Mercados num minuto Fecho dos mercados: Bitcoin abaixo dos 10 mil dólares. Bolsas, petróleo e juros em queda

Fecho dos mercados: Bitcoin abaixo dos 10 mil dólares. Bolsas, petróleo e juros em queda

A criptomoeda baixou do patamar dos 10 mil dólares numa altura em que o escrutínio sobre este tipo de ativos aumenta. As bolsas europeias fecharam em baixa, o petróleo negoceia em terreno negativo e os juros aliviaram.
Fecho dos mercados: Bitcoin abaixo dos 10 mil dólares. Bolsas, petróleo e juros em queda
EPA

Os mercados em números
PSI-20 desceu 0,21% para 5.252,28 pontos
Stoxx 600 cedeu 0,37% para 387,66 pontos
S&P 500 desvaloriza 0,23% para os 2.997,19 pontos
Juros da dívida portuguesa a dez anos aliviam 4,1 pontos base para 0,507%
Euro aprecia 0,17% para os 1,1230 dólares
Petróleo em Londres cai 0,16% para 64,25 dólares por barril

Tensão comercial e Brexit tombam bolsas europeias
As principais bolsas do velho continente negociaram em terreno negativo num dia em que a renovada tensão comercial entre os Estados Unidos e a China e o receio de um Brexit desordenado voltaram a causar apreensão junto dos investidores.

O índice de referência europeu perdeu 0,37% para 387,66 pontos, especialmente pressionado pelas quedas registadas pelos setores petrolífero, automóvel e financeiro, pondo fim a uma série de três sessões seguidas em alta.

Já o índice português PSI-20 recuou 0,21% para 5.252,28 pontos, com o BCP (-0,90% para 0,2863 euros) a destacar-se pela negativa como a cotada que mais penalizou. A principal exceção coube à bolsa grega que valorizou 1,55% numa fase em que continua a beneficiar da expectativa reinante nos mercados de que o novo governo maioritário (centro-direita) helénico dispõe de condições para promover novas reformas para tornar a economia menos rígida.

Certo é que os fatores que mais contribuíram para as perdas verificadas na Europa continuam a ser os mesmos ao longo dos últimos meses. O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou, na terça-feira, voltar a agravar as taxas aduaneiras aplicadas aos bens importados da China, ameaça que a concretizar-se termina com a trégua acordada com o homólogo chinês, Xi Jinping, e pode levar a nova espiral protecionista.

Além disso, voltaram a intensificar-se as dúvidas em torno do Brexit e o receio de uma saída britânica da União Europeia sem acordo, isto depois de uma notícia que dava conta de que o responsável pelo processo do lado do Reino Unido teria dito ao homólogo europeu Michel Barnier que o acordo que define os termos do divórcio e que foi já três vezes rejeitado no parlamento britânico estaria definitivamente "morto". Stephen Barclay desmentiu entretanto a notícia avançada pelo Times.

Juros portugueses em queda há três sessões
Os juros portugueses a dez anos aliviam pela terceira sessão consecutiva numa altura em que se aproximam as reuniões de política monetária dos bancos centrais que poderão ser decisivas: o Banco Central Europeu reúne-se na próxima semana e a Reserva Federal no final do mês. Espera-se que ambos reduzam os juros diretores como resposta à desaceleração económica e à inflação abaixo do objetivo, ainda que não seja claro a altura em que isso se vai concretizar. 

A "yield" da dívida portuguesa tinha subido na semana passada para o patamar dos 0,6% após ter atingido um mínimo histórico abaixo dos 0,3%, mas esta semana já voltou a aliviar. Os juros cederam 4,1 pontos base para os 0,507% hoje, dia em que o IGCP foi ao mercado emitir dívida de curto prazo e conseguiu taxas ainda mais negativas do que na emissão anterior, que já tinha tido o juro mais baixo de sempre. 

Os juros da dívida alemã a 10 anos aliviam 4,5 pontos base para os -0,292%.

Libra a caminho de mínimos do referendo
Os analistas da Bloomberg antecipam que, com as quedas que a divisa britânica está a registar, até outubro a libra vai atingir os mínimos da queda "flash" pós-referendo em junho de 2016. A divisa tem vindo a cair nos últimos três meses de forma gradual, tendo já negociado em mínimos de dois anos e meio face ao dólar.

Em causa estão vários fatores, entre eles a travagem da economia, a incerteza face à liderança do Governo com Boris Johnson à frente da corrida e as dúvidas que permanecem com quando realmente se consumará o Brexit. Atualmente a data-limite é 31 de outubro, o último dia da atual Comissão Europeia.

Os analistas da Morgan Stanley foram mais longe hoje ao antever que a libra pode atingir a paridade com o dólar caso a saída do Reino Unido da União Europeia não seja acompanhada por um acordo entre as duas partes. Essa possibilidade tem sido dado como cada vez mais provável à medida que se aproxima a eleição de Boris Johnson para a liderança do Partido Conservador. 


Apesar de já ter tocado num mínimo do início de 2017 nesta sessão, a libra está agora a recuperar ligeiramente com uma subida de 0,28% para os 1,2442 dólares.

O euro está a subir 0,17% para os 1,1230 dólares. 

Reservas e consumo dos EUA pressionam preços do petróleo
Os preços do petróleo seguem com descidas pouco acentuadas, depois de os EUA terem revelado que a procura de combustíveis diminuiu, inesperadamente, na semana passada, ao mesmo tempo que as reservas americanas aumentaram, superando as estimativas dos analistas consultados pela Bloomberg. O barril do Brent, negociado em Londres e referência para Portugal, está a descer 0,16% para 64,25 dólares.

Bitcoin abaixo dos 10 mil dólares
A criptomoeda só aguentou três semanas acima dos 10 mil dólares. Desde ontem que a bitcoin está a negociar abaixo desse patamar numa altura em que aumenta o escrutínio dos congressistas e dos reguladores norte-americanos relativamente à viabilidade da criptomoedas.

Em causa está a iniciativa do Facebook (em consórcio com outras empresas) de lançar a sua própria criptomoeda, a libra. O comité dos assuntos financeiros do Congresso norte-americano criticou duramente os planos da tecnológica, temendo o seu efeito na estabilidade do sistema financeiro e na privacidade dos consumidores. 

Durante o fim de semana, no Twitter, também Donald Trump disse que não era fã da bitcoin e de outras criptomoedas, "que não são dinheiro e cujo valor é altamente volátil e feito de nada". "Os ativos cripto desregulados podem facilitar o comportamento fora da lei, incluindo o comércio de droga e outra atividade ilegal", acrescentou, criticando também a libra.

Apesar de já ter estado a cair mais 12%, a bitcoin valoriza agora 1,42% para os 9.734 dólares, um valor que está cerca de 25% abaixo do máximo atingido em junho de 12,7 mil dólares. Ainda assim, o atual valor da criptomoeda continua a ser o dobro da avaliação que tinha no início do ano.

Também a Ethereum e a Litecoin, outras duas criptomoedas conhecidas, desvalorizam mais de 10%. 




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