Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Euribor a 6 meses ultrapassa os 4% pela primeira vez desde Setembro de 2001

As más notícias para os detentores de créditos à habitação continuam a surgir. Ontem, a Euribor a 6 meses, o indexante mais utilizado pelos portugueses nos seus empréstimos, ultrapassou a barreira dos 4%, um patamar que não alcançava desde 13 de Setembro

  • Assine já 1€/1 mês
  • ...

As más notícias para os detentores de créditos à habitação continuam a surgir. Ontem, a Euribor a 6 meses, o indexante mais utilizado pelos portugueses nos seus empréstimos, ultrapassou a barreira dos 4%, um patamar que não alcançava desde 13 de Setembro de 2001. Hoje, o indexante, apesar de ter registado uma queda, manteve-se acima dos 4%.

Se o mês acabasse agora, a taxa média da Euribor, com o arredondamento à milésima, ficaria nos 3,963%, o que significa que os empréstimos à habitação revistos em Abril ficariam 1,9 pontos base mais caros do que se tivessem sido revistos em Março, altura em que o indexante médio se fixou nos 3,944%.

Mas o mês ainda não acabou. E a tendência de subida das taxas interbancárias é previsível, caso as declarações dos responsáveis pela política monetária da Zona Euro continuem no mesmo sentido dos últimos dias, ou seja, a indicar que o ciclo de aumentos é para continuar.

Os restantes indexantes dos créditos à habitação, a Euribor a 3 meses e a de 12 meses, também recuaram hoje, depois de terem voltado a subir na sessão de ontem. A taxa com maturidade mais curta, a de três meses, fixou-se nos 3,889%, o nível mais elevado desde Setembro de 2001.

Por seu lado, a Euribor a 12 meses, a que mais recuou após a correcção dos mercados financeiros há duas semanas - a reflectir a possibilidade do Banco Central Europeu vir a alterar a sua política, encerrando mais cedo o ciclo de aumento das taxas ou até mesmo vir a cortá-las -, voltou a negociar muito próximo do patamar em que se encontrava antes da queda acentuada nas bolsas. Tudo porque já é mais que certo que a eventualidade de uma paragem para fazer face à correcção não está em causa. A Euribor a 12 meses recuou fixou-se hoje nos 4,105%.

Mas, então, porque sobem os indexantes dos empréstimos à habitação? O BCE subiu na quinta-feira passada as taxas directoras para os 3,75% e o seu presidente, Jean-Claude Trichet afirmou na ocasião que, embora a política monetária permanecesse acomodatícia, os juros passaram para um nível "moderado" e não "baixo" como tem dito até aqui. Esta pequena alteração no léxico serviu para que a generalidade do mercado incorporasse a expectativa de que o ciclo de subida dos juros está próximo do fim, ficando apenas no horizonte a probabilidade de mais um aumento das taxas de juro directoras, previsivelmente em Junho.

No entanto, a leitura do mercado parece estar a divergir da interpretação que o próprio BCE estaria à espera. E, assim, nos últimos dias, diversos responsáveis da instituição monetária têm vindo a público dar novas dicas sobre o futuro dos juros. Klaus Liebscher, o membro austríaco do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu, foi peremptório nas declarações à Bloomberg publicadas ontem: "alerto todos os que dizem que temos a inflação sob controlo", que "definitivamente, encontramos riscos no horizonte" e não podemos "recostar-nos e considerar que o trabalho está feito". As declarações de Liebscher foram interpretadas como um sinal de que os juros poderão ir além dos 4% que Jean-Claude Trichet já deixou implícitos.

Juros nos 4% em Junho

Cristina Casalinho, economista-chefe do BPI, considera que os membros do BCE não pretendem ir além dos 4%, previsivelmente em Junho, estando agora a iniciar um período de gestão de expectativas. Na opinião da especialista, se o mercado incorporasse já a ideia de que o ciclo terminou, então a correcção dos desequilíbrios pretendida por Trichet terminaria mais cedo do que o esperado, tendo, por isso, um efeito perverso face às intenções do BCE.

A mensagem que os responsáveis da instituição deixam transparecer é que "não faz sentido intensificar já o recurso ao crédito à habitação ou ao consumo, antes de algumas correcções se materializarem", afirma Cristina Casalinho. Se o mercado continuar a incorporar a possibilidade de novos aumentos, então a correcção poderá ocorrer mesmo sem que Trichet seja obrigado a voltar a subir as taxas.

Da mesma forma, Rui Constantino, do Santander, acredita que os juros deverão subir para os 4% no início do Verão, "depois manter-se-á o risco de nova subida", mas o BCE deverá "deixar os juros estáveis por alguns meses". "A mensagem que escolheria do discurso de Trichet é a de aumento da possibilidade dos juros irem além dos 4%", afirma Carlos Andrade, do BES. "Estamos perto do fim mas não quer dizer que seja apenas um aumento", remata.

Outras Notícias