Mercados Fecho dos mercados: Bolsas sobem com fé em acordo comercial. Ouro com pior semana desde março

Fecho dos mercados: Bolsas sobem com fé em acordo comercial. Ouro com pior semana desde março

A Europa fechou a semana com os maiores ganhos desde fevereiro. As negociações do acordo comercial entre China e Estados Unidos, que estão a acontecer em paralelo com as conversações para o acordo do Brexit, estão envoltas num otimismo que contagia os mercados.
Fecho dos mercados: Bolsas sobem com fé em acordo comercial. Ouro com pior semana desde março
Ana Batalha Oliveira 11 de outubro de 2019 às 17:30

Os mercados em números

PSI-20 subiu 1,20% para os 5.003,07 pontos

Stoxx 600 avançou 2,30% para os 391,58 pontos

S&P500 ganha 1,50% para os 2.982,35 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos agravaram 0,2 pontos base para os 0,2%

Euro aprecia 0,40% para os 1,1049 dólares

Petróleo em Londres valoriza 1,66% para os 60,86 dólares por barril

Europa tem maior subida semanal desde fevereiro

As principais bolsas europeias fecharam com valorizações expressivas, entre 1% e 2%. O agregador das 600 maiores cotadas europeias, o Stoxx600, avançou 2,30% para os 391,58 pontos, contando a terceira sessão no verde. No acumular da semana, os ganhos foram de 2,99%, o melhor registo desde a semana que terminou a 15 de fevereiro. 

As bolsas internacionais estão animadas depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter deixado indicações positivas sobre as negociações de alto nível que acontecem com o vice-primeiro-ministro da China, Liu He, hoje em Washington. O líder da Casa Branca disse, através da conta Twitter, que "estão a acontecer coisas boas nas negociações comerciais com a China" e fez referência a "sentimentos mais calorosos do que no passado recente". Trump assegurou ainda que "todos gostariam de ver qualquer coisa importante acontecer" depois de no dia anterior ter deixado em aberto, na mesma rede social, se estaria com vontade de assinar um acordo.

Mais perto, as negociações entre a União Europeia e o Reino Unido em relação ao Brexit também parecem estar a correr de feição, o que vem dar mais motivos de alívio para os investidores. O chefe da missão negocial da UE, Michel Barnier, disse que a conversa que ocorreu hoje entre ambas as partes foi "construtiva". De qualquer forma, Bruxelas exige que Boris Johnson apresente uma nova proposta ainda esta sexta-feira, caso contrário "não haverá mais nenhuma oportunidade".

Por cá, o PSI-20 também ostentou um desempenho positivo. Este índice somou 1,20% para os 5.003,07 pontos, impulsionado sobretudo pelas papeleiras e pelo banco BCP.

Juros portugueses agravam pela primeira semana em quatro

Os juros da dívida portuguesa a dez anos viram um avanço de 0,2 pontos base para os 0,2%, completando um ciclo de três sessões de subidas. No acumulado da semana, os juros da dívida nacional somam 6,4 pontos base, depois de três semanas de alívio. Apesar da trajetória ascendente, a taxa remuneratória das obrigações nacionais mantém-se abaixo da exigida pelos investidores a Espanha, que hoje se cifrou nos 0,235%.

Para os analistas do Barclays, a aposta em obrigações portuguesas é para continuar, pois consideram que o spread entre os juros portugueses a dez anos e os juros espanhóis no mesmo prazo ainda pode aumentar mais, de acordo com uma nota de análise citada esta sexta-feira, 11 de outubro.


Libra tem melhores dois dias numa década

A moeda britânica já não tinha dois dias consecutivos com ganhos tão expressivos há uma década. Esta sexta-feira, a libra soma 1,71% para os 1,2656 dólares, tendo chegado a tocar um máximo do início de julho. Ontem, a subida foi de 1,94% e esta divisa mantém a tendência ascendente há quatro sessões consecutivas. No conjunto da semana, a ascensão da libra é de 2,64%, a maior desde 15 de setembro de 2017.

Os fortes ganhos da moeda britânica acontecem num dia em que há renovadas esperanças de que a União Europeia e o Reino Unido cheguem a acordo quanto ao Brexit, evitando uma saída dura. Já depois de Donald Tusk ter falado em "sinais positivos", a reunião entre as equipas negociais do Reino Unido e da UE foi descrita como "construtiva". Tusk quer que Boris Johnson avance uma nova proposta ainda esta sexta-feira.

A divisa do Velho Continente também alinha no entusiasmo e sobe pela terceira sessão consecutiva, fechando a semana a valorizar 0,40% para os 1,1049 dólares.

Petróleo sobe depois de ataque a petroleiro

Os preços do petróleo em Londres e Nova Iorque ganharam força depois de o Irão ter comunicado um ataque a um dos seus petroleiros no Mar Vermelho, próximo da costa da Arábia Saudita. O navio tinha capacidade para transportar cerca de um milhão de barris de crude e foi atingido por mísseis.

Este incidente ganha especial relevância por ter acontecido poucas semanas depois de as instalações da Saudi Aramco, na Arábia Saudita, terem sido alvo de um ataque com drones que afetou fortemente a sua produção e cuja responsabilidade atribuída ao reino ao Irão. Estes ataques criaram fortes distúrbios do lado da oferta, afetando 5% da produção mundial, e foram seguidos por um aumento de 20% nos preços da matéria-prima.

Esta sexta-feira, o barril de Brent, negociado em Londres e referência para a Europa, está a valorizar 1,66% para os 60,86 dólares, contando a terceira sessão seguida no verde e contribuindo para uma subida semanal de 2,91%.

Ouro vê maior quebra desde março

Em tempos de ânimo nos mercados acionistas, ativos-refúgio como o ouro ficam para trás. O metal amarelo segue com uma quebra de 1,26% para os 1475,16 dólares, ficando pelo vermelho pela segunda sessão consecutiva. No acumular da semana, as perdas cifram-se em 1,97%, a maior descida desde a semana terminada a 1 de março de 2019.




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