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Galp afunda mais de 3% na bolsa de Lisboa com queda do petróleo para mínimos de cinco anos

A queda do preço do petróleo nos mercados internacionais está a afectar o desempenho da Galp na bolsa de Lisboa. A cotada fecha em terreno negativo há cinco sessões consecutivas.

1039 – Galp Energia – A petrolífera liderada por Carlos Gomes da Silva surge na posição 1.039 da lista, sendo a segunda maior cotada portuguesa. Perdeu 195 posições face ao “ranking” de 2014.
Bloomberg
André Cabrita-Mendes andremendes@negocios.pt 10 de Dezembro de 2014 às 18:58
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A petrolífera registou a terceira maior queda na bolsa de Lisboa na sessão desta quarta-feira, 10 de Dezembro. A Galp afundou 3,33% para 8,176 euros pressionada pela queda do preço do barril. A acção está agora em mínimos de dois anos e meio, desde Junho de 2012.

 

Desde o início do ano que a cotada perdeu 26,85%. Contudo, depois do seu máximo este ano, registado a 20 de Junho, a Galp afundou 36,45%. Mais de metade desta desvalorização (-20,26%) teve lugar desde o final de Novembro, quando a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decidiu manter a sua torneira aberta. A OPEP é responsável por 40% do petróleo mundial e actualmente está a produzir 30 milhões de barris diários.

 

O barril de Brent, de referência para Portugal, está a negociar nos 64,45 dólares, uma queda de 3,58%. É a primeira vez em cinco anos que o preço do barril cai abaixo dos 65 dólares.

 

Em Nova Iorque, o barril de West Texas Intermediate perde 4,04% para 61,24 dólares e negoceia também em mínimos de 2009.

 

As cotadas europeias do sector estão a ser afectadas pela queda nos mercados. O índice Stoxx 660 'Oil and Gas' - que agrega as 33 maiores petrolíferas europeias - recuou hoje 1,88%. Esta semana já perdeu mais de 8%. A holandesa Fugro liderou hoje as perdas ao recuar mais de 11%.

 

O preço do petróleo agravou hoje as suas perdas depois da OPEP ter revisto em baixa as suas previsões de consumo para o próximo ano. Ao mesmo tempo, o Kuwait está a vender o seu crude com descontos aos seus clientes asiáticos (3,95 dólares por barril) como forma de manter a sua quota de mercado. 

 

Desde a reunião da OPEP que o preço do petróleo acentuou as suas quedas. O petróleo entrou em mercado urso ("bear market") depois de alcançar um máximo anual durante o mês de Junho. Desde então, o preço do barril em Londres e Nova Iorque já caiu mais de 40%.

 

O abrandamento económico global está a provocar um recuo no consumo do petróleo. O preço do barril iniciou a sua queda este ano depois de ter surgido a especulação que a OPEP não iria reduzir a sua produção para manter os preços estáveis. O cartel rejeitou fechar as suas torneiras e com a mesma quantidade de petróleo a chegar aos consumidores, os países produtores estão a competir por manter as quotas de mercado.

 

Isto levou a que alguns dos maiores produtores mundiais, como a Arábia Saudita e Iraque, estejam a vender o seu petróleo com desconto na Ásia e na América do Norte.

 

E com a produção nos Estados Unidos a aumentar para máximos de 30 anos, o braço-de-ferro entre a Arábia Saudita, o maior produtor mundial, e os produtores de petróleo de xisto norte-americanos continua para ver quem decide fechar a torneira primeiro.

 

"Porque é que eu deveria reduzir a produção?", questionou hoje o ministro de petróleo saudita, Ali Al-Naimi, citado pela Bloomberg. Isto é um mercado e eu estou a vender num mercado. Porque é que eu deveria cortar?". 

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