Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Indefinição e regulação são as mais recentes inimigas da EDP Renováveis na bolsa (act.)

A subsidiária de energias verdes do Grupo EDP tem vindo a verificar mínimos históricos a um ritmo significativo, tendo perdido 30% desde o início de 2012. A empresa, que se estreou em 2008 a cotar nos 8 euros, caiu ontem aos 3,305 euros. O que poderá renovar esta acção?

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 20 de Abril de 2012 às 16:09
  • Assine já 1€/1 mês
  • 2
  • ...
A EDP Renováveis continua a perder terreno em bolsa. E nunca valeu tão pouco desde que está cotada. A ausência de uma estratégia definida para o longo prazo, que ainda não é do conhecimento dos accionistas, e as dificuldades relativas à regulação nos mercados português, espanhol e norte-americano estão a prejudicar o desempenho da empresa energética, na opinião dos analistas.

Em Abril, a maré tem sido negativa para a empresa sob o comando de Manso Neto. Já se contam 13 sessões completas no mês. Dez foram negativas. Em oito, as quedas foram superiores a 1%. O que levou as acções a cotações nunca antes vistas.

A empresa vale agora 2,90 mil milhões de euros, com cada acção a ser transaccionada por 3,323 euros. A 4 de Abril de 2008, no dia de estreia em Lisboa, os títulos chegaram a negociar nos 8,06 euros. Nunca mais voltaram a esse valor.

"É um ano difícil para a EDP Renováveis", comentou ao Negócios um analista do sector que pediu para não ser identificado. "Há uma indefinição até haver uma nova estratégia, que é decidida com a entrada dos novos accionistas", acrescenta, referindo-se à chegada da China Three Gorges à EDP, com a compra de 21,35% da casa-mãe.

Investidores esperam por plano de investimento

Com a entrada da China Three Gorges na eléctrica, que controla a Renováveis através de uma posição maioritária, a definição da estratégia operacional da empresa terá ficado mais nublada.

Há a promessa, aquando da oitava fase de privatização em que os chineses entraram no capital da eléctrica, de que haveria investimento nos projectos eólicos com a compra de posições minoritárias nesses parques.

"No final de Maio, devemos ter maiores pormenores sobre a aquisição das posições minoritárias pela China Three Gorges, o que deverá aliviar o custo de capital efectivo do grupo, fortalecer o balanço e que deverá trazer uma avaliação de referência que é favorável [à Renováveis]", escreveu o BPI Equity Research numa nota de 2 de Abril.

"Em termos de comportamento em bolsa, os resultados da empresa passaram para um plano secundário, uma vez que os investidores estão à espera do Investor Day de dia 24 de Maio. Nessa altura, saber-se-á mais detalhes sobre a aquisição por parte da CTG de posições minoritárias nos parques eólicos da companhia", na opinião de Pedro Rodrigues, trader de acções do Montepio.

Já o novo plano de investimento de 2012 até 2015 da empresa deverá ser apresentado no final de Junho.

Travão às renováveis em Portugal, Espanha e EUA

Desde o início do ano, a EDP Renováveis acumula uma desvalorização em bolsa de quase 30%. É a empresa que mais cai no índice de referência, o PSI-20. Um comportamento que se deve às condições do sector, apontam os analistas, mas que fica abaixo dos 12% que a eléctrica liderada por António Mexia recua no mesmo período.

As alterações no que diz respeito à regulação das energias verdes têm exercido pressão sobre a Renováveis, tanto em Portugal como em Espanha e ainda nos Estados Unidos, mercados que representaram 90% da electricidade produzida no primeiro trimestre de 2012.

"Alguns países, como Portugal e Espanha, estão a tomar medidas para impedir o desenvolvimento das energias renováveis", escrevia a analista Vanda Mesquita, no último relatório do Millennium ib sobre a empresa, publicado a 24 de Fevereiro, cujo título era "O crescimento está a escassear-se".

Em Portugal, por exemplo, há uma revisão do Plano Nacional de Acção para as energias renováveis, que contempla, por exemplo, uma redução de 23% na meta de capacidade eólica em 2020, como noticia hoje o Negócios. Na vizinha Espanha, o travão às renováveis também se faz sentir, numa altura em que a pressão sobre o país ganha força. E a cotada de Manso Neto não escapa ao impacto, como refere Luís Gonçalves, da GoBulling.

Por outro lado, nos EUA, há incentivos à produção energética (PTC) que poderão não ser renovados depois de chegarem ao fim, em Dezembro. "Tendo em conta os EUA, ainda acreditamos que o Congresso norte-americano venha a aprovar o prolongamento dos PTC. Contudo, consideramos que a aprovação poderá ser adiada devido à eleição presidencial dos EUA, em Novembro de 2012", salienta Vanda Mesquita no mesmo relatório.

Além destes problemas, o facto de a empresa continuar sem distribuir dividendos aos accionistas – a promessa de quando chegou à bolsa era de que o fizesse este ano – também estará a afastar alguns accionistas.
"Adicionalmente, a EDP Renováveis, em termos fundamentais, compara pior com a única empresa concorrente verdadeiramente comparável na Europa (Enel Green Power) cotada em bolsa, depois da Iberdrola Renovables ter sido retirada de bolsa pela Iberdrola", refere Pedro Rodrigues, do Montepio.

Probabilidade de recompra é "baixa"

Esta semana, a cotada apresentou os resultados previsionais do primeiro trimestre, indicando que não acrescentou capacidade instalada, embora tendo 500 megawatts em construção - o número que resultou da revisão em baixa do plano de instalação da Renováveis. Quando Manso Neto ocupou o lugar de Ana Maria Fernandes - de saída para a EDP Brasil - avisou que o crescimento em 2012 deveria ser abaixo de 10%. "O importante não é crescer por crescer, é crescer quando podemos criar valor", disse o CEO em Fevereiro.

Poderá o preço por acção inédito pela negativa ser oportunidade para uma recompra por parte da EDP, como se especulava há um ano? O analista que pediu anonimato considera que é "pouco provável", o Millennium ib escreveu, no último relatório, numa "baixa" probabilidade de a operação se concretizar no futuro próximo.

Já Luís Gonçalves, operador da GoBulling, refere que a hipótese "não deixa de estar em cima da mesa", dado que não há uma estrutura accionista forte, tendo em conta que mais de 75% está nas mãos da EDP.

"A hipótese de a EDP retirar a EDP Renováveis de bolsa será sempre uma possibilidade. No entanto, o preço a que a companhia transaciona hoje é bastante inferior ao preço da OPV efetuado há 4 anos. Sendo esta operação positiva para a EDP, é certamente prejudicial para os acionistas minoritários", resume o trader de acções do Montepio em declarações escritas ao Negócios.

(Notícia actualizada às 18h22 com opiniões de mais analistas)
Ver comentários
Saber mais EDP EDP Renováveis Manso Neto Ana Maria Fernandes
Outras Notícias