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Execução orçamental não alivia pressão sobre a dívida portuguesa

Taxas de juro associadas aos títulos de dívida pública continuam a subir, indiferentes à descida do défice. Grécia e Irlanda estão também sob grande pressão dos investidores. Entre os periféricos do euro, a excepção é Espanha.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 22 de Fevereiro de 2011 às 17:02
Segundo os preços genéricos divulgados pela agência Bloomberg, as taxas subjacentes às Obrigações do Tesouro a cinco anos são as que mais sobem, tendo renovado um novo recorde – algo que tem sucessivamente acontecido, ainda que a um ritmo lento, desde a passada sexta-feira. A meio tarde, os juros subjacentes aos títulos com esta maturidade subiam cinco pontos base, para 7,140%.

Também a dez anos, as taxas estão de novo em alta, ainda que ligeira: sobem 0,9 pontos base para 7,460%. A excepção são as taxas a dois anos, que ainda recuam marginalmente para 4,685%, depois de terem fixado um novo máximo em 4,710%, na passada sexta-feira.

Os dados da execução orçamental de Janeiro, ontem divulgados, não parecem ter impressionado os investidores que continuam a sinalizar que encaram o Estado português como um credor de elevado risco.

Numa nota hoje divulgada, o Espírito Santo Investment Bank, do Banco Espírito Santo Investimento (BESI), considera que os números são positivos mas ficaram aquém do esperado.

“Tudo somado, acreditamos que estes dados orçamentais deste mês de Janeiro são consistentes com o objectivo de reduzir o défice para 4,6% do PIB em 2011, apesar de acreditarmos que os investidores estavam à espera de maiores cortes no lado da despesa”, refere o BESI.

De acordo com dados ainda provisórios ontem divulgados pela Direcção-geral do Orçamento, o défice da Administração Central desceu 59% para 281,8 milhões de euros, com as receitas do Estado a crescerem 14,4%, enquanto as despesas aumentaram 0,9%. Excluindo os efeitos do regime de duodécimos aplicado nos primeiros meses ano passado, a despesa teria descido 2,6%.

Espanha descola

A tendência de subida dos juros da dívida soberana é, porém, muito mais expressiva nos dois países do euro já intervencionados. A título de exemplo, as taxas de juro subjacentes à dívida pública grega a dois anos estão a subir hoje 13,8 pontos base para 14,078%, sendo mais elevados do que os associados aos títulos de qualquer outro prazo.

Também as condições de financiamento do Estado irlandês continuam particularmente exigentes, com as taxas a variarem entre os 5,123% a dois anos e os 9,1% a dez.

Espanha parece ter conseguido de novo descolar-se dos periféricos sob maior pressão. À excepção das taxas de juro da dívida pública a dois anos, que estão a subir no mercado secundário 1,1 pontos para 3,174%, em todos os restantes prazos há sinais de relativo alívio. A dez anos, por exemplo, estão em 5,356%. A título de comparação, só nos prazos a dois anos é que as taxas portuguesas estão num patamar inferior.


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