Mercados num minuto Fecho dos mercados: Juros da dívida em mínimos históricos e ouro em alta com investidores a fugir do risco

Fecho dos mercados: Juros da dívida em mínimos históricos e ouro em alta com investidores a fugir do risco

As bolsas do Velho Continente registaram a maior queda das últimas duas semanas, com as tensões comerciais e geopolíticas a pesarem. Este clima de incerteza leva os investidores a procurarem ativos mais seguros, como as obrigações soberanas, o que está a fazer com que os juros da dívida marquem novos mínimos históricos. Também o ouro beneficia do estatuto de valor-refúgio, a negociar em máximos de mais de um ano. Já a maior oferta de crude tem pressionado o petróleo, com a subida de ontem e de hoje a não serem suficientes para um saldo semanal positivo.
Fecho dos mercados: Juros da dívida em mínimos históricos e ouro em alta com investidores a fugir do risco
Reuters

Os mercados em números

PSI-20 cedeu 0,4% para os 378,81 pontos

Stoxx 600 recuou 1,23% para os 5.130,35 pontos

S&P 500 perde 0,31% para 2.882,68 pontos

"Yield" a 10 anos de Portugal alivia 3,7 pontos base para 0,598%

Euro cai 0,41% para 1,1230 dólares

Petróleo valoriza 0,83% para 61,82 dólares por barril em Londres

 

Bolsas europeias com maior queda em duas semanas

As principais praças europeias fecharam esta sexta-feira, 14 de junho, em terreno negativo, incluindo a bolsa nacional. Depois de ter arrancado o dia no verde, o Stoxx 600, o índice que agrega as 600 principais cotadas europeias, encerrou com uma desvalorização de 0,4% para os 378,81 pontos, a maior queda em duas semanas. Ainda assim, o saldo semanal foi positivo (+0,35%). 

"Esta última sessão da semana foi negativa para as bolsas europeias, incluindo para a nacional", assinalam os analistas do BPI no comentário de fecho. A pesar no Stoxx 600 estiveram as cotadas tecnológicas (-1,8%) e as do setor automóvel (-0,9%), duas categorias que são sensíveis à conjuntura internacional. 


Nos EUA, as bolsas também seguem em baixa numa altura em que o dólar segue em alta após a divulgação do forte crescimento das vendas do retalho, o que sugere que a economia está saudável e não precisa, para já, de corte nos juros diretores como se tem debatido nas últimas semanas.

De manhã a negociação ficou marcada pelos dados da economia chinesa. A produção industrial na China desiludiu ao registar um crescimento de 5%, o mais baixo desde 2002.

Ainda na mente dos investidores continuam as fricções comerciais entre Washington e Pequim que continuam assim a ser um dos fatores de pressão nas bolsas, bem como as tensões geopolíticas que se intensificam no Médio Oriente. 

Com praticamente todas as praças europeias em queda, também o PSI-20 encerrou em baixa: cedeu 1,23% para os 5.130,35 pontos. A bolsa nacional registou a maior queda num mês e fechou em mínimos de uma semana. 
 

Juros da dívida soberana caem generalizadamente na Europa

Os juros das dívidas soberanas continuam a cair na Europa, devido à maior aposta dos investidores neste tipo de ativos, que são considerados mais seguro. Com efeito, com o clima de incerteza, muito à conta das tensões comerciais, os investidores preferem refugiar-se nas obrigações soberanas, o que faz cair as rendibilidades.

Esta sexta-feira, os juros portugueses marcaram um novo mínimo histórico, nos 0,597%. A "yield" das obrigações do Tesouro a 10 anos segue neste momento a aliviar 3,7 pontos base para 0,598%.

Na Alemanha, a tendência é igual, também com novos mínimos históricos. Os juros das bunds a 10 anos seguem a descer 1,3 pontos base para 0,257%. E o mesmo acontece com Espanha, com as suas "yields" da mesma maturidade a atingirem o nível mais baixo de sempre, a recuarem 4,5 pontos base para 0,492%. Também em Itália e França estão hoje a aliviar, seguindo a ceder 4,1 e 1,7 pontos base, respetivamente, para 2,312% e 0,091%.

 

Dólar em máximos de uma semana com bons dados económicos

A "nota verde" atingiu esta sexta-feira máximos de uma semana, impulsionada pelos bons dados relativos às vendas a retalho e à produção industrial de maio nos Estados Unidos. Além disso, está a beneficiar de uma maior procura por parte dos investidores que procuram ativos mais seguros.

O índice da Bloomberg para o dólar avança assim 0,3% na sessão desta sexta-feira. Face à moeda única europeia, é também essa a tendência, com o euro a ceder 0,41% para 1,1230 dólares.

 

Petróleo sobe hoje mas cai na semana

As cotações do "ouro negro" seguem em alta nos principais mercados internacionais, a manterem o movimento de subida de ontem – motivado pelos ataques a petroleiros no Golfo de Omã. No entanto, o saldo da semana deverá ser negativo, uma vez que estes ataques a petroleiros no Médio Oriente foram contrabalançados pelo aumento das reservas norte-americanas de crude.

Além disso, a Agência Internacional da Energia (AIE) estima que a oferta mundial de petróleo aumente muito mais do que a procura no próximo ano, o que pressionará ainda mais a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e os seus aliados (como a Rússia), o chamado grupo OPEP +, a prolongar o acordo de corte da produção. A AIE projeta que em 2020 a procura mundial de crude aumente para 1,4 milhões de barris por dia, mas esse incremento será eclipsado pelo esperado aumento da produção para 2,3 milhões de barris diários – muito à conta da maior exploração de petróleo de xisto betuminoso nos EUA e também de novos campos no Brasil, Noruega e Canadá. Também as tensões comerciais têm pressionado, já que se intensificam os receios de uma menor procura por esta matéria-prima.


O West Texas Intermediate (WTI) para entrega em julho segue a somar 0,36% para 52,47 dólares por barril. Também o Brent do Mar do Norte – que é negociado em Londres e serve de referência às importações portuguesas – segue no verde, com os preços do contrato para entrega em agosto a valorizarem 0,83% para 61,82 dólares.

 

Ouro acima dos 1.350 dólares com tensões no Irão

O ouro segue a ganhar terreno, tendo superado a fasquia dos 1.350 dólares por onça, com o intensificar das tensões geopolíticas a fazer com que haja mais procura por ativos considerados seguros, como é o caso do ouro, das obrigações do Tesouro dos EUA e de moedas como o dólar, iene e franco suíço. O metal amarelo está assim a valer-se do seu estatuto de valor-refúgio, numa altura em que sobem de tom as tensões no Médio Oriente, com a Administração Trump a acusar o Irão de ser o responsável pelos ataques a dois petroleiros. Além disso, Larry Kudlow, conselheiro económico da Casa Branca, advertiu a China de que sofrerá consequências se recusar o convite para retomar as conversações comerciais.

O ouro para entrega imediata sobe 1,2% para 1.358,26 dólares por onça em Londres, a caminho da quarta semana consecutiva de ganhos – a mais longa série desde janeiro e o valor mais alto em mais de um ano. Segundo Rhona O’Connell, analista da INTL FCStone Inc., o metal precioso poderá chegar aos 1.400 dólares este ano, Já o multimilionário Paul Tudor Jones declarou esta semana que o ouro é o seu ativo favorito para os próximos 24 meses e que se o preço chegar aos 1.400 dólares por onça rapidamente poderá ascender ao patamar dos 1.700 dólares.




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