Mercados num minuto Fecho dos mercados: Bancos centrais esmagam moedas. Juros portugueses em mínimos

Fecho dos mercados: Bancos centrais esmagam moedas. Juros portugueses em mínimos

As bolsas europeias e a moeda única do Velho Continente terminam a sessão animadas, contrastando com o cenário vivido no mercado cambial e de petróleo, nos quais as perdas são expressivas.
Fecho dos mercados: Bancos centrais esmagam moedas. Juros portugueses em mínimos
Reuters
Ana Batalha Oliveira 07 de agosto de 2019 às 17:40

Os mercados em números

PSI-20 valorizou 0,14% para 4.839,94 pontos

Stoxx 600 subiu 0,24% para os 368,58 pontos

S&P500 desce 0,97% para os 2.853,68 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos recuam 7,4 pontos base para 0,182%

Euro avança 0,17% para os 1,1218 dólares

Petróleo desliza 4,34% para os 56,38 dólares por barril em Londres  


Cotadas servem de escudo às bolsas europeias

A Europa viu as principais praças fecharem a sessão em terreno positivo, numa altura em que o escalar da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China tem ditado quebras generalizadas nos mercados internacionais. A dar força ao Stoxx600, o índice que agrega as 600 maiores cotadas europeias, estiveram as empresas dos setores do turismo e media, os quais contaram ganhos acima de 1%.

Em destaque esteve ainda o setor químico, no qual se insere a alemã Bayer: a empresa farmacêutica disparou 6% durante a sessão depois de ter visto adiado um julgamento, marcado para o próximo dia 19 de agosto, relativo ao herbicida Roundup – julgamentos estes que têm levado a empresa a pagar elevadas compensações aos queixosos.

Em Lisboa, a bolsa nacional fechou a subir após três sessões de quedas acentuadas. O PSI-20 valorizou 0,14% para 4.839,94 pontos, impulsionado sobretudo pelos títulos das cotadas do grupo EDP.


Euro sobrevive a derrocada nas divisas

A moeda única europeia segue a valorizar 0,17% para os 1,1218 dólares, num dia negro para a generalidade das divisas internacionais, que são abaladas pela decisão de cortes na taxa de juro diretora que foi avançada por vários bancos centrais.

O dólar da Nova Zelândia chegou a perder 2,3% para os 0,6378, o nível mais baixo desde janeiro de 2016, depois de o banco central ter surpreendido com um corte de 50 pontos base os juros, superior ao que era esperado. O dólar australiano segue a mesma tendência e abate 1,2% para um mínimo de dez anos, uma quebra alimentada pelo receio de que o banco central da Austrália opte por mimetizar os cortes do país vizinho. Do outro lado do globo, no Canadá, também se sente um abalo decorrente da perspetiva de cortes nos juros, tendo o dólar canadiano descido já um mínimo de meados de junho. Na Ásia, foram os bancos centrais da Índia e da Tailândia a surpreender com os cortes nos juros, ditando também a desvalorização destas divisas.

As instituições responsáveis pelas divisas alinham-se numa política monetária expansionista de forma a contrariar as expectativas de desaceleração no crescimento económico mundial, provocado pelas tensões comerciais crescentes entre as duas principais economias do mundo. Nos Estados Unidos, onde a Fed deu o mote no último mês com a primeira descida nos juros em dez anos, o presidente Trump continua a pressionar para que exista um corte maior e mais expedito nos juros do país, tendo vindo acusar o banco central de incompetência esta quarta-feira, através do Twitter.

O presidente dos Estados Unidos impele a ação do banco central depois de, no início da semana, a China ter utilizado a desvalorização da respetiva moeda, o yuan, como arma na guerra comercial que está a ser travada entre os dois países.

Juros afundam para mínimo histórico abaixo de 0,2%

Uma rampa de 8 sessões consecutivas em queda conduziu os juros a dez anos portugueses abaixo da fasquia dos 0,2%, pela primeira vez na história destes ativos. A taxa remuneratória das obrigações nacionais para esta maturidade fechou nos 0,182%, que traduzem uma queda de 7,4 pontos base.

O alívio nos juros portugueses faz-se notar no mesmo dia em que o banco dinamarquês Danske divulgou uma nota na qual defende que a classificação a ser atribuída pela Moody’s à dívida soberana portuguesa, já esta sexta-feira, pode ser melhorada e deixar de estar no primeiro nível acima do patamar considerado "lixo". Num contexto mais alargado, A política de juros baixos dos bancos centrais e a crescente incerteza mundial têm levado os investimentos para as obrigações. O resultado está à vista: metade da dívida mundial tem agora juros negativos ou abaixo da inflação.

Na Alemanha, a tendência foi semelhante: os juros a dez anos aliviaram 4,6 pontos base para uns negativos 0,583%, colocando o prémio da dívida portuguesa face à germânica nos 76,5 pontos base.


Petróleo derrapa quase 5%

Os preços do barril de Brent, negociado em Londres e referência para a Europa, recuam 4,34% para os 56,38 dólares. Esta quarta-feira, o barril londrino já afundou 4,84% para os 56,09 dólares, um mínimo de 4 de janeiro deste ano. Esta é a terceira sessão consecutiva de quebras esta semana, o que dita perdas acumuladas de mais de 8% para o Brent desde segunda-feira. Desde o último pico, as perdas já são superiores a 20%, e agravam esta sessão, pelo que as cotações de petróleo seguem a enterrar-se mais fundo em mercado urso.  


Ouro rompe fasquia dos 1.500 dólares

O metal amarelo segue a somar 2,11% para os 1.505,60 dólares por onça, depois de já ter avançado 2,44% para os 1510,46 dólares – um máximo de dezembro de 2013. O ouro consegue furar a fasquia dos 1.500 dólares numa altura em que os investidores tremem perante a guerra comercial entre Estados Unidos e China, fazendo crescer a procura por este que é tradicionalmente um ativo refúgio. Um aumento do apetite da parte dos bancos centrais tem também dado um contributo relevante para a valorização deste metal. O Banco Popular da China, por exemplo, alargou as suas reservas em julho pelo oitavo mês consecutivo.




pub

Marketing Automation certified by E-GOI