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Estrangeiros controlam mais de um quarto da bolsa

Chineses e angolanos estão entre os investidores internacionais com mais peso no capital das cotadas.

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A presença de estrangeiros no capital das empresas cotadas era uma realidade ainda antes do 25 de Abril. 40 anos depois, a abertura da Bolsa de Lisboa a capitais vindos de fora é cada vez mais marcante. Os estrangeiros controlam actualmente mais de um quarto das companhias do PSI-20. Nem a crise financeira e as fortes perdas de algumas acções afastaram estes investidores, que aproveitaram para entrar ou reforçar no capital nas empresas.

Nos últimos meses tem sido notório o reforço de posições por parte de fundos de investimento internacionais nas cotadas de Lisboa. Além da banca, que recebeu várias participações qualificadas de gestoras de activos, também empresas como os CTT ou a Jerónimo Martins assistiram ao aumento da representação estrangeira na sua estrutura.

Mas foi essencialmente durante o epicentro da crise que se alteraram as estruturas accionistas de muitas empresas nacionais. Foi o caso do sector financeiro, com a entrada de vários accionistas angolanos, mas também o sector da energia. A EDP passou a ser controlada pelos chineses da China Three Gorges, enquanto a REN passou a ter como principais accionistas a chinesa State Grid e a Oman Oil.

Além destas cotadas, outras empresas portuguesas conquistaram accionistas de referência estrangeiros. É o caso da angolana Isabel dos Santos, que nos últimos anos constituiu posições de relevo em várias companhias. BPI, Zon Optimus, ou Galp Energia, onde está em parceria com Américo Amorim, são as participações mais relevantes.

Ainda assim, no mesmo período, a Galp Energia passou a ter nos accionistas nacionais a maior parcela de investimento, devido à saída da ENI. Enquanto em 2006, a italiana detinha uma posição superior a 33%, actualmente apenas controla 9% do capital da petrolífera.

Mais oportunidades, mas menos empresas?

Apesar da forte valorização registada pela praça nacional no último ano e meio, a bolsa perdeu empresas históricas no mesmo período. Depois de a Brisa e a Cimpor terem saído do PSI-20, na sequência de movimentos de concentração, este ano a Sonaecom seguiu o mesmo caminho, após a fusão entre a Optimus e a Zon Multimédia. Embora a cimenteira e a "telecom" permaneçam dispersas em bolsa, está em aberto a possibilidade de serem retiradas do mercado de capitais.

Luís Laginha de Sousa, presidente da Euronext Lisbon, sublinha, no entanto, a normalidade destas operações. "Muitos processos de saída são empresas que são integradas noutras empresas cotadas, através de fusões e aquisições. O valor continua no mercado", conclui. "É importante que o mercado tenha uma porta de entrada e uma porta de saída", diz Laginha de Sousa, sublinhando que o mercado de capitais "é um instrumento fundamental para qualquer economia", sobretudo num momento marcado pela elevada alavancagem das empresas.

Algumas empresas têm eleito a bolsa como forma de financiamento. Desde Dezembro, a praça de Lisboa acolheu duas novas empresas: CTT e ES Saúde. Nos próximos meses, algumas privatizações podem seguir o seu exemplo.

 
Privatização dos CTT sela regresso das OPV à bolsa

Após um período de cinco anos sem qualquer Operação Pública de Venda (OPV) no mercado de capitais português, a privatização dos CTT marcou o regresso destas operações à bolsa de Lisboa. Ao contrário do que aconteceu com a venda das participações na EDP e na REN, o Estado escolheu a bolsa para dispersar 70% do capital da empresa de correios.

 

Apesar do forte sucesso da operação, com as acções a dispararem mais de 42% desde a estreia no passado mês de Dezembro, o Governo optou por vender a Caixa Seguros fora do mercado. No entanto, as privatizações deverão voltar a passar pela bolsa, nomeadamente na última fase de venda da participação do Estado na REN.

 

Na semana passada, foi aprovado em Conselho de Ministros a alienação dos 11% que o Estado ainda detém na energética. O modelo de privatização ainda está por desvendar, mas deverá ser efectuado através de duas modalidades: via mercado e via venda directa a um ou mais investidores institucionais. Outras operações também poderão passar pela bolsa, mas não é certo para já.

 

 

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