Mercados num minuto Fecho dos mercados: Bolsas afundam, juros disparam e investidores procuram refúgio

Fecho dos mercados: Bolsas afundam, juros disparam e investidores procuram refúgio

A primeira sessão da semana foi marcada por quedas expressivas nas principais bolsas europeias e que foram seguidas pelas praças de Wall Street. Os investidores revelaram preocupações com o rumo da economia mundial e procuraram activos percepcionados como mais seguros, como é o caso do iene e do ouro.
Fecho dos mercados: Bolsas afundam, juros disparam e investidores procuram refúgio
Bloomberg
Raquel Godinho 08 de fevereiro de 2016 às 17:25

Os mercados em números

PSI-20 desceu 2,80% para 4.771,34 pontos

Stoxx 600 cedeu 3,54% para 314,36 pontos

S&P 500 desvaloriza 2,21% para 1.838,45 pontos

"Yield 10 anos de Portugal subiu 25,1 pontos base para 3,384%

Euro sobe 0,12% para 1,1172 dólares

Petróleo cai 1,50% para 33,55 dólares por barril em Londres

 

Bolsas europeias com quedas entre 2% e 4%


A primeira sessão da semana trouxe perdas significativas para as principais bolsas do Velho Continente que oscilaram entre os 2% e os 4%. A excepção foi o índice grego que desceu mais de 10% para mínimos de 1990. As bolsas da Europa atingiram os valores mais baixos em mais de um ano, num dia em que se acentuaram os receios dos investidores em torno do desempenho da economia mundial. O índice de referência da Europa, o Stoxx 600, caiu 3,54% para 314,36 pontos. Num dia de quedas generalizadas o sector financeiro registou as quedas mais acentuadas.

 

O mercado português não escapou à tendência negativa e o PSI-20 cedeu 2,80% para 4.771,34 pontos, completando cinco sessões consecutivas em queda.  Num dia em que 16 das 17 cotadas do índice de referência fecharam em "terreno" negativo, a Altri, a Teixeira Duarte e a Nos protagonizaram as quedas mais acentuadas. A empresa de pasta e papel caiu 7,11% para os 3,242 euros, enquanto a construtora perdeu 5,54% para os 0,273 euros e a dona da TV Cabo desvalorizou 5,52% para os 5,934 euros. Na banca, o BCP depreciou 1,32% para os 0,373 euros e o BPI desceu 0,98% para os 1,009 euros.

 

Juros a 10 anos registam maior subida em oito meses


O maior pessimismo dos investidores não se fez sentir apenas nos mercados accionistas. Os investidores exigiram juros mais elevados para apostar na dívida dos países do sul da Europa. No caso português, as "yields" subiram em todos os prazos e, na maturidade de referência, a dez anos, registaram mesmo a maior subida em oito meses. Os juros subiram
25,1 pontos base para 3,384%, máximos de Outubro de 2014. Com a queda dos juros da dívida alemã, diferencial face à dívida portuguesa atingiu os 316,6 pontos, tendo superado os 300 pontos base pela primeira vez desde Março de 2014.

 

Euribor renovam mínimos históricos em "terreno" negativo


As taxas Euribor voltaram a desvalorizar, atingindo os valores mais baixos de sempre. A taxa a três meses, em valores negativos desde Abril do ano passado, caiu para -0,169%. Já a taxa a seis meses, indexante utilizado em mais de metade dos créditos à habitação em Portugal, recuou para -0,107%, um novo mínimo histórico. A taxa a 12 meses, que passou a situar-se abaixo de 0% pela primeira vez na sexta-feira, recuou para -0,005%, o valor mais baixo de sempre.

 

Iene em máximos de um ano

Com o aumento da turbulência nos mercados financeiros, à custa dos receios em torno do rumo da economia mundial, cresceu a procura por activos percepcionados como mais seguros. É o caso do iene que, depois de na semana passada ter vivido a melhor semana desde 2009, negoceia em máximos de um ano face ao dólar, esta segunda-feira. A divisa está a valorizar contra todas as 16 moedas mais negociadas. O iene avança 0,95% para 0,008640 dólares, depois de ter já estado a subir mais de 1%.  

