Mercados Fecho dos mercados: Guerra comercial leva bolsas ao tapete e dita queda de 3% no petróleo

Fecho dos mercados: Guerra comercial leva bolsas ao tapete e dita queda de 3% no petróleo

A imposição de novas tarifas aduaneiras por parte da China sobre produtos dos EUA provocou um revés nos mercados europeus, que inverteram e terminaram o dia em queda. O petróleo e o setor automóvel são os mais prejudicados.
Fecho dos mercados: Guerra comercial leva bolsas ao tapete e dita queda de 3% no petróleo
Reuters
Gonçalo Almeida 23 de agosto de 2019 às 17:22

Os mercados em números

PSI-20 desceu 1,33% para 4.792,47 pontos

Stoxx 600 perdeu 0,78% para 371,36 pontos

S&P500 cai 1,7% para 2.872,67 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos descem 0,9 pontos base para 0,154%

Euro aprecia 0,5% para 1,110 dólares

Petróleo em Londres cai 2,1% para 58,67 dólares o barril

 

Retaliação da China contra os EUA levou mercados ao tapete  

Apesar do início de sessão positivo para a Europa, o Stoxx 600, índice que reúne as 600 maiores cotadas da região, terminou o dia a cair 0,78% para 371,36 pontos. A retaliação da China com a imposição de novas tarifas aduaneiras sobre bens norte-americanos avaliados em 75 mil milhões de euros, representou um revés no sentimento.

As taxas aduaneiras impostas estarão entre os 5% e os 10% e começarão a ser aplicadas de forma faseada: primeiro, a 1 de setembro, e mais à frente, uma nova vaga de tarifas será imposta a 15 de dezembro. Em causa estão vários tipos de produtos, como carros, aeronaves ou grãos de soja. 

Como consequência, o sector automóvel liderou as quedas setoriais na Europa, com a Daimler e a BMW a caírem perto de 3%. 

O discurso do Presidente da Reserva Federal dos EUA, Jerome Powell, trouxe pouca clareza quanto ao rumo que o banco central da maior economia do mundo irá tomar, o que também contribuiu para o pessimismo dos investidores.  
 

O índice PSI-20 fechou a sessão a perder 1,33% para 4.792,47 pontos, com 14 cotadas no vermelho, três inalteradas no valor de fecho de quinta-feira e apenas uma em alta (a exceção foram os CTT, que ganharam 0,21% para 1,878 euros).

A bolsa nacional, que transacionou no valor mais baixo da última semana, completou assim mais uma semana com saldo acumulado negativo, o que significa que são já seis as semanas seguidas em que a praça lisboeta perde valor, a série mais longa desde setembro de 2015. 

Juros caem com aumento de receios

Os juros da dívida soberana na Zona Euro assumiram uma tendência de queda, devido ao escalar de preocupações com uma desaceleração económica global.

A "yield" da dívida portuguesa a 10 anos escorrega 0,9 pontos base para 0,154%. O "benchmark" do bloco, a taxa da dívida alemã com a mesma maturidade, caiu 3,1 pontos base para os –0,680%. A "yield" a 10 anos do Tesouro dos EUA perde 8,8 pontos base para 1,525%.

 

Indefinição da Fed e retaliação da China pesam no dólar 
A moeda oficial dos Estados Unidos não escapou ao agudizar da tensão comercial entre os EUA e a China e deprecia 0,46% contra um cabaz de outras moedas rivais. O segundo dia consecutivo a cair foi precipitado também pelo discurso pouco claro de Jerome Powell e pela resposta severa de Donald Trump, através do seu Twitter. 

O euro aprecia 0,5% para os 1,11 dólares. 

 

Petróleo afundou após tarifas chinesas

A matéria-prima foi uma das visadas na nova tranche de tarifas alocadas pela China sobre produtos dos Estados Unidos e o seu preço ressentiu-se após o anúncio. O Brent, negociado em Londres e que serve de referência para Portugal, desvaloriza 2,1% para os 58,67 dólares por barril. O crude norte-americano perde 3,13% para os 53,63 dólares por barril.

Ouro sobe com escalar de tensão comercial

Sendo um ativo que serve de refúgio em alturas de maior risco nos mercados de ações, hoje o ouro aproveitou o agudizar de tom na guerra comercial entre a China e os EUA para se valorizar. O metal precioso voltou a subir 1,88% para 1.526 dólares por onça. Recentemente, o ouro superou a barreira dos 1.500 dólares a onça pela primeira vez desde 2013.  




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