Mercados num minuto Fecho dos mercados: Bolsas caem com novas tensões Turquia-EUA, petróleo sobe com greve e trigo dispara com Rússia

Fecho dos mercados: Bolsas caem com novas tensões Turquia-EUA, petróleo sobe com greve e trigo dispara com Rússia

As bolsas europeias encerraram em baixa, penalizadas uma vez mais pelas tensões entre os EUA e a Turquia, que fizeram a lira depreciar-se de novo. Já o petróleo ganha terreno com uma greve nas plataformas do Mar do Norte e o trigo avança com a perspectiva de uma limitação nas exportações russas.
Fecho dos mercados: Bolsas caem com novas tensões Turquia-EUA, petróleo sobe com greve e trigo dispara com Rússia
Reuters
Carla Pedro Rita Faria 17 de agosto de 2018 às 17:19

Os mercados em números

PSI-20 recuou 0,47% para 5.461,30 pontos

Stoxx 600 cedeu 0,09% para 381,07 pontos

S&P 500 soma 0,11% para 2.843,92 pontos

"Yield" a 10 anos de Portugal recua 2,7 pontos base para 1,818%

Euro valoriza 0,30% para 1,1411 dólares

Petróleo sobe 0,69% para 71,92 dólares por barril em Londres

 

Bolsas europeias fecham semana no vermelho

As bolsas europeias encerraram a última sessão da semana em terreno negativo, penalizadas pelos receios em torno da crise na Turquia e pela disputa entre os Estados Unidos e a China.

Depois de três sessões consecutivas de subidas, a lira turca voltou hoje a desvalorizar face ao dólar, tendo perdido um máximo de 7,99%. A motivar esta evolução esteve a decisão da justiça turca de recusar a libertação do pastor norte-americano Andrew Brunson – detido na Turquia desde Outubro de 2016 – abrindo caminho a mais sanções por parte dos Estados Unidos. Nesta altura, a lira cede 3,59%.

O índice de referência para a Europa, o Stoxx600, caiu 0,09% para 381,07 pontos, penalizado sobretudo pela banca, telecomunicações e sector automóvel.

Na bolsa nacional, o PSI-20 desceu 0,47% para 5.461,30 pontos, pressionado principalmente pelo BCP, Pharol e Navigator, todas com descidas superiores a 2%.

Juros oscilam pouco na Europa sem tendência definida
Os juros a 10 anos da maioria dos países da periferia do euro e da Alemanha estão a negociar em direcções distintas, mas sem oscilações expressivas, isto numa altura em que regressam os receios em torno da crise turca devido ao conflito com os EUA e também com o intensificar da disputa entre Washington e Pequim.

A yield das obrigações portuguesas a 10 anos soma 0,2 pontos base para os 1,856%. O mesmo acontece aos juros italianos no mesmo prazo, que sobem 4,2 pontos base para 2,690%. Na Alemanha, as "yields" das Bunds descem 2,2 pontos base para 0,298% e em França os juros soberanos cedem 2,1 pontos para 0,656%.


Euribor mantêm-se a 3 e 6 meses e caem a 9 e 12 meses

A Euribor a três meses, em valores negativos desde 21 de Abril de 2015, manteve-se em -0,319%. Já a taxa a seis meses, a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação e que entrou em terreno negativo pela primeira vez a 6 de Novembro de 2015, permaneceu em -0,266%.    

A nove meses, a Euribor desceu 0,001 pontos para -0,207%, ao passo que no prazo a 12 meses caiu para -0,167%.

 

Lira turca regressa às quedas

A lira está de novo a ceder terreno face ao dólar, abalada pela perspectiva de uma intensificação do conflito diplomático com os Estados Unidos – que está a escalar para uma disputa comercial. Mas apesar de a nota verde estar a ganhar face à lira, segue a perder no cabaz que a compara com as moedas dos principais países parceiros, uma vez que o optimismo em torno de um alívio das tensões EUA-China está a esvanecer-se de novo.

Com isto, o euro segue em alta face ao dólar, a ganhar 0,30% para 1,1411 dólares.

 

Petróleo sobe mas está a caminho da maior série de quedas semanais em 3 anos

Os preços do "ouro negro" seguem a negociar em alta, animados por mais uma greve de trabalhadores nas plataformas de petróleo e gás do Mar do Norte. No entanto, o saldo de segunda a sexta-feira é negativo, com a matéria-prima a marcar a mais longa série de quedas semanais (sete semanas consecutivas) desde 2015, pressionada pelos receios de que a turbulência nos mercados emergentes e o contínuo conflito comercial entre os Estados Unidos e a China possam afectar a procura.

O contrato de Setembro do West Texas Intermediate (WTI), transaccionado no mercado nova-iorquino, segue a somar 0,82% para 66 dólares por barril. Já as cotações do contrato de futuros do Brent do Mar do Norte – que é negociado em Londres e serve de referência às importações portuguesas – para entrega em Setembro seguem a ganhar 0,69% para 71,92 dólares por barril.

 

Trigo animado com especulação sobre limites às exportações russas

A especulação em torno de eventuais restrições à exportação de trigo por parte da Rússia está a sustentar este cereal. Em Chicago, os preços do trigo subiram de imediato assim que correu a informação de que a Rússia – maior exportadora mundial deste produto agrícola – está a pensar limitar as suas vendas para fora do país. Apesar de o ministro russo da Agricultura ter dito que não está a debater esse tipo de medidas, não é a primeira vez que em Agosto surgem confusões em torno das políticas das nações produtoras.

Os preços do trigo para entrega em Dezembro seguem a subir 3% em Londres, para 5,79 dólares por alqueire.