 

Petróleo em queda pelo terceiro dia


Os preços do petróleo estão a cair em ambos os mercados de referência, esta segunda-feira, seguindo o desempenho negativo dos mercados accionistas. Além disso, o ministro do Petróleo da Arábia Saudita, Ali al-Naimi, revelou em comunicado que desenvolveu um encontro com o congénere venezuelano, este domingo, em Riyadh, não tendo sido referidos os passos a seguir para equilibrar a oferta no mercado. Em Nova Iorque, o West Texas Intermediate (WTI) cede 2,01% para os 30,27 dólares por barril, enquanto em Londres, o Brent, que serve de referência às importações portuguesas, deprecia 1,50% para 33,55 dólares por barril.   

 

Ouro em máximos de sete meses


A procura por segurança beneficia o ouro. O metal precioso é um dos activos procurados pelos investidores em períodos de maior instabilidade nos mercados financeiros como o actual que está a ser marcado pelos receios em torno da economia mundial e pela forte queda dos preços das matérias-primas. Com os mercados accionistas em forte queda e os juros da dívida soberana em alta nos países da periferia da Zona Euro, o ouro está a ganhar terreno e negoceia nos valores mais elevados em sete meses. O ouro segue a valorizar 1,64% para os 1.192,62 dólares por onça, completando sete dias de ganhos.

 

Destaques do dia


Juros a dez anos registam maior subida em oito meses
. Numa sessão marcada pelo regresso da turbulência aos mercados de dívida, as obrigações portuguesas são das que mais sofrem. Os juros da dívida a 10 anos registam a maior subida em oito meses, enquanto o prémio de risco supera os 300 pontos base pela primeira vez desde Março de 2014.

 

PSOE quer negociar défice com Bruxelas e propõe "choque" para o emprego. O líder socialista espanhol retoma esta segunda-feira conversações com os outros partidos com base num programa com medidas à esquerda e ao centro. Pedro Sánchez espera conseguir formar Governo até ao final do mês.

 

Obama pede 1,6 mil milhões ao Congresso para combater zika. O fundo de emergência, se aprovado, irá financiar medidas de apoio sanitário nos EUA e de combate ao zika nos países mais afectados pelo vírus.

 

Volkswagen tem planos "generosos" para compensar clientes americanos. Quem o garante é o porta-voz de um fundo de compensações. Na Europa, o grupo automóvel já fez saber que não existirá este tipo de soluções porque a lei não obriga a tal.

 

Risco de Portugal face à Alemanha no valor mais alto desde Março de 2014. As taxas das obrigações portuguesas, italianas e espanholas disparam, com a instabilidade das bolsas a propagar-se aos mercados de dívida.

 

Apollo fica com Açoreana Seguros. O fundo norte-americano Apollo vai ficar com a Açoreana, de acordo com um comunicado da Autoridade de Supervisão de Seguros. Há pré-acordo para a compra e para a capitalização da seguradora de que o Banif era accionista.

 

O que explica a inesperada força do euro? Maus dados nos EUA, diz o Natixis. A divergência entre as políticas monetárias dos EUA e da Zona Euro fazia antever uma fraqueza do euro. Mas só na última semana, a moeda única ganhou mais de 3% face à "nota verde".

 

 

Galp lucra 639 milhões se excluído o efeito do "stock". No conjunto de 2015, os lucros ajustados da petrolífera nacional atingiram 639 milhões de euros, mais 71,5% que no ano anterior. A rentabilidade, medida pelo EBITDA, também subiu. Ficou nos 1,5 mil milhões.

 

O que vai acontecer amanhã


Matérias-primas.
Arranca, esta terça-feira, em Londres, a semana internacional do petróleo. Um evento que surge numa altura em que os preços do "ouro negro" negoceiam em mínimos de 12 anos.

 

Alemanha. Na maior economia da Zona Euro, serão conhecidos os dados relativos à evolução da balança comercial e da produção industrial, em Dezembro. Quanto ao último indicador, os economistas estimam que a produção industrial tenha aumentado 0,5%, depois de ter recuado 0,3% no mês anterior. 




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