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Fed provoca aumento nas prestações do crédito da casa

Famílias com contratos indexados à Euribor a 3 meses e revisão no próximo mês vão ver prestação ao banco agravar-se. Mas este poderá não ser, ainda, o fim das mensalidades baratas.

Paulo Moutinho 27 de Junho de 2013 às 00:10
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As prestações do crédito da casa vão começar a aumentar, corrigindo dos actuais mínimos históricos. As famílias portuguesas sentirão já a partir do próximo mês um agravamento dos encargos com o financiamento obtido junto dos bancos, fruto da subida recente das taxas utilizadas como indexante nos empréstimos, as Euribor. Um movimento explicado pela expectativa quanto à redução da liquidez no sistema financeiro perante, entre outros factores, a mudança de discurso por parte da Reserva Federal dos EUA.

Depois de meses consecutivos em queda, que atiraram as Euribor para mínimos históricos, este mês as taxas corrigiram. "As expectativas criadas em torno do BCE poder adoptar uma política de taxas de depósito negativas empurrou violentamente as Euribor para baixo. Com o dissipar destas expectativas, é natural" a correcção, diz Miguel Gomes da Silva, director da sala de mercados do Montepio. No prazo a 3 meses, a Euribor avançou até 0,225%, já a 6 meses chegou a 0,345%, ambos máximos de Fevereiro.

Esta inversão reflecte, essencialmente, "a diminuição da liquidez excedentária no sistema bancário", diz Filipe Garcia, economista da Informação de Mercados Financeiros. Num contexto de "alteração da actuação da Fed", remata Paula Gonçalves Carvalho, economista do BPI. A retirada de estímulos à economia nos EUA, reduzindo a quantidade de dólares injectados no mercado, está a contagiar a Zona Euro explica Miguel Gomes da Silva: "Menos estímulos implicam menor liquidez, logo taxas mais elevadas".

A subida das taxas "terá um impacto muito ligeiro de agravamento nas prestações de crédito que, de qualquer forma, permanecerão em mínimos históricos", diz Paula Carvalho. Para os créditos indexados à taxa a 3 meses, haverá uma subida ténue: 0,04%, face à anterior revisão. "As famílias que têm indexação a 6 meses vão notar uma queda muito ligeira nas prestações, pois a média da Euribor em Dezembro foi ligeiramente superior à deste mês", nota Filipe Garcia.

Uma simulação realizada pelo Negócios mostra que num crédito de 100 mil euros a 30 anos, ao qual tenha sido atribuído um "spread" de 0,7%, com revisão em Julho, haverá um agravamento de 0,14 euros para 317,48 euros na mensalidade de Agosto, dada a subida da Euribor a 3 meses em Junho. Para os contratos com revisão no próximo mês será a segunda vez consecutiva que a factura aumenta. Nos créditos com Euribor a 6 meses, a descida será de 0,23 euros (-0,07%), a menor em mais de um ano e meio. Cai para 322,51 euros.

A subida recente não significa que acabaram as prestações baixas. "O ritmo de subida das Euribor deverá abrandar e manter-se estável em torno dos níveis actuais, enquanto o BCE não der sinais de que irá alterar a sua política monetária", diz o director da sala de mercados do Montepio. "Pode até ser revertida, dado que o BCE se encontra numa fase diferente da política monetária (face à Fed) pois a Europa está ainda em recessão enquanto nos EUA os sinais são já de alguma robustez na recuperação", remata Paula Carvalho. Daí que a "postura do BCE terá de permanecer bastante acomodatícia a médio prazo para compensar os restantes efeitos restritivos sobre a actividade", conclui.

 
Avaliação das casas com maior ciclo de subidas desde 2011

Os bancos voltaram a aumentar o valor da avaliação dos imóveis. Depois de já ter subido em Abril, repetiu-se a valorização em Maio, algo que já não acontecia desde Abril de 2011. Segundo o INE, o valor do metro quadrado das habitações fixou-se, no mês passado, em 996 euros, um aumento de 1,2% face ao mês anterior. Ainda que em termos homólogos a evolução continue a ser de queda (-4,96%). "Esta variação, que estará influenciada por mudanças significativas nas tipologias das habitações avaliadas, resultou, em grande medida, dos aumentos de 1,9% e 3,8% nos valores médios de avaliação nas regiões de Lisboa (1.168 euros) e do Algarve, respectivamente", diz o INE. O Algarve voltou, assim, a ser a região onde a avaliação feita pelos bancos é a mais elevada (1.228 euros), superando a Madeira que desde Agosto era a região mais cara.

 

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