todos os que, empenhadamente e de boa fé, fizeram do Millennium bcp o seu projecto e o ajudaram a crescer. A todos os que diariamente continuam, e continuarão, a fazer o Banco. Sei que saberão honrar o prestígio e a grandeza desta casa. É essa a minha maior alegria".

Ver comentários
Mais lidas
Outras Notícias