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Fecho dos mercados: Bolsas europeias com maior queda de sempre após desilusão com Trump e Lagarde

Os mercados de capitais voltam a viver um dia negro, numa altura em que os receios em relação ao impacto económico do coronavírus continuam a agravar mas a resposta internacional não convence os investidores. O petróleo volta afundar e nem o ouro resiste.

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Os mercados em números

PSI-20 desceu 9,76% para os 3.805,92 pontos

Stoxx 600 perdeu 11,48% para os 294,93 pontos

S&P500 cai 5,49% para 2.590,87 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos sobem 31,3 pontos base para os 0,718%

Euro recua 0,86% para 1,1173 dólares

Petróleo em Londres cai 3,14% para 36,05 dólares o barril


Europa com o maior rombo da história

O índice de referência que agrega as 600 maiores cotadas europeias, o Stoxx600, fechou com uma quebra de 11,48% para os 294,93 pontos, a maior desde 1987, o primeiro ano em que existem registos para este que é atualmente o índice de referência para medir a evolução das bolsas europeias.

Os mercados acionistas precipitaram-se mais fundo no vermelho com os investidores a mostrarem apreensão perante a resposta dada à epidemia de coronavírus pelo presidente da maior economia do mundo, Donald Trump, e pela presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde.

Donald Trump, que havia prometido "grandes" medidas para contrariar e remediar o impacto do vírus, acabou por avançar apenas com um plano de linhas de crédito para pequenas empresas nos estados e territórios afetados. Por isso disse, citado pelo The Guardian, que vai pedir ao Congresso um aumento orçamental de 50 mil milhões para este programa. 

No que toca aos resultados da reunião do BCE, as expectativas de que o banco central iria ver-se obrigado a reduzir taxas de juro, apesar de estas já se encontrarem em níveis negativos, saíram defraudadas. Lagarde anunciou um pacote de estímulos temporário. As principais medidas consistem no financiamento barato para manter a liquidez no sistema financeiro e mais compras de ativos ('quantitative easing'), mas as taxas de juro diretoras ficam inalteradas. 

Entre as principais praças, o destaque pela negativa recaiu sobre Espanha e Itália, os países mais afetados pelo vírus dentro do Velho Continente. Madrid afundou 14,06% e Milão deslizou 16,92%. As praças francesa e alemã também mostraram quebras significativas, de mais de 12%.

Em Lisboa, o PSI-20 desceu 9,76% para os 3.805,92 pontos, registando a segunda maior quebra de sempre.

Numa nota mais positiva, as bolsas de Wall Street estão a travar as quedas, seguindo a ceder na casa dos 5%, depois de a Fed de Nova Iorque ter anunciado medidas adicionais de estímulo, que passam por comprar obrigações. Antes deste anúncio, o S&P500 estava a deslizar mais de 8%. 

Juros têm maior subida em quatro anos

Há quatro anos que os juros da dívida portuguesa não subiam tanto numa só sessão no mercado secundário. A yield associada às obrigações portugueses a dez anos está a subir 31,3 pontos base para os 0,718%, o juro mais elevado desde junho de 2019. É preciso recuar a 11 de fevereiro de 2016, no início do primeiro Governo de António Costa, quando havia dúvidas sobre o cumprimento das metas orçamentais, para encontrar uma subida mais expressiva (38,6 pontos base). 

 

Esta subida repentina dos juros é quase generalizada ao nível da Zona Euro, com a exceção da Alemanha onde juros (-0,746% a dez anos) estão praticamente inalterados, e é justificada pela desilusão dos investidores perante a reunião do Banco Central Europeu (BCE). 

 

O banco central decidiu aumentar as compras mensais de ativos até ao final do ano e dar temporariamente liquidez extra (e mais barata) ao sistema financeiro, mas não cortou os juros diretores (a taxa de depósitos, que está nos -0,5%), ao contrário do antecipado pelo mercado. 

 

Além disso, a presidente do BCE, Christine Lagarde, disse na conferência de imprensa que o papel do BCE não era aliviar os spreads entre os soberanos da Zona Euro - a diferença entre os juros alemães e os da periferia tem aumentado - dado que existem outras ferramentas e outros 'players' responsáveis por esses assuntos, apanhando de surpresa os analistas que seguem o BCE e os mercados.

 

Lagarde viria a corrigir o tiro numa entrevista posterior à CNBC: "Estou completamente comprometida para evitar qualquer fragmentação neste momento difícil para a Zona Euro. Altos 'spreads' dificultam a transmissão da política monetária", afirmou. 

 

Contudo, o "estrago" já estava feito. Os juros italianos a dez anos estão a subir 59,6 pontos base para os 1,769% e até França, a segunda maior economia da Zona Euro, vê os juros a dez anos subirem 19,4 pontos base para os -0,125%. 


Euro desliza quase 1%
A divisa europeia está a perder 0,86% para 1,1173 dólares, e, no acumulado da semana, a perda já chegou a ser de 3%. O dólar ganha força depois de a Fed de Nova Iorque ter anunciado medidas adicionais de estímulo, que passam por comprar obrigações.  


Petróleo afunda 10% com quebra na aviação

O barril de Brent, negociado em Londres e referência para a Europa, está a deslizar 8,61% para os 32,71 dólares, mas já chegou a afundar 9,14%, aproximando-se de mínimos de fevereiro de 2016.

O "ouro negro" volta a cair fortemente depois de o presidente Donald Trump ter anunciado que vão ser proibidas as viagens da Europa para os Estados Unidos durante os próximos 30 dias, o que representa um problema em termos da procura de petróleo, que alimenta as deslocações aéreas.

Por esta altura, o Brent do mar do Norte já perdeu quase metade do valor que tinha no início do ano. Esta segunda-feira, o barril desvalorizou mais de 30%, depois de a Arábia Saudita ter decidido aumentar a produção. Os sauditas quiseram pressionar a Rússia, um país aliado que não concordou com os cortes de produção que estavam a a ser planeados pelo cartel dos maiores exportadores. Nesse dia, as maiores cotadas do setor que estão inseridas no Stoxx600 viram a maior quebra desde a Guerra do Golfo, em 1991.

Ouro desliza quase 5%

O ouro, que em períodos de incerteza tem tendência a valorizar por ser considerado um ativo refúgio, também não está a resistir ao nervosismo criado pelo surto de coronavírus. O metal amarelo está a cair mais de 3% e já chegou a descer a um mínimo de 1.560,87 dólares por onça, correspondente a uma queda de 4,54%. Os analistas consultados pela Bloomberg atribuem esta queda à necessidade dos investidores de cobrirem as perdas que estão a enfrentar no mercado de capitais.

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