Taxas de juro Fed confirma primeiro corte de juros em 10 anos

Fed confirma primeiro corte de juros em 10 anos

Tal como era esperado pelo mercado, a entidade liderada por Jerome Powell confirmou o primeiro corte de juros em mais de 10 anos. A entidade justifica a decisão com as incertezas ao 'outlook' económico.
Fed confirma primeiro corte de juros em 10 anos
Patrícia Abreu 31 de julho de 2019 às 19:00

A Reserva Federal dos EUA anunciou esta quarta-feira um corte da sua taxa de referência de 25 pontos base. Este corte – o primeiro desde a crise financeira – era amplamente antecipado pelo mercado e coloca fim a uma tentativa de normalização das taxas de juro, nos últimos anos. A entidade justifica a decisão com as incertezas que permanecem na economia e adianta que vai continuar a monitorizar as implicações destas incertezas para a economia, deixando em aberto a possibilidade de novos cortes.

Comité Federal do Mercado Aberto (FOMC, na sigla original) colocou a taxa dos fundos federais num intervalo entre 2% e 2,25%. A última vez em que a entidade tinha descido juros foi em dezembro de 2008, em plena crise financeira, quando a instituição reduziu a taxa para um intervalo entre 0% e 0,25%. Os juros permaneceram em valores nulos durante um período de sete anos, até ao final de 2015.

A Fed realizou o primeiro aumento (de 25 pontos base) em Dezembro de 2015 e posteriormente voltou a aumentar em 25 pontos base a taxa diretora em Dezembro de 2016. Seguiram-se mais três subidas de 25 pontos base em 2017 e mais quatro aumentos em 2018.

"Consistente com o seu mandato, o comité procura promover o máximo de emprego e estabilidade de preços. Face às implicações dos desenvolvimentos globais para o 'outlook' económico, bem como as pressões inflacionistas moderadas, o Comité decidiu baixar o intervalo da taxa dos fundos federais para 2% e 2,25%", anunciou a entidade em comunicado. No mesmo documento, o banco central dos EUA destaca que para as próximas decisões sobre os juros vai continuar a "monitorizar as implicações da informação futura sobre o outlook económico e vai agir de forma apropriada para sustentar a expansão, com um mercado laboral forte e a inflação próxima do seu objetivo de 2%".

A entidade deixa, assim, em aberto a possibilidade de novas descidas de juros, caso as condições económicas e a evolução da criação de emprego dê sinais de abrandamento. Segundo a informação divulgada no mesmo documento, o comité decidirá em função das condições do mercado laboral, indicadores de inflação e desenvolvimentos financeiros e internacionais.

A expectativa, até ao final do ano passado, era que a entidade liderada por Powell continuasse ao longo deste ano a normalizar as taxas de juro. Mas, o presidente da Fed surpreendeu os investidores no início do ano com uma mudança no seu discurso, perante os riscos à economia colocados pela guerra comercial e outros riscos políticos, como o Brexit. Desde então tem vindo a preparar o mercado para uma redução dos juros.

"O cenário para uma política um pouco mais acomodatícia fortaleceu-se", argumentou Jerome Powell, na reunião de junho, adiantando que a entidade a que preside está preparada para usar as ferramentas necessárias para ajudar no crescimento económico. Powell admitiu, entretanto, que as preocupações em torno da política comercial e uma economia global fraca "continuam a pesar nas perspetivas para a economia dos EUA" e que o banco central se mantém "preparado para agir de forma apropriada".

Trump critica... de novo

O presidente norte-americano já reagiu, e com desagrado. Na sua rede social de eleição, o Twitter, Donald Trump escreveu que "Como já é habitual, Powell desiludiu-nos". Isto porque considerou que o corte de 25 pontos base foi insuficiente.

 

"Pelo menos está a acabar com a redução dos estímulos monetários, algo que nem sequer deveria ter começado", acrescentou.



Novas descidas no horizonte?

Mais do que o anúncio de hoje, os analistas consideram que é importante perceber quem se manifestou contra a descida de juros – vários responsáveis têm indicado a sua oposição a um corte das taxas sem evidências de uma travagem na economia – e perceber se Jerome Powell vai mostrar abertura para uma nova mexida nos juros, na reunião de setembro.

"Jerome Powell pode usar a conferência de imprensa desta semana para dar alguma orientação no que poderia levar o Comité a fazer cortes de segurança adicionais para lá de julho", defende o RaboBank, que acredita que a Fed terá que voltar a cortar juros por mais que uma ocasião no futuro.

Além do corte desta reunião, a maioria dos analistas antecipa uma segunda redução depois do verão. "Os nossos economistas esperam que a economia dos EUA permaneça numa tendência saudável, o que deverá limitar a ação da Fed a dois cortes de 25 pontos base este ano (um agora e outro em setembro)", defende o Goldman Sachs.

Juan Ramón Casanovas, responsável pela gestão de carteiras privadas no Bank Degroof Petercam Espanha, também antecipa dois cortes, realçando que "a desaceleração económica provocada essencialmente pela guerra comercial com a China foi o catalisador para esta mudança na política monetária nos EUA".

Ainda que o consenso apontasse para um corte de 25 pontos base, há entidades que esperavam mexidas mais expressivas. "Diante da desaceleração do crescimento económico global, das contínuas tensões comerciais e da perspetiva de um ‘hard Brexit’, o FOMC parece preparado para anunciar uma redução nos juros na sua próxima reunião. Esperamos um corte de 50 pontos base que vai dar início a um novo ciclo de corte nos juros, e achamos que os mercados vão reagir favoravelmente", antecipa Franck Dixmier, responsável global pela dívida da Allianz Global Investors.




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