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IGCP aceita reforçar garantias dos bancos nos derivados sobre dívida portuguesa (correcção)

O instituto que gere a dívida do Estado português deverá alterar os contratos com os bancos, no que diz respeito aos derivados sobre dívida pública portuguesa, passando a apresentar um colateral, com vista a diminuir o risco em que estes bancos incorrem.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 27 de Julho de 2010 às 18:17
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(corrige notícia para dar conta que os colaterais serão para os contratos derivados e não para a colocação de dívida)

A notícia está a ser avançada pela publicação especializada Risk.net, que cita o presidente do Instituto de Gestão do Crédito Público, Alberto Soares.


Diz a Risk.net que o IGCP vai ser um dos primeiros institutos de um mercado desenvolvido a “sucumbir” à pressão dos bancos que negoceiam a dívida portuguesa. De acordo com a mesma fonte, o IGCP deverá passar a apresentar colaterais bilaterais aos bancos, nas operações de derivados sobre dívida pública portuguesa, que estes podem utilizar em caso de perdas na operação.

Diz o Risk.net que esta medida serve para mitigar os riscos de incumprimento por parte do emissor, neste caso a República Portuguesa. Por outro lado, será um desafio encontrar activos “aceitáveis” para entregar como colateral.

“Estamos ainda a trabalhar com os acordos antigos, que não são bilaterais, mas estamos a trabalhar nisso. Temos 18 bancos colocadores de dívida [“primary dealers] e vamos assinar acordos bilaterais com todos eles se eles mostrarem interesse”, revelou ao Risk.net Alberto Soares, presidente do IGCP.

O mesmo responsável esclareceu que para se efectivar esta alteração “há muita documentação que tem que ser alterada e muitas coisas que têm que se clarificadas”.

Esta medida que o ICGP pretende implementar vai sobretudo baixar o risco dos bancos nas operações de derivados com dívida pública. Até aqui teriam que ser os bancos a suportar os custos de se protegerem contra as perdas destas operações. Dado que estes subiram bastante desde o início da crise da dívida soberana, os bancos pressionaram os soberanos para assinarem estes acordos bilaterais.

Em declarações ao Risk.net Alberto Soares explicou que esta medida “não significa que o IGCP foi encostado à parede” e negou que os bancos tenham ameaçado com uma subida dos preços cobrados para negociar dívida portuguesa.

Questionado sobre se os bancos vão aceitar obrigações portuguesas como colateral, Alberto Soares respondeu: “Porque não?”.

Esta notícia surge num dia em que o risco de Portugal está em forte queda nos mercados. A “yield” das obrigações do tesouro a 10 anos desce mais de 30 pontos base, a queda mais acentuada desde 10 de Maio, dia posterior à decisão da União Europeia de criar um mega-fundo de emergência para socorrer países do Euro em dificuldades.



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