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Galp afunda quase 5% após Amorim Energia reduzir posição

A empresa de Américo Amorim, Sonangol e Isabel dos Santos encaixou 485 milhões de euros com a venda de acções abaixo da cotação, o que está a conduzir os títulos na bolsa para a maior queda em três meses.  

Sara Matos

As acções da Galp Energia reagiram em forte queda à redução da posição do seu maior accionista, já que a Amorim Energia vendeu os títulos com um desconto de 5% (normal neste tipo de operações) face ao preço de fecho de quinta-feira.

 

Esta manhã as acções da Galp Energia caem 4,79% para 11,715 euros, o que corresponde à maior queda desde Junho. Ainda assim, os títulos continuam a negociar acima do preço a que a Amorim Energia efectuou ontem a colocação (11,69 euros).

 

Numa reacção a esta operação, a Haitong refere na nota diária enviada hoje a clientes que a venda de acções tem um impacto negativo na Galp Energia, já que os títulos foram colocados no ponto mais baixo do intervalo pré-definido.

 

O banco de investimento lembra que a Galp Energia, já antes desta colocação, tinha recuado 8% face aos máximos recentes, pelo que a Amorim Energia vende as acções com um desconto de 13% face à cotação mais elevada atingida em Agosto.

  

Ainda assim, "os investidores não devem olhar para esta venda de acções como uma mensagem negativa por parte do principal accionista em relação ao futuro da empresa", assinala o analista Filipe Rosa, que relaciona esta operação com a necessidade de a Amorim Energia reduzir o seu endividamento. O analista do Haitong não espera que a Amorim Energia volte a reduzir a posição na Galp Energia.  

 

Encaixe de 484,7 milhões

 

A Amorim Energia vendeu uma fatia de 5% da Galp, por 484,7 milhões de euros, passando, assim, a deter uma posição na petrolífera de 33,34%, foi anunciado.

O processo de venda foi conhecido durante a tarde desta quinta-feira, 15 de Setembro, e por volta das 22:00 foi divulgada a comunicação de que a operação tinha sido concluída.

Em comunicado ao mercado refere-se que a Amorim Energia vendeu "em oferta particular" 41.462.532 acções da Galp, a um preço por cada título de 11,69 euros, menos 5% que o preço de fecho desta quinta-feira, que ficou nos 12,305 euros. Com isto a Amorim Energia arrecada 484,69 milhões de euros, foi referido em comunicado. A venda foi coordenada pela Société Générale.

A liquidação da oferta acontecerá a 20 de Setembro, dia a partir do qual a Amorim Energia continuará com uma minoria de bloqueio nos 33,34%, percentagem aliás que detinha antes de em 2012 ter comprado 5% à Eni por 590 milhões de euros. Foi um bloco equiparado àquele que comprou à italiana que vendeu agora nesta oferta privada. Na altura a Amorim Energia comprou essa posição à Eni como forma de viabilizar a saída da ENI do capital social da Galp, conforme notado pela Amorim Energia no comunicado anterior que fez ao mercado a anunciar a colocação de 5% no mercado.

 

A Amorim Energia é detida pelo empresário Américo Amorim (55%) e a angolana Esperaza - controlada pela Sonangol e que integra no capital Isabel dos Santos - (45%). 

A Amorim Energia não explica porque faz a venda neste momento, mas se o encaixe de perto de quase 485 milhões for repartido pelos accionistas a Esperaza fica com 218,25 milhões de euros e o grupo Américo Amorim com 266,75 milhões de euros. Dos 218 milhões, a Sonangol, que agora tem como presidente do conselho de administração Isabel dos Santos, fica com quase 120 milhões de euros e a própria empresária com 98 milhões de euros, já que a Sonangol detém 55% da Esperaza e Isabel dos Santos os restantes 45%.

Isabel dos Santos foi nomeada presidente da Sonangol para reorganizar a carteira de negócios da petrolífera estatal angolana e suas subsidiárias.

 

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