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Espanha proíbe "short selling" sobre todas as cotadas durante três meses

"A situação de extrema volatilidade" justifica a decisão da comissão de mercados espanhola. Itália também voltou a banir as vendas curtas, mas apenas sobre bancos e seguradoras e só durante uma semana.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 23 de Julho de 2012 às 14:10
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Espanha proibiu, esta segunda-feira, a prática de “short selling” sobre todas as cotadas por três meses. Quer isto dizer que não será possível tirar partido da desvalorização das acções espanholas até 23 de Outubro.

“A situação de extrema volatilidade que os mercados de valores europeus atravessam poderá perturbar o seu funcionamento regular e afectar o normal desenvolvimento da actividade financeira”, justifica a espanhola Comissão Nacional do Mercado de Valores na sua página de Internet.

A proibição destas práticas, que beneficiam com a queda do preço de activos financeiros, foi anunciada esta segunda-feira com “efeitos imediatos”. O prazo termina a 23 de Outubro, “podendo prolongar-se ou levantar-se a proibição caso se considere necessário”, alerta a congénere da portuguesa Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Espanha segue Itália

O regulador de mercados de Espanha cita a posição tomada pela Consob, a reguladora de mercado de Itália. A supervisora transalpina voltou a banir a prática de “short selling” sobre cotadas do sector financeiro, embora por um prazo mais limitado.

Esta semana não é permitido apostar na desvalorização em bolsa de bancos ou seguradoras. A proibição, anunciada hoje, teve efeitos imediatos e “vigora por toda a semana”, indica o comunicado na página da comissão italiana para a bolsa.

As reguladoras reintroduziram a proibição de vendas curtas numa altura em que se fala, novamente, na possibilidade de a Grécia abandonar a Zona Euro e de Espanha poder ter de solicitar um resgate pleno, depois das ajudas à banca e às comunidades.

Após o anúncio da proibição do “short selling”, o índice da bolsa espanhola, que esteve a cair mais de 5%, aliviou e está a perder apenas 1,5%. Já o índice italiano, também tendo já desvalorizado mais de 5%, segue a recuar 3%.

Short selling esteve proibido em quatro países no Verão passado

Desde o Verão de 2011 e, em alguns casos, até ao início do ano, as vendas curtas estiveram proibidas em vários países da Europa. Espanha e Itália, mas também França e Bélgica, baniram o “short selling”. Apesar de a considerarem como uma “estratégia válida”, estas operações podem ser “abusivas” quando conjugada com “rumores falsos”, como indicou a autoridade reguladora do mercado de valores mobiliários da Europa, ESMA, em Agosto passado.

A prática de “short selling” beneficia com a desvalorização de activos financeiros, como é o caso das acções. Um investidor pede os títulos em empréstimo. Quando os recebe, vende-os no mercado, na expectativa de que estes venham a perder terreno em bolsa. Assim, recompra depois aqueles títulos e devolve à entidade que os emprestou. A vantagem está na diferença entre o preço a que vendeu inicialmente os títulos e o preço a que os recomprou.

Em Portugal, é permitido assumir posições curtas sobre as acções nacionais. A CMVM tem defendido que a prática não deve ser banida, por considerar que ela contribui para o funcionamento eficiente dos mercados. Em Portugal é proibido recorrer à prática de “naked short selling”, que acaba por consistir na mesma posição de “short selling” apenas destacando-se o facto de o investidor não precisar de ter as acções que vende.
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