Research Haitong: Taxas negativas no crédito são "potencialmente negativas" para os bancos

Haitong: Taxas negativas no crédito são "potencialmente negativas" para os bancos

Os partidos de esquerda pretendem apresentar uma proposta para forçar os bancos a aplicarem taxas finais negativas no crédito à habitação. Uma medida que traria mais pressão para os bancos, diz o Haitong.
Haitong: Taxas negativas no crédito são "potencialmente negativas" para os bancos
Bruno Simão
Raquel Godinho 05 de abril de 2016 às 09:29

PS, PCP e Bloco de Esquerda anunciaram, na semana passada, que pretendem apresentar uma proposta legislativa que determine que os bancos terão que aplicar taxas negativas nos empréstimos, mesmo quando a média da Euribor for tão negativa que anule o "spread". Uma proposta que, segundo o Haitong, colocará "pressão adicional" sobre o sistema financeiro.

 

Foi conhecida, na semana passada, a intenção dos partidos de esquerda de clarificar a legislação actual sobre a aplicação de taxas negativas. Contudo, a apresentação da proposta, prevista para a passada sexta-feira, foi adiada. Uma das questões por afinar diz respeito à forma como as taxas negativas serão aplicadas, isto é, se será amortizado capital em dívida ou devolvido dinheiro ao cliente.

 

Tal como o Negócios revela esta terça-feira, numa audição no Parlamento, o director do Departamento de Supervisão Prudencial do Banco de Portugal, Carlos Albuquerque, salientou que obrigar os bancos a introduzir taxas negativas no crédito e impedir a cobrança de comissões pode "criar maiores dificuldades ao sistema financeiro, gerando perdas e custos posteriores que todos terão de suportar".

 

Uma posição partilhada pelos analistas do Haitong. Carlos Cobo e Juan Carlos Calvo defendem que esta medida é "potencialmente negativa para os bancos portugueses". "Se esta medida for aprovada, colocaria pressão adicional sobre o sistema bancário", sublinham.  

 

"Os bancos portugueses estão a lidar com a baixa geração de receitas no actual ambiente de baixas taxas de juro e para o sistema como um todo a rentabilidade apenas regressou para perto do equilíbrio em 2015 depois de quatro anos consecutivos de perdas", acrescentam os mesmos analistas.

 

Ainda assim, o banco de investimento realça que actualmente as Euribor estão perto de 0%, pelo que "as implicações potenciais seriam irrelevantes" e "o risco aumentaria se as taxas de juro descessem significativamente face aos níveis actuais".

 

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro. 

 




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