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Fecho dos mercados: Crise política faz investidores temer e penaliza bolsas. Real afunda

A instabilidade política nos EUA e no Brasil esteve a penalizar as bolsas europeias, numa sessão em que o real afunda mais de 6%.

Michel Temer Brasil
Reuters
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 18 de Maio de 2017 às 17:29
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Os mercados em números

PSI-20 caiu 0,85% para 5.073,89 pontos

Stoxx 600 cedeu 0,50% para 389,19 pontos

S&P 500 avança 0,16% para 2.360,81 pontos

Juros da dívida a dez anos desceram 0,8 pontos para 3,203%

Euro cede 0,25% para 1,1131 dólares

Brent ganha 0,52% para 52,48 dólares por barril

Trump e Temer pressionam bolsas

O risco político está de volta em força aos mercados. A instabilidade política nos EUA e agora um novo escândalo no Brasil esteve a penalizar as bolsas europeias. O índice Stoxx 600 desceu 0,50%, com os sectores da banca e automóvel a liderarem as descidas no Velho Continente. Esta queda ocorre num dia em que houve novos desenvolvimentos em torno do caso Trump. A Reuters avança esta quinta-feira, 18 de Maio, que Michael Flynn e outros conselheiros da campanha de Donald Trump comunicaram com as autoridades russas e outras pessoas ligadas ao Kremlin em, pelo menos, 18 contactos – telefónicos e emails – durante os últimos sete meses da corrida presidencial do ano passado.

Já no Brasil, surgiu um novo escândalo político, depois da imprensa brasileira ter noticiado que Michel Temer foi apanhado em escutas que mostram tentativas de suborno. Esta notícia precipitou uma forte queda da bolsa brasileira, com o Bovespa a tombar mais de 10%, tendo chegado a estar suspensa a negociação na abertura da sessão.

Em Lisboa, o PSI-20 caiu 0,85%, a descida mais expressiva da Europa, num dia em que as empresas com maior exposição ao mercado brasileiro lideraram as quedas. A EDP tombou 2,19% para 2,989 euros, enquanto a Galp caiu 3,34% para 13,87 euros. Já o BCP esteve a recuperar. Valorizou 2,28% para 0,2151 euros.

Juros tocam mínimos de Outubro

Os juros da República portuguesa terminaram a sessão pouco alterados, depois de dois dias de forte queda, com as yields de Portugal a acompanharem a tendência registada pelos restantes países da periferia. A taxa a dez anos encerrou a ceder 0,8 pontos base para 3,203%, ainda assim chegou cair 5 pontos base para 3,160%, a taxa de juro mais baixa desde o dia 24 de Outubro do ano passado. Já as bunds alemãs caíram 3,5 pontos base para 0,343%, com o prémio de risco do país do país a aumentar para 285,9 pontos.

Euribor estáveis

As taxas Euribor mantiveram-se hoje a três, seis e 12 meses. A taxa a seis meses, a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação e que entrou em terreno negativo pela primeira vez em 06 de Novembro de 2015, manteve-se, ao ser fixada de novo em -0,251%. A Euribor a três meses, em valores negativos desde 21 de Abril de 2015, também voltou hoje a ser fixada em -0,331%. No prazo de 12 meses, a taxa Euribor manteve-se em -0,129%, actual mínimo de sempre, registado pela primeira vez em 17 de maio.

Temer afunda real

O real brasileiro está a afundar 6,38%, a reagir ao escândalo político no Brasil, depois de terem sido divulgadas escutas que envolvem directamente o presidente brasileiro num alegado caso de suborno. O Banco Central do Brasil já avançou com intervenções no mercado cambial para travar a queda da moeda, colocando ofertas para vender 2 mil milhões de dólares. Um operador citado pela Bloomberg diz que não tem memória de um leilão desta dimensão.

Petróleo valoriza à espera de acordo na OPEP

Os preços do petróleo seguem a valorizar, tendo invertido a tendência negativa que marcou grande parte da sessão, com os investidores a anteciparem um acordo para estender os cortes de produção. O Brent, negociado em Londres, avança 0,52% para 52,48 dólares por barril, enquanto o WTI, em Nova Iorque, sobe 0,51% para 49,32 dólares.

A uma semana da reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), onde os membros do cartel deverão acordar uma extensão do acordo de corte de produção, vários membros já defenderam publicamente que são a favor do prolongamento do acordo. Sete em 13 membros, incluindo a Arábia Saudita, manifestaram-se favoráveis a manter a redução até ao final do ano.

Ouro perde brilho

O novo ambiente de instabilidade política nos EUA ajudou o ouro a prolongar os ganhos registados este ano, mas o metal precioso perdeu lustro esta quinta-feira. Os preços do ouro cedem 0,64% para 1.253,34 dólares por onça, um movimento que coincidiu com a recuperação das bolsas norte-americanas, que seguem a valorizar. Desde o início do ano o metal sobe mais de 9%.

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