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Energias do Brasil avaliada em 600 milhões de euros

A Energias do Brasil anunciou as relações de troca a oferecer aos minoritários no âmbito da cotação no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que a avalia em 600 milhões de euros, confirmando, tal como referiu o Jornal de Negócios Online

Bárbara Leite 08 de Abril de 2005 às 12:46

A Energias do Brasil anunciou as relações de troca a oferecer aos minoritários no âmbito da cotação no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que a avalia em 600 milhões de euros, confirmando, tal como referiu o Jornal de Negócios Online, que os minoritários ficarão com 30,7% do capital da nova empresa que agregará as actuais três distribuidoras cotadas em bolsa.

Segundo explicou Martins da Costa, presidente executivo em conferência de imprensa, esta semana, caso as assembleias gerais aprovem a operação, pode dizer-se que esta está concluída. Os minoritários que não aceitaram a troca, vão receber o referente valor em dinheiro.

No comunicado enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Energias do Brasil, que hoje detém 96,5% do capital da Bandeirante, distribuidora em São Paulo, e 52,3% da Escelsa, distribuidora no estado de Espírito Santo, depois da reestruturação anunciada ficará com 100% do capital de cada uma destas participadas.

Também terá que comprar o restante capital da Iven, veículo de investimentos no Brasil, também cotado em bolsa.

Os termos oferecidos avaliam a Energias do Brasil em 1.997.480.000 reais (600 milhões de euros) ou 38,52 reais (11,55 euros) por acção

Ou seja, a Energias do Brasil vai propor aos detentores de 0,5% do capital da Bandeirante que aceitem trocar uma acção por 0,00095 acções da Energias do Brasil.

No quadro publicado, pode ler-se que a Bandeirante foi avaliada em 1.423.358.000 reais (427 milhões de euros) e 0,04 reais (0,012 euros) por acção.

Aos minoritários da Escelsa, a empresa vai oferecer 8,69965 acções da Energias do Brasil por cada uma acção da Escelsa. A distribuidora do Espírito Santo foi avaliada em 1.525, 022 milhões de reais (457 milhões de euros) ou 335,11 reais (100,5 euros) por cada acção.

No caso da Iven, a Energias do Brasil vai oferecer 0,03604 acções por cada acção detida na Iven. Esta empresa foi avaliada em 832,867 milhões de reais (250 milhões de euros) e 1,39 reais (0,416 euros) por acção.

Escelsa terá 100% da Enersul e da Magistra

Por debaixo da Escelsa, ficará 100% da Enersul (distribuidora do Mato Grosso do Sul) e 100% do capital da Magistra, veículo de investimentos.

Para concretizar estas operações, terão que ser feita mais uma operação de troca.

Assim, para a incorporação da Enersul que é detida a 34,1%, será oferecido 0,00007 da Energias do Brasil por acção na Enersul. Estes termos avaliam a distribuidora em 1.276.025.000 reais (383 milhões de euros) e 0,02 reais (0,006 euros) por cada acção.

Cinco objectivos

No comunicado enviado à CMVM, a empresa explica a reestruturação societária com base em cinco objectivos.

Um deles, a concentração e aumento da liquidez das respectivas acções no mercado de capitais, a simplificação da estrutura accionista do grupo, com inerentes benefícios no plano da redução dos custos operacionais, a optimização fiscal da respectiva estrutura societária e a criação de condições para o cumprimento de exigências regulatórias no sentido da extinção de empresas verticalmente organizadas para a produção, transmissão e distribuição de energia eléctrica.

A empresa concretiza noutro comunicado que o «acordo anunciado chega, assim, num momento marcante para um grupo que passa por importantes mudanças no âmbito da gestão das suas operações no Brasil, tendo conseguido atingir, em 2004, a auto-suficiência. Surge também numa ocasião significativa para a Energias do Brasil, que acaba de promover uma alteração na sua identidade visual e na sua denominação, reforçando a aposta no Brasil, fortemente demonstrada, aliás, pelo próprio processo agora anunciado e que culminará com a listagem de acções na Bovespa».

«Payout» mínimo de 25%

Em comunicado hoje à imprensa no Brasil, a Energias do Brasil refere que os accionistas terão vantagens em aceitar a oferta, uma vez que a empresa vai no mínimo distribuir 25% dos lucros em dividendos e estes vão beneficiar de uma empresa com muitos mais activos e maior liquidez no mercado. Além de todas as acções passarem a ser ordinárias, ou seja, com direito a voto.

Os termos de troca oferecidos foram baseados em avaliações independentes de bancos brasileiros e internacionais, salienta a empresa, assegurando que até 30 de Novembro deste ano, a Energias do Brasil estará cotada no Bovespa.

As operações terão ainda que ser aprovadas pela Agência Nacional de Energia Eléctrica, o regulador do sector no Brasil.

No final, o accionista português ficará com 69,3% do capital da Energias do Brasil e os minoritários 30,7%.

Os minoritários que não aceitarem a troca, nos 30 dias a seguir à AG, marcada para 29 de Abril, podem pedir o chamado direito de recesso, a sua contrapartida em dinheiro.

A esta operação, segundo apurou o Jornal de Negócios Online, vai seguir-se uma oferta de acções que será de aumento de capital, com vista à entrada de novos accionistas para a nova cotada no Novo Mercado do Bovespa.

Inicialmente prevista para ser concluída durante o ano de 2004, a reestrutura societária da Energias do Brasil, «sendo uma operação complexa, acabou por ter de adaptar o seu cronograma às novas definições regulatórias que foram sendo conhecidas ao longo do processo», avançou a mesma fonte.

Depois da reestruturação, a Energias do Brasil terá 100% de cada uma das três distribuidoras (Bandeirante, Escelsa e Enersul) e 14,6% do capital da hidroeléctrica Lajeado e 60% da Peixe Angical (activos na geração que já são detidos através da Energias do Brasil).

Conforme a regulação brasileira, os activos que as três distribuidoras têm na área de geração, de pequeno porte, vão passar uma única empresa debaixo também da Energias do Brasil.

As acções da EDP seguiam inalteradas nos 2,17 euros.

*Correspondente em São Paulo

